Cap. 11 / 25

Amor Clandestino

Amor Clandestino

por Isabela Santos

Amor Clandestino

Por Isabela Santos

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Capítulo 11 — O Voo da Borboleta Rouca

A noite caía sobre o Rio de Janeiro como um manto escuro, tingido pelas luzes neon que brotavam das janelas dos prédios imponentes. Nas ruas, o burburinho da cidade que nunca dormia parecia um coral distante, abafado pela tensão que pairava no ar do apartamento de Helena. Ela olhava pela janela, a silhueta da Guanabara recortada contra um céu de um azul profundo, mas seus olhos não viam a beleza paisagística. Viam o reflexo de uma mulher dividida, presa em um labirinto de sentimentos tão complexos quanto as vielas de Santa Teresa.

O cheiro de café recém-passado pairava no ar, misturando-se ao perfume discreto de jasmim que emanava da pele de Helena. O celular em sua mão parecia um peso insuportável. Havia uma mensagem não lida de Arthur, um simples "Tenho algo para te contar" que ecoava em sua mente como um trovão silencioso. Arthur. O homem que um dia foi o sol em seu céu, agora parecia uma estrela cadente, uma promessa de fogo que ela temia queimar tudo ao seu redor.

O som do interfone a sobressaltou, fazendo-a dar um pulo. Era ele. Sem hesitar, apertou o botão. A voz grave e familiar soou pelo alto-falante, rouca de algo que ela não conseguia decifrar. "Helena? Sou eu."

Ela engoliu em seco. "Pode subir, Arthur."

Cada degrau que ele subia parecia uma eternidade. O coração de Helena batia descompassado, um tambor tribal anunciando uma tempestade iminente. Ela se virou do vidro, buscando um refúgio no sofá de veludo cor de vinho, suas mãos apertando a almofada como se nela buscasse algum tipo de ancoragem. A porta se abriu e Arthur surgiu no batente, seus olhos azuis, antes tão límpidos, agora carregavam um rastro de melancolia e decisão. Ele vestia um blazer escuro sobre uma camisa de linho, um visual que sempre a desarma.

"Você veio", disse Helena, a voz um sussurro quase inaudível.

Arthur fechou a porta suavemente atrás de si, o som ecoando no silêncio tenso. Ele caminhou até ela, seus passos firmes, mas hesitantes. "Eu disse que viria." Ele parou a uma distância respeitosa, mas a eletricidade entre eles era palpável, como um fio invisível esticado ao máximo. "Helena, eu... eu preciso te falar a verdade."

A verdade. A palavra flutuou no ar como uma pena ao vento, carregando consigo a fragilidade de um segredo. Helena assentiu, seus olhos fixos nos dele, implorando por clareza. "Eu sei. E espero por ela há muito tempo."

Arthur respirou fundo, a cada inspiração parecendo arrancar um pedaço de sua alma. "Eu não sou quem você pensa que eu sou, Helena. Ou melhor, eu não sou mais. A vida... as escolhas que fiz me levaram por um caminho diferente do que imaginávamos." Ele fez uma pausa, seus olhos procurando os dela em busca de compreensão, mas encontrando apenas uma mistura de dor e curiosidade. "Eu me envolvi com outras pessoas. Pessoas que não devia. E isso... isso me afastou de você."

As palavras de Arthur caíram sobre Helena como pedras. Ela sentiu um aperto no peito, uma dor aguda que irradiava para todos os cantos de seu ser. Ela esperava a verdade, mas a verdade, em sua forma crua, era mais cruel do que a imaginação. "Com outras pessoas?", repetiu ela, a voz embargada. "Você está falando de Clara?"

Arthur desviou o olhar por um instante, um lampejo de culpa atravessando seu rosto. "Clara foi um erro. Um erro que me custou caro. Mas não foi só ela. Houve outras... momentos em que a fraqueza falou mais alto. E eu me perdi."

