Amor que Transcende III

Capítulo 24 — A Dança Sombria das Máscaras Sociais

por Camila Costa

Capítulo 24 — A Dança Sombria das Máscaras Sociais

O baile beneficente era o evento mais aguardado do ano na alta sociedade carioca. Um mar de vestidos luxuosos, ternos impecáveis e joias cintilantes se estendia pelo salão deslumbrante do Copacabana Palace. As luzes de cristal refletiam em um mar de rostos sorridentes, onde máscaras de seda e pedrarias escondiam, por baixo da fachada de glamour, as mais diversas intenções e segredos. Para Helena, aquele evento era um campo minado. A presença de Eduardo era quase certa, e o medo de um confronto, de uma exposição pública de seu passado, a deixava apreensiva.

Pedro, ao seu lado, percebia a tensão em seus ombros. Ele segurava sua mão com firmeza, um gesto de apoio silencioso. "Você está linda, meu amor", disse ele, o olhar fixo nos olhos dela, transmitindo confiança e amor. "Não se preocupe. Estarei ao seu lado o tempo todo."

Helena sorriu, grata. "Eu sei. Mas a ideia de vê-lo aqui... me assusta."

"Ele não vai nos intimidar. Não hoje. O foco é Sofia, e o futuro que estamos construindo para ela." Pedro beijou a mão dela. "E hoje, nós vamos brilhar. Por nós, por ela."

Francisco e Dona Clara também estavam presentes, elegantes e dignos. Francisco observava a filha com um misto de orgulho e preocupação, enquanto Dona Clara tentava manter uma postura serena, embora o medo de um encontro com Eduardo fosse palpável em seu olhar.

A festa estava em pleno andamento quando um burburinho sutil começou a circular pelo salão. A atenção de todos se voltou para a entrada principal, onde uma figura imponente acabara de surgir. Eduardo. Ele usava um terno sob medida, a máscara de veludo preto realçando o brilho perigoso de seus olhos. Ele parecia estar em seu elemento, um predador em seu habitat natural.

Helena sentiu o sangue gelar. Seus olhos se encontraram com os dele, e por um instante, o tempo pareceu parar. Um sorriso lento e calculado surgiu nos lábios de Eduardo, um convite velado para a dança sombria que ele estava prestes a iniciar.

"Ele chegou", Helena sussurrou para Pedro, a voz tensa.

"Fique calma. Não dê atenção", Pedro aconselhou, mas sua postura demonstrava que ele estava pronto para qualquer coisa.

Eduardo, ignorando a tensão em seu redor, começou a circular pelo salão, cumprimentando pessoas influentes, tecendo sua teia de contatos e desconfiança. Ele era mestre em manipular as aparções, e naquele ambiente, sentia-se invencível.

De repente, ele mudou de direção, seu olhar fixo em Helena. Ele caminhou em direção a ela, com uma desenvoltura que beirava a arrogância. Pedro e Francisco se posicionaram instintivamente ao lado de Helena, formando uma barreira sutil, mas firme.

"Helena, que surpresa maravilhosa encontrá-la aqui", disse Eduardo, a voz carregada de um sarcasmo polido. Ele olhou de Helena para Pedro, um sorriso irônico se formando em seus lábios. "E vejo que você veio acompanhada. Sempre soube que você tinha bom gosto."

"Eduardo", Helena respondeu, a voz controlada, mas sem calor. "Não temos nada a conversar."

"Ah, mas temos sim. O passado sempre tem algo a nos dizer, não é mesmo?" Ele lançou um olhar penetrante para Helena, como se pudesse ler seus pensamentos mais profundos. "E às vezes, ele traz consigo surpresas inesperadas."

A insinuação era clara. Ele estava jogando suas cartas, provocando, tentando desestabilizá-la. Francisco deu um passo à frente, a fúria começando a borbulhar em seu olhar. "Eduardo, você está cruzando uma linha perigosa. Saia de perto da minha filha."

Eduardo riu, um som que parecia ecoar pela imensidão do salão. "Sua filha? Francisco, por favor. Não me faça rir." Ele se virou para Helena, o olhar fixo nos dela. "Eu sei de tudo, Helena. Sei sobre Sofia."

O ar pareceu rarefeito. Helena sentiu o chão sumir sob seus pés. Pedro apertou sua mão com mais força, tentando transmitir segurança. Francisco estava prestes a explodir.

"Você não sabe de nada!", Helena sibilou, a voz embargada pela raiva e pelo medo.

"Eu sei o suficiente para saber que a verdade tem um preço. E você, querida Helena, terá que pagá-lo." Eduardo deu um passo para trás, um sorriso triunfante nos lábios. "Mas não se preocupe. Talvez eu possa te ajudar a aliviar esse fardo. Afinal, temos uma ligação, não é mesmo?"

Ele piscou para Helena e se afastou, deixando para trás um rastro de incerteza e apreensão. Helena se virou para Pedro, os olhos marejados.

"Ele sabe, Pedro. Ele sabe sobre a Sofia."

Pedro a abraçou, a preocupação em seu rosto, mas a determinação em sua voz. "Nós sabíamos que isso poderia acontecer. Mas ele não tem provas. E nós não vamos deixar que ele use isso contra você."

Francisco, com os punhos cerrados, falou: "Ele não vai ter acesso à Sofia. Eu juro."

Enquanto isso, Eduardo não parava por aí. Ele era um mestre na arte da manipulação social. Ele se aproximou de Dona Clara, que estava conversando com um grupo de senhoras.

"Dona Clara, que bom vê-la. Senti sua falta nas últimas reuniões", disse Eduardo, o tom amigável, mas os olhos calculistas.

Dona Clara sentiu um arrepio. Ela sabia que Eduardo era perigoso, e a presença dele ali, tão perto, a deixava apreensiva. "Eduardo", ela respondeu, tentando manter a compostura. "A vida tem sido um pouco corrida ultimamente."

"Ah, eu imagino. Especialmente com as novidades que andam surgindo. Rumores sobre a origem da pequena Sofia, não é mesmo?" Eduardo se inclinou levemente, o tom de voz confidencial. "É uma pena que o passado tenha um jeito de vir à tona, não é? Especialmente quando envolve pessoas tão... influentes."

Dona Clara sentiu o sangue gelar. A insinuação era clara. Ele estava tentando atingi-la, ameaçá-la. "Não sei do que você está falando, Eduardo", ela disse, a voz firme, mas o coração acelerado.

Eduardo sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. "Oh, eu acho que você sabe. E eu acho que Helena também. E talvez, apenas talvez, o bom e fiel Francisco também comece a desconfiar."

Ele deu um passo para trás, deixando Dona Clara visivelmente abalada. Ele gostava de semear a discórdia, de observar as máscaras sociais caírem, revelando as fragilidades por baixo.

O restante da noite foi tenso. Helena, Pedro e Francisco se mantiveram juntos, como uma fortaleza inabalável contra as investidas de Eduardo. Ele tentou se aproximar novamente, lançando provocações e insinuações, mas a união dos três o impediu de causar qualquer dano imediato.

No final da noite, enquanto os convidados começavam a se despedir, Eduardo se aproximou de Helena pela última vez. Ele estava sozinho, e o olhar em seus olhos era de pura determinação.

"Isso não acabou, Helena. A verdade virá à tona. E quando isso acontecer, você desejará ter concordado com a minha proposta." Ele se inclinou, sussurrando em seu ouvido: "A Sofia tem um pai. E eu estou aqui para reivindicá-la."

Com essas palavras, ele se afastou, desaparecendo na multidão. Helena ficou paralisada, o coração batendo descompassado. A dança sombria das máscaras sociais havia revelado a verdadeira intenção de Eduardo. Ele não se contentaria em ficar nas sombras. Ele viria atrás de Sofia. E a batalha pela sua filha estava apenas começando. Pedro a abraçou, e ela se agarrou a ele, sentindo a força de seu amor como a única coisa capaz de protegê-la da escuridão que se anunciava.

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