Amor que Transcende III

Amor que Transcende III

por Camila Costa

Amor que Transcende III

Capítulo 6 — Sussurros de um Passado Inconveniente

O sol da manhã, ainda tímido, tingia o céu do Rio de Janeiro com tons de laranja e rosa, um espetáculo que se repetia diariamente, mas que, para Helena, parecia ter um brilho especial naquele dia. Deitada na cama macia da suíte presidencial do Copacabana Palace, ela sentia o peso da noite anterior ainda repousando em seus ombros. Os olhos de Miguel, fixos nos dela, a promessa em sua voz, o toque de sua mão… tudo se misturava a uma apreensão latente. Ele havia dito que a amava, que a queria. Mas o que isso significava agora, diante de tudo o que os cercava?

Ela deslizou os dedos pela cortina de seda, permitindo que a luz inundasse o quarto. A vista para a praia de Copacabana, com sua areia dourada e as ondas quebrando suavemente, era um convite à serenidade. Mas a serenidade parecia um luxo distante. Helena se levantou, caminhando até a janela. O som das gaivotas, o murmúrio distante da cidade acordando, tudo parecia alheio à tempestade que se formava dentro dela.

Miguel ainda dormia, o sono pesado de quem carrega o peso de muitos anos. Helena observou-o por um instante. Ele era belo, mesmo adormecido. As rugas que se formavam nos cantos dos olhos quando sorria, a linha firme do maxilar, o cabelo escuro que caía em cascata sobre a testa. Havia uma força contida nele, uma vulnerabilidade que a atraía irremediavelmente. Mas era essa mesma força que a assustava. Ele era um homem de ação, de decisões firmes. E ela… Helena se sentia como um barco à deriva, com a bússola quebrada.

Um leve tremor percorreu seu corpo. A sensação de que algo estava prestes a desmoronar era palpável. O passado, que ela julgava ter enterrado sob camadas de tempo e distância, parecia querer ressurgir com uma ferocidade surpreendente. Os rostos, os nomes, as situações… tudo voltava com uma clareza assustadora. Ela apertou os punhos, tentando afastar as imagens. Não era hora de ceder.

Pegou uma toalha e seguiu para o banheiro, deixando Miguel em seu sono. O vapor quente do chuveiro a envolveu, trazendo um alívio momentâneo. Enquanto a água escorria por seu corpo, Helena se permitiu um breve momento de reflexão. O que ela queria realmente? Miguel oferecia um caminho, uma nova chance, um amor que parecia genuíno. Mas e as consequências? E a vida que ela havia construído, mesmo que solitária, para proteger a si mesma?

O som suave da porta abrindo a fez sobressaltar. Miguel estava ali, os olhos ainda um pouco embaçados pelo sono, mas com aquele brilho intenso que ela já conhecia. Ele a observou através do vidro fosco do box, um sorriso pequeno brincando em seus lábios.

“Pensando em fugir?”, ele perguntou, a voz rouca.

Helena riu, um riso nervoso. “Ainda não. O café da manhã é bom demais para ser desperdiçado.”

Ele se aproximou, a voz mais baixa e íntima. “Você sabe que não se trata apenas de café, Helena.”

Ela desligou o chuveiro e abriu a porta, enrolada na toalha. Miguel não desviou o olhar. Havia uma cumplicidade silenciosa entre eles, uma tensão que pairava no ar, carregada de desejo e incertezas.

“Eu sei”, ela respondeu, a voz embargada. “E é isso que me assusta.”

Ele deu um passo à frente, a mão estendida, mas parou antes de tocá-la. “Não precisa ter medo de mim, Helena. De nós.”

“O medo não é de você, Miguel. É do que virá. Das pessoas. Do que eles farão.” Helena sentiu um nó na garganta. “Meu passado… ele não é limpo. E o seu também não.”

Miguel a puxou gentilmente para perto, o peito nu dele contra a toalha que a cobria. O calor de seu corpo a envolveu, trazendo um arrepio que não era de medo, mas de desejo.

“O passado é uma bagagem, Helena. Podemos escolhê-lo ou podemos deixá-lo para trás. O que importa é o agora. E o futuro que podemos construir juntos.” Ele a abraçou com força, como se quisesse protegê-la de todos os fantasmas. “Eu não vou deixar que ninguém te machuque. Eu juro.”

As palavras dele eram um bálsamo, mas a realidade era um espinho. Helena se aconchegou em seus braços, sentindo a força de seu corpo. Ela queria acreditar. Queria se permitir ser feliz. Mas os sussurros do passado eram insistentes, ecoando em sua mente como um prenúncio sombrio.

Mais tarde, no café da manhã, sob o olhar atento dos garçons e a grandiosidade do salão do Copacabana Palace, Helena se sentiu desconfortável. Cada olhar parecia julgar, cada risada distante parecia zombeteira. Ela sabia que era paranoia, mas a sensação de estar exposta, de ter seus segredos prestes a serem revelados, era avassaladora.

Miguel percebeu sua inquietação. Ele segurou sua mão por cima da mesa, um gesto discreto, mas que transmitia segurança.

“Está tudo bem?”, ele perguntou, a voz baixa.

“É só… a atenção. Eu não estou acostumada a isso”, ela respondeu, tentando sorrir.

“Você vai se acostumar. E se não gostar, podemos ir para um lugar mais tranquilo. Uma ilha deserta, talvez?”, ele brincou, mas havia uma seriedade em seus olhos.

Enquanto conversavam sobre planos vagos, sobre um futuro que parecia ao mesmo tempo excitante e aterrador, a porta de entrada do restaurante se abriu e um turbilhão de energia e gritos irrompeu. Era a mídia. Câmeras, flashes, repórteres com microfones estendidos, todos correndo em direção a eles.

Helena sentiu o sangue gelar. Miguel se levantou de imediato, colocando-se entre ela e a multidão barulhenta.

“O que está acontecendo?”, ele rosnou, protegendo Helena.

“Senhor Miguel!” Uma repórter com cabelos vermelhos e um olhar voraz se adiantou. “O que o traz ao Brasil? E quem é essa bela acompanhante?”

Helena se encolheu, desejando desaparecer. A pergunta sobre a acompanhante era carregada de malícia.

“Ela é Helena”, Miguel respondeu, a voz firme, mas com uma raiva contida. “E eu estou aqui por motivos pessoais.”

“Motivos pessoais que incluem um antigo amor, Senhor Miguel? Dizem que você voltou para o Brasil por causa de uma mulher que te deixou há muitos anos. É verdade?”

O coração de Helena disparou. A pergunta atingiu em cheio. Ela sentiu o olhar de Miguel pesar sobre ela, a confirmação silenciosa de que o passado havia finalmente chegado para confrontá-los. Os sussurros haviam se transformado em gritos, e a tempestade estava apenas começando.

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