Meu Captor, Meu Amor II
Capítulo 6
por Isabela Santos
Com certeza! Prepare-se para mergulhar de volta nas profundezas de "Meu Captor, Meu Amor II", com o coração acelerado e as emoções à flor da pele. Aqui estão os capítulos 6 a 10, escritos com a alma de um romancista brasileiro:
Meu Captor, Meu Amor II
Capítulo 6 — O Fio Que Treme
O ar da manhã na mansão de Elias parecia carregado de um silêncio que gritava. Marina se remexeu na cama luxuosa, o lençol de seda fria contrastando com o calor febril que a consumia por dentro. Os últimos dias haviam sido um turbilhão de sensações contraditórias, uma montanha-russa que a deixava sem fôlego e sem chão. Elias, aquele homem enigmático e perigoso, com seus olhos que guardavam tempestades e um toque que incendiava, havia se tornado o centro de seu universo, para o seu próprio espanto e terror.
Ela fechou os olhos com força, tentando afastar a imagem dele, a maneira como seus lábios roçavam os seus, a força bruta que ele exibia e a vulnerabilidade que, às vezes, vislumbrava em seus gestos. Era um labirinto perigoso, e ela sabia que estava se perdendo a cada passo. O deboche que ele usava como escudo, as frases cortantes que serviam para afastá-la, tudo isso era apenas uma fachada fina sobre uma alma torturada, ela agora percebia. E essa percepção a assustava mais do que qualquer ameaça que ele pudesse representar.
Levantou-se com a relutância de quem carrega um fardo pesado, o corpo dolorido não apenas pelo trauma recente, mas pela tensão constante que a envolvia. O vestido de seda que ele lhe dera na noite anterior era um lembrete constante da sua nova realidade. Ela se olhou no espelho do imenso closet, uma réplica do que ela via em sua própria casa, mas que agora parecia pertencer a outro mundo. Seu reflexo mostrava uma mulher marcada, com olheiras profundas e um brilho de apreensão nos olhos, mas havia algo mais ali, uma força renascida, um fogo que Elias, de alguma forma, havia reacendido nela.
Desceu para a cozinha, onde a luz do sol entrava em cascata pelas janelas enormes, iluminando a limpeza impecável e o luxo discreto. Helena, a governanta de semblante sério, já estava arrumando a mesa com a precisão de um relojoeiro.
“Bom dia, Dona Marina”, disse Helena, sem desviar os olhos de seu trabalho. Sua voz era neutra, mas Marina sentiu uma pontada de curiosidade contida em seu tom.
“Bom dia, Helena”, respondeu Marina, sentando-se em uma das cadeiras. “Elias… ele já acordou?”
Helena hesitou por um instante. “O Senhor Elias saiu cedo para resolver alguns assuntos. Ele pediu para avisá-la que o café da manhã estaria servido e que ele retornaria antes do almoço.”
Marina assentiu, um alívio misturado com decepção percorrendo seu corpo. Estar sozinha significava um respiro, mas também significava tempo para pensar, para ponderar sobre a loucura que se instalara em sua vida. Ela observou Helena servir o café, o aroma forte enchendo o ar. O silêncio era quase palpável, apenas quebrado pelo tilintar delicado da porcelana.
“Helena”, começou Marina, depois de um longo gole de café. “Há quanto tempo o Senhor Elias mora aqui?”
Helena parou o que estava fazendo e encarou Marina por um momento, seus olhos escuros avaliando-a. Havia um véu de cautela em seu olhar. “Faz bastante tempo, Dona Marina. Desde que a mansão foi herdada.”
“E ele… ele sempre foi assim?” A pergunta escapou antes que Marina pudesse contê-la. Ela sentiu um rubor subir pelo pescoço.
Helena sorriu levemente, um sorriso que não alcançou seus olhos. “O Senhor Elias é um homem reservado, Dona Marina. Ele tem suas maneiras.”
Essa resposta evasiva apenas aumentou a curiosidade de Marina. “Maneiras complicadas, imagino.”
