Cap. 13 / 25

Amor Clandestino

Capítulo 13 — A Noite em que as Máscaras Caíram

por Isabela Santos

Capítulo 13 — A Noite em que as Máscaras Caíram

O apartamento de Helena, antes um santuário de paz, agora parecia um cenário de desgraça. As caixas de memórias espalhadas pelo chão, as fotos antigas jogadas desordenadamente, tudo ecoava a tempestade que se abatera sobre sua vida. As palavras de Clara, venenosas e calculