Cap. 2 / 17

Amor Proibido

Capítulo 2 — O Refúgio e os Fantasmas do Passado

por Valentina Oliveira

Capítulo 2 — O Refúgio e os Fantasmas do Passado

O hotel era tão discreto quanto prometeram. Um edifício antigo, com uma fachada charmosa e um hall de entrada que exalava um ar de sofisticação discreta. Leonardo cuidou de tudo, desde o registro até a entrega de uma chave em um envelope de couro preto. Isabella, ainda atordoada, seguiu-o até um quarto espaçoso, decorado com tons neutros e uma vista panorâmica da cidade, que agora, com a chuva diminuindo, começava a mostrar seus contornos iluminados.

"Tome um banho quente", Leonardo disse, parando na porta. "Tem toalhas limpas e alguns produtos que pedi para trazerem. Vou esperar aqui fora. Se precisar de qualquer coisa, me chame."

Ele não a pressionou, não fez perguntas. Apenas ofereceu um refúgio e um momento de paz. Isabella observou-o sair, a silhueta alta desaparecendo no corredor. Sozinha no quarto, ela se permitiu finalmente desabar. Sentou-se na beira da cama macia, as mãos tremendo. A força que ela pensava ter acumulado se esvaiu como areia entre os dedos. As lágrimas voltaram, agora acompanhadas de um soluço profundo, a dor de tudo que a havia levado àquela situação transbordando.

Ela se levantou e foi até o banheiro. A água quente era um bálsamo para sua pele fria e sua alma atormentada. Enquanto a água escorria, ela olhava seu reflexo no espelho embaçado. Quem era aquela mulher fragilizada? Onde estava a Isabella forte e determinada que ela costumava ser? A vida, cruel e implacável, havia arrancado pedaços de sua essência, deixando apenas as cicatrizes.

Após o banho, vestiu uma camisola de algodão que encontrou em uma gaveta. Estava impecavelmente limpa, mas não era dela. Sentiu-se como uma intrusa em sua própria pele. A noite avançava, e a fome começava a apertar, mas o pensamento de comer, de qualquer coisa, a deixava enjoada.

Decidiu sentar-se à janela, observar a cidade adormecida. A chuva havia cessado, mas o ar ainda estava carregado de umidade e do cheiro de terra molhada. Salvador, em sua beleza noturna, parecia um cenário de filme, mas para Isabella, era apenas o palco de sua própria tragédia. Ela pensava em tudo que havia perdido: seu emprego, seu apartamento, seu noivo. E tudo por causa de uma mentira, uma traição que a havia deixado sem chão.

Leonardo voltou a bater na porta, desta vez com mais delicadeza. "Senhorita Costa? Posso entrar?"

Isabella respirou fundo e abriu a porta. Ele estava ali, parado com um sorriso gentil, segurando uma bandeja com dois pratos de comida e duas taças de vinho.

"Não sabia o que você gostaria, então pedi um pouco de tudo. Risotos, saladas, alguns frutos do mar. E um vinho leve."

Eles se sentaram à pequena mesa da sala, e o silêncio, agora menos tenso, se instalou entre eles. Isabella pegou um pedaço de pão, hesitando.

"Obrigada, Sr. Almeida. O senhor não precisava se incomodar tanto."

"Leonardo", ele corrigiu suavemente. "E o incômodo é meu, se não comer. Sua saúde é importante." Ele fez uma pausa, seus olhos azuis fixos nos dela, transmitindo uma sinceridade que a desarmava. "O que aconteceu, Isabella?"

A pergunta, tão direta, a pegou de surpresa. Ela sabia que ele não era obrigado a se importar, mas sua gentileza a encorajou. Olhou para ele, para o homem que a salvara da chuva, e sentiu uma necessidade avassaladora de desabafar. As palavras começaram a sair, primeiro hesitantes, depois com mais fluidez, a dor se transformando em um rio de confissões.

Ela contou sobre seu noivo, Miguel, um homem charmoso e ambicioso que parecia ser o parceiro perfeito. Contou sobre os planos de casamento, a casa que estavam comprando, a vida que imaginavam construir juntos. E então, contou sobre a descoberta devastadora: Miguel estava envolvido em um esquema financeiro fraudulento, e ela, inocentemente, havia sido usada como fachada. O escândalo veio à tona, sua reputação foi arruinada, seu noivo desapareceu, deixando-a sozinha para arcar com as consequências.

Enquanto falava, Leonardo a ouvia atentamente, sem interromper, seus olhos transmitindo uma compreensão profunda. Ele não ofereceu clichês vazios, nem julgamentos. Apenas a presença sólida e acolhedora.

"É muito doloroso descobrir que as pessoas que amamos são capazes de nos trair de forma tão cruel", ele disse, a voz baixa e empática. "Mas isso não define quem você é, Isabella. A força está em se reerguer."

"É fácil falar de se reerguer quando se tem um império", Isabella retrucou, um tom de amargura em sua voz. "Para mim, tudo desmoronou. Não tenho dinheiro, não tenho para onde ir, e minha reputação está destruída."

Leonardo serviu mais vinho em sua taça. "Dinheiro e impérios vêm e vão. A reputação, quando construída sobre a verdade, é inabalável. E você, Isabella, parece ter uma verdade que ninguém pode apagar." Ele fez uma pausa, seus olhos escrutinando-a. "Eu também conheço os fantasmas do passado. E sei o quão difícil é enfrentá-los. Por isso, quero lhe oferecer minha ajuda. Não como um salvador, mas como alguém que entende a luta."

O que ele propunha era ousado. Ele a conhecia há poucas horas, mas oferecia apoio incondicional. Isabella o olhou, tentando decifrar suas intenções. Havia algo nele que a atraía, uma profundidade que a intrigava.

"Por que o senhor faria isso?", ela perguntou, a voz cheia de desconfiança.

Leonardo sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos, mas que parecia carregar um peso de experiências passadas. "Talvez porque eu acredite que todos merecem uma segunda chance. E talvez porque eu veja algo em você que me lembra… alguém." Ele desviou o olhar por um instante, como se lutasse com uma lembrança. "Amanhã, quando o sol nascer, vamos pensar em um plano. Agora, você precisa descansar."

Ele se levantou, pegou a bandeja e a levou para a cozinha. Isabella o observou, o coração ainda acelerado. A gentileza dele era reconfortante, mas a intensidade em seu olhar a deixava inquieta. Ele era um homem poderoso, cercado de mistérios. E ela, uma mulher em pedaços, estava sendo envolvida por ele de uma forma que a assustava e a fascinava.

Naquela noite, Isabella dormiu pela primeira vez em dias. O sono foi profundo, embalado pela segurança temporária que Leonardo oferecia. No entanto, os sonhos eram inquietos, povoados por imagens de Miguel e pela figura enigmática de Leonardo. Ela sabia que o refúgio era apenas temporário, e que a verdadeira batalha estava prestes a começar. A chuva havia parado, mas a tempestade em sua vida estava longe de terminar. E o encontro com Leonardo Almeida, naquele dia fatídico, era apenas o prelúdio de um amor proibido que prometia ser tão arriscado quanto fascinante.

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