Meu Captor, Meu Amor II

Capítulo 9 — O Labirinto do Passado

por Isabela Santos

Capítulo 9 — O Labirinto do Passado

A revelação sobre “A Ordem do Pássaro” lançou uma nova sombra sobre a mansão de Elias. Marina sentiu um frio percorrer sua espinha, uma mistura de medo e incredulidade. Ela, envolvida em um sequestro, em uma organização criminosa? A ideia era aterradora, mas a forma como Elias falava, a convicção em seus olhos, a fazia questionar tudo o que ela achava que sabia sobre si mesma.

“Mas por quê eu, Elias?”, perguntou Marina, a voz embargada pela ansiedade. “Por que eles me levariam e me deixariam ir? Eu não entendo.”

Elias a olhou, seus olhos escuros cheios de uma dor que parecia antiga. “Eles são mestre em manipulação, Marina. Se você foi levada por eles, e depois abandonada, é porque você não tinha mais utilidade imediata, ou porque eles queriam que você ficasse quieta, escondida. Mas o seu olhar naquele dia… ele me diz que você viu algo crucial. Algo que eles não queriam que fosse revelado.”

Ele se aproximou, a preocupação genuína em seu semblante. “Eu não acredito que você faça parte deles, Marina. Pelo menos, não conscientemente. Mas você é a chave. Você é a única que pode me ajudar a desvendar o que realmente aconteceu com Sofia e Aurora.”

Marina se sentiu sobrecarregada. A responsabilidade era imensa, e o peso do desconhecido a sufocava. Ela queria Elias fora de sua vida, queria voltar para sua rotina, para a segurança do que era familiar. Mas a cada dia que passava naquela mansão, a cada conversa, a cada olhar trocado, uma conexão se fortalecia entre eles, um fio invisível que os prendia, para o bem ou para o mal.

“Elias, eu… eu não sei se posso te ajudar”, sussurrou Marina, sentindo as lágrimas brotarem. “Eu era apenas uma criança. Minhas memórias são confusas.”

Ele a abraçou forte, um gesto que a surpreendeu pela sua ternura. “Eu sei que é difícil, meu amor”, disse ele, o apelido saindo de seus lábios de forma natural, como se sempre tivesse pertencido ali. O termo fez o coração de Marina disparar. “Mas eu vou te ajudar. Nós vamos juntos desvendar esse labirinto. Eu não vou deixar que eles te machuquem novamente.”

A palavra “amor” ecoou na mente de Marina. Era possível que, em meio a todo aquele caos, algo como o amor pudesse florescer? Ela sentia uma atração inegável por Elias, uma admiração pela força dele, uma compaixão pela dor que ele carregava. Mas amor? Era um sentimento complexo demais para ser compreendido em meio a sequestros e mistérios.

Nos dias que se seguiram, Elias decidiu que Marina não poderia mais ficar sozinha. Ele a levava para todos os lugares, como se quisesse protegê-la, mas também como se quisesse mantê-la sob seu olhar atento. Ele a levou para conhecer alguns de seus contatos, pessoas que pareciam viver na mesma área cinzenta que ele. Marina se sentia como um peixe fora d’água, observando conversas codificadas, olhares desconfiados, um mundo que ela não compreendia.

Um dia, Elias a levou a um antigo galpão abandonado, nos arredores da cidade. O lugar cheirava a mofo e a poeira, e a pouca luz que entrava pelas janelas quebradas criava sombras sinistras.

“Eu estou seguindo uma pista sobre a Ordem do Pássaro”, explicou Elias, a voz tensa. “Um informante disse que eles usavam um lugar como este para seus… negócios.”

Enquanto Elias conversava com um homem de semblante rude, Marina se afastou, sentindo-se desconfortável. Seus olhos vagaram por caixas empilhadas e equipamentos antigos. Foi quando ela viu algo que a fez parar. Em uma prateleira empoeirada, havia uma pequena caixa de madeira, ornamentada com um delicado bordado de pássaros.

Com as mãos trêmulas, Marina pegou a caixa. Ela a abriu. Dentro, havia uma coleção de cartas amareladas, e, no meio delas, um pingente. Um pingente com um pássaro bordado. O mesmo pingente que ela descrevera para Elias.