Lágrimas silenciosas começaram a rolar pelo rosto de Helena, traçando caminhos de dor em sua pele. Ela se levantou, dando um passo para trás, como se as palavras dele fossem veneno. "Perdeu-se? Arthur, você não se perdeu. Você me traiu. Você mentiu para mim. Para nós." A voz dela ganhava força, a dor transformando-se em um furacão de emoções. "Eu te amei, Arthur. Amei com todas as minhas forças. E você... você brincou com isso. Comigo."

"Eu nunca brinquei com você, Helena!", Arthur exclamou, sua voz embargada pela emoção. Ele deu um passo em sua direção, as mãos estendidas, mas parou no ar, temendo a reação dela. "Eu estava perdido. Confuso. A pressão, as expectativas... eu me senti sufocado. E em vez de falar com você, de buscar em você a força que eu precisava, eu fui fraco. Eu te afastei para me proteger, para me esconder, e acabei te machucando mais."

"Proteger?", Helena riu, uma risada amarga e sem alegria. "Você achou que me protegeria me traindo? Me deixando acreditar em uma mentira enquanto você vivia outra vida?" Ela balançou a cabeça, o desespero tomando conta de sua voz. "Eu não te reconheço mais, Arthur. O homem que eu amei, o homem em quem eu confiava... ele não teria feito isso."

"Ele ainda está aqui, Helena!", Arthur implorou, seus olhos azuis marejados. "Ele só... se perdeu no caminho. Mas eu te amo. Eu sempre te amei. E o que eu fiz... foi um reflexo da minha própria dor, da minha insegurança. Eu não queria te perder. Eu só... não sabia como manter você perto sem te machucar, e no final, acabei fazendo exatamente o contrário."

Helena fechou os olhos, tentando afastar a imagem dele, o homem que ela idealizou, o homem que se tornou um estranho. "O amor não trai, Arthur. O amor não mente. O amor constrói, não destrói. E o que você fez... destruiu tudo." Ela abriu os olhos, um brilho de determinação surgindo neles, apesar das lágrimas. "Eu não posso. Eu não consigo mais. O que tivemos... já se foi. E eu preciso seguir em frente."

Arthur sentiu um aperto no estômago, um nó na garganta que o impedia de falar. A realidade de suas palavras o atingiu com força total. "Helena, por favor... não diga isso. Dê-me uma chance. Uma chance para provar que eu posso ser o homem que você merece. Que eu posso reconstruir o que eu quebrei."

Ela deu um passo para mais perto, seus olhos encontrando os dele com uma intensidade que o desarmou. "Arthur, eu te amei mais do que a mim mesma. Eu te dei meu coração, minha alma. E você o quebrou em mil pedaços. Eu não sei se meu coração tem força para se curar de uma ferida tão profunda. Eu preciso de tempo. Tempo para pensar. Tempo para respirar. Longe de você."

Ela se virou, dando as costas para ele, e caminhou até a janela novamente, a paisagem da cidade parecendo um borrão em sua visão. Arthur a observou por um longo momento, a dor estampada em seu rosto. Ele sabia que ela estava certa. Ele a havia machucado profundamente.

"Eu entendo", disse ele, a voz baixa e carregada de resignação. Ele se virou, caminhando em direção à porta. "Mas saiba, Helena, que eu nunca deixei de te amar. E se um dia você decidir que há espaço em seu coração para o perdão... eu estarei aqui."

Ele abriu a porta e saiu, fechando-a suavemente atrás de si. Helena permaneceu imóvel, o som da porta se fechando ecoando em seu coração. As lágrimas agora corriam livremente, o peso de seus sentimentos esmagando-a. Ela fechou os olhos, sentindo o vazio que Arthur deixara, um vazio que ela precisaria preencher com sua própria força. O voo da borboleta em seu peito, antes vibrante e cheio de esperança, agora parecia rouco, ferido, mas ainda assim, lutando para encontrar o caminho de volta para a luz.

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