Amor que Transcende III

Capítulo 7 — A Sombra da Mansão Azul Revelada

por Camila Costa

Capítulo 7 — A Sombra da Mansão Azul Revelada

O caos se instalou no salão do Copacabana Palace. Os flashes das câmeras eram como disparos, cegando e desorientando. Helena sentiu um pânico crescente tomar conta de si. Ela sabia que era inevitável, mas a velocidade e a ferocidade com que tudo aconteceu a pegaram desprevenida. Miguel, com uma postura imponente e um olhar de aço, tentava conter a maré de repórteres, protegendo-a com seu próprio corpo.

“Por favor, se afastem!”, Miguel ordenou, a voz amplificada pelo microfone de um dos jornalistas. “Não vamos dar entrevistas neste momento.”

“Mas Senhor Miguel, é uma história de amor que o Brasil inteiro quer saber!”, insistiu outro repórter, empurrando um microfone na direção do rosto de Helena.

Ela recuou instintivamente, esbarrando no peito de Miguel. Ele a puxou para mais perto, um braço protetor em sua cintura. O calor de seu corpo era um refúgio em meio ao furacão de perguntas e olhares indiscretos.

“Senhor Miguel, a senhora é Helena Montenegro, a ex-noiva do falecido empresário Antônio Almeida?”, gritou uma repórter com cabelos loiros e um sorriso afiado, a voz carregada de um tom de quem acabara de desenterrar um tesouro.

O nome ressoou na mente de Helena como um trovão. Antônio. O nome que ela tentava apagar de sua memória, que representava a dor, a traição e o fim de tudo o que ela acreditava. Ela sentiu o corpo de Miguel endurecer ao seu lado. Ele sabia. Claro que ele sabia. Era impossível que não soubesse.

“Responda, Senhorita Montenegro!”, outra voz gritou. “O que você tem a dizer sobre o seu passado com Antônio Almeida e o legado da Mansão Azul?”

Legado da Mansão Azul. A frase ecoou na mente de Helena, trazendo consigo memórias vívidas daquele lugar, da vida que ela quase teve, do futuro que foi roubado. Ela olhou para Miguel, buscando alguma resposta em seus olhos. Ele a encarava, a mandíbula tensa, os olhos escuros como a noite. Havia uma mistura de raiva, decepção e algo mais… algo que ela não conseguia decifrar.

“Eu não tenho nada a dizer”, Helena finalmente conseguiu articular, a voz trêmula, mas firme.

O burburinho aumentou. Os repórteres, sentindo o cheiro de uma matéria bombástica, se agitaram ainda mais.

“Mas a senhora é a herdeira de Antônio Almeida, não é? A Mansão Azul está em seu nome agora, após a morte dele. E há rumores de que há segredos obscuros escondidos lá dentro. Segredos que podem prejudicar o Senhor Miguel!”

A acusação, direta e cruel, atingiu Helena como um golpe físico. Ela sentiu o ar faltar nos pulmões. Prejudicar Miguel. Era exatamente o que ela mais temia.

Miguel apertou a mão de Helena com força, um gesto de apoio, mas também de alerta. Ele sabia que precisavam sair dali, e rápido.

“Chega!”, ele disse, a voz carregada de autoridade. “Estão nos incomodando. Se não pararem, chamaremos a segurança.”

A ameaça, vinda de um homem como Miguel, conhecido por sua frieza e eficiência, surtiu efeito. Os repórteres hesitaram por um instante, mas a ganância por uma exclusiva era maior.

“Senhor Miguel, a verdade sempre vem à tona!”, gritou um deles.

Miguel agarrou Helena pelo braço e, com uma agilidade surpreendente, os guiou para fora do salão, em direção à saída de serviço. A segurança do hotel, alertada pela confusão, já estava a postos. Eles abriram caminho, permitindo que Miguel e Helena escapassem pela porta dos fundos, entrando em um carro preto que os aguardava.

No interior do veículo, o silêncio era denso, carregado de perguntas não feitas e ressentimentos silenciados. Helena sentia as mãos trêmulas, o coração batendo descompassado. Ela olhou para Miguel, que dirigia com uma expressão sombria, os olhos fixos na estrada.