Seu coração começou a bater descontroladamente. Ela pegou as cartas, seus olhos correndo sobre a caligrafia elegante. Eram cartas de Sofia para Aurora. Cartas cheias de amor, de saudade, de conselhos maternos.

“Mamãe te ama mais do que as estrelas no céu, meu amor”, dizia uma das cartas. “Nunca se esqueça de quão especial você é.”

E então, Marina viu algo que a fez engasgar. Em uma das últimas cartas, havia uma menção a um plano. Um plano para desaparecer, para se proteger, para fugir de alguém. E essa pessoa, segundo as palavras de Sofia, era perigosa e obcecada.

“Seja forte, minha Aurora”, escrevia Sofia. “Sei que não é fácil, mas confie em quem te ama. E se você estiver com aquela menina… a que tem os olhos tão gentis… confie nela também. Ela é a nossa única esperança.”

Marina não conseguia respirar. Aquela menina de olhos gentis… era ela. Ela se lembrou vagamente de um encontro, de uma mulher falando com ela em voz baixa, entregando algo em suas mãos. Era Sofia. E naquele dia, Sofia lhe dera o pingente, pedindo para guardá-lo, para protegê-lo.

Elias se aproximou, percebendo a palidez de Marina. “O que foi, Marina? Você encontrou algo?”

Marina ergueu o pingente e as cartas. “Elias… eu… eu me lembro agora. Eu me lembro de Sofia. Ela me deu isso. Ela me pediu para guardá-lo. Ela… ela disse que eu era a única esperança.”

Elias pegou o pingente, seus olhos escuros cheios de uma emoção avassaladora. Ele olhou para as cartas, a verdade começando a se formar em sua mente.

“Ela… ela fingiu o desaparecimento?”, perguntou Elias, a voz embargada. “Ela fugiu? Mas por quê? De quem ela estava fugindo?”

“Ela mencionou alguém perigoso”, disse Marina, a voz trêmula. “Alguém obcecado. E ela disse que se eu estivesse com ela… que eu era a esperança.”

Um lampejo de compreensão passou pelos olhos de Elias. “O informante… ele mencionou que a Ordem do Pássaro não faz apenas sequestros. Eles também ajudam pessoas a desaparecerem. E cobram um preço altíssimo por isso.”

A ficha começou a cair para Marina. Sofia não foi sequestrada. Ela fugiu. E usou Marina, uma criança assustada, como cúmplice involuntária. Mas por que? E o que aconteceu com Aurora?

“Elias, o que você acha que aconteceu com Aurora?”, perguntou Marina, o medo voltando a assombrá-la.

Elias apertou o pingente em sua mão. “Eu não sei. Mas se Sofia fugiu, então Aurora deve ter ido com ela. Mas por que não me contataram? Por que me deixaram acreditar que elas foram levadas?”

De repente, um barulho na porta do galpão os alertou. Eles não estavam sozinhos. Figuras sombrias emergiram das sombras, homens vestidos com trajes escuros, com o símbolo de um pássaro bordado em seus uniformes.

“A Ordem do Pássaro”, sibilou Elias, puxando Marina para trás dele. “Parece que eles não gostam que suas pistas sejam descobertas.”

Uma luta se iniciou. Elias, com uma ferocidade surpreendente, lutou contra os homens. Marina, paralisada pelo medo, observava a cena, o pingente firmemente apertado em sua mão. Ela viu Elias cair, atingido por um golpe forte.

“Corra, Marina!”, gritou ele, com a voz rouca. “Leve isso! Vá!”

Marina pegou as cartas e o pingente, correndo para a porta dos fundos que Elias havia indicado. Ela ouviu os sons da luta se afastarem, o rugido de Elias lutando. Mas ela sabia que não podia ficar.

Ela correu para a noite, o coração batendo descompassadamente, o pingente e as cartas de Sofia em suas mãos. O labirinto do passado havia se aberto, e ela estava no centro dele, com a verdade fragmentada e o perigo à espreita. Elias estava ferido, talvez em perigo mortal, e ela era a única que possuía as peças do quebra-cabeça. A verdade, ela percebeu, era um fardo pesado, e o caminho para desvendá-la estava apenas começando.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%