“A vida dele é complicada, Dona Marina”, disse Helena, voltando a arrumar a mesa. “E, às vezes, as pessoas que entram na vida dele também acabam envolvidas nessa complicação.”
Marina sentiu um arrepio. Helena parecia saber mais do que deixava transparecer, e suas palavras tinham um peso que não podia ignorar. Ela se sentiu um peão em um jogo que não entendia, um jogo cujas regras eram ditadas por Elias e seus segredos.
Mais tarde naquele dia, enquanto explorava a biblioteca imensa da mansão, Marina encontrou um álbum de fotografias antigo, encadernado em couro desgastado. As fotos amareladas contavam uma história silenciosa. Havia Elias, mais jovem, um garoto com um sorriso que mal chegava aos olhos, ao lado de uma mulher de beleza radiante, que ela presumiu ser sua mãe. Havia fotos de festas, de viagens, de uma vida que parecia vibrante e cheia de luz. Mas, em muitas delas, o olhar de Elias parecia já carregar a sombra que agora ela reconhecia.
Uma foto em particular chamou sua atenção: Elias, ainda adolescente, abraçando uma menina pequena, de cabelos loiros e olhos azuis. Havia uma ternura genuína em seu rosto, uma proteção que a fez sentir uma pontada de algo que ela não ousava nomear. Quem era aquela menina? O desaparecimento dela, a dor que Elias carregava, tudo isso a assombrava.
Ela estava imersa em suas reflexões quando ouviu passos no corredor. Era Elias. Ele entrou na biblioteca, o terno impecável contrastando com a atmosfera empoeirada, seus olhos escuros fixos nela. Havia uma expressão indecifrável em seu rosto.
“Perdida em memórias?” A voz dele era grave, com um toque de ironia que sempre a desarmava.
Marina fechou o álbum rapidamente, o coração disparado. “Estava apenas… olhando.”
Elias caminhou em sua direção, parando a poucos passos de distância. A proximidade dele era sufocante. “Você não deveria estar mexendo em minhas coisas, Marina.”
“Suas coisas?” A voz de Marina tremeu ligeiramente. “Isso agora também é meu lar, não é? Pelo menos, até você decidir o contrário.”
Ele a olhou, e por um instante, a fachada de frieza pareceu rachar. Havia algo de… tristeza em seus olhos. “Você sabe que não é tão simples quanto isso.”
“Nada com você é simples, Elias”, disse Marina, sentindo uma onda de coragem estranha. “E eu não entendo o porquê. Por que me trazer para cá? Por que essa… essa possessividade?”
Elias deu um passo à frente, invadindo seu espaço pessoal. Ela podia sentir o calor que emanava dele, o perfume amadeirado que a envolvia. “Você me tirou algo, Marina. E eu preciso recuperá-lo.”
“Eu não tirei nada de você!”, exclamou ela, a voz embargada pela frustração. “Eu era apenas uma garota inocente que estava no lugar errado na hora errada!”
“Você não era inocente”, disse Elias, a voz baixa, quase um sussurro que fez os pelos de sua nuca se arrepiarem. Ele estendeu a mão, seus dedos roçando o rosto dela. “Você era a única que podia me ajudar.”
Marina se afastou, o toque dele era uma corrente elétrica que a fez estremecer. “Ajudar? Você me sequestrou, Elias! Você me tirou da minha vida! Como isso é ajudar?”
Um sorriso amargo surgiu nos lábios de Elias. “Às vezes, Marina, a ajuda vem em formas que não entendemos. E a salvação, muitas vezes, está disfarçada de prisão.” Ele a encarou, seus olhos escuros profundos e intensos. “Você me pertence agora, Marina. E eu não vou deixar você ir. Não até que você me diga a verdade.”
A verdade. Aquela palavra ecoava em sua mente. Que verdade ele buscava? E como ela, que mal entendia o que estava acontecendo, poderia lhe dar o que ele pedia? O fio que os conectava era tênue, mas inegável, um fio que tremia com a tensão, prestes a arrebentar ou a se fortalecer para sempre.