“Você sabia, não é?”, ela perguntou, a voz baixa. “Sobre Antônio. Sobre a Mansão Azul.”

Miguel suspirou, um som pesado. “Sabia que você teve um passado. Sabia que ele foi importante. Mas não sabia da extensão das coisas. Ou que isso seria usado contra nós.”

“Eles disseram que eu sou a herdeira. Que a Mansão Azul está em meu nome. Isso é verdade?” A pergunta saía com dificuldade, como se ela estivesse confessando um crime.

Miguel parou o carro em um local discreto, longe da agitação do hotel. Ele se virou para encará-la, o olhar intenso e penetrante.

“Helena, eu te amo. Eu te disse isso. E eu quero estar com você. Mas não posso fazer isso se você não for sincera comigo. Se houver segredos que possam nos separar, ou que possam te colocar em perigo.”

“Não há segredos que possam nos separar, Miguel”, Helena respondeu, a voz embargada pela emoção. “Há apenas… dor. Dor que eu tentei esquecer. O Antônio… ele foi o meu primeiro amor. Eu acreditei que ele era o homem da minha vida. Mas ele me destruiu. Ele me deixou. E a Mansão Azul… é um lembrete constante de tudo o que eu perdi e de tudo o que ele me fez.”

Ela contou a Miguel sobre a proposta de casamento de Antônio, sobre a felicidade que ela sentiu ao acreditar que seu amor era recíproco e eterno. E então, a revelação devastadora: Antônio nunca a amou de verdade. Ele a usou. Ele a traiu com sua própria prima, a quem ele prometeu se casar após Helena. A humilhação, a dor da traição, a perda de tudo o que ela acreditava… tudo aquilo a quebrou.

“Ele me abandonou. Deixou-me sem nada. E a Mansão Azul, que ele me prometeu como nosso lar, agora é minha. Uma herança amarga, cheia de memórias dolorosas.” Helena sentiu as lágrimas rolarem pelo rosto. “Eu não quero essa herança, Miguel. Eu não quero nada que me ligue a ele.”

Miguel a observou em silêncio, absorvendo cada palavra. Ele estendeu a mão e enxugou as lágrimas de seu rosto com os dedos.

“Eu entendo”, ele disse, a voz suave e reconfortante. “Mas Helena, a Mansão Azul não pertence apenas a Antônio. Ela pertence à sua história. E se há algo lá dentro que te pertence, algo que você precisa resgatar, nós faremos isso juntos.”

“Resgatar? O quê?”, Helena perguntou, confusa.

“Eu não sei ainda. Mas você disse que há segredos que podem me prejudicar. Que segredos são esses, Helena?”

Helena hesitou. Ela sabia que precisava contar tudo a Miguel. Mas reviver aquela época, confrontar a verdade brutal, era algo que a apavorava.

“Antônio… ele era um homem perigoso, Miguel. Ele estava envolvido em negócios escusos. E eu acredito que ele guardava provas. Provas que poderiam arruiná-lo. Eu… eu acho que ele as escondeu na Mansão Azul.”

Miguel a olhou com atenção, uma nova preocupação em seus olhos. “E por que você acha que isso me prejudicaria?”

“Porque… porque você e Antônio éramos rivais nos negócios. E se essas provas o incriminassem, e se elas chegassem às mãos erradas… você seria o único a ter a ganhar. Ele deve ter pensado nisso. Talvez ele tenha deixado algo para te incriminar também, caso algo acontecesse com ele.” Helena sentiu um calafrio. A ideia de estar no meio de uma guerra antiga entre dois homens poderosos a aterrorizava.

Miguel ficou em silêncio por um longo momento, pensativo. O sol começava a se pôr, lançando longas sombras sobre a cidade.

“Então”, ele finalmente disse, o olhar fixo em um ponto distante. “Precisamos ir até a Mansão Azul. Precisamos descobrir o que Antônio deixou lá.”

Helena o encarou, o medo ainda presente, mas agora misturado a uma nova determinação. Ela não podia mais fugir de seu passado. E se o seu futuro estava com Miguel, ela precisava confrontar os fantasmas que os assombravam, juntos. A Mansão Azul, antes um símbolo de dor, agora se tornava o palco para a verdade, para a redenção, e talvez, para a consolidação do amor que transcendia o tempo e as mágoas.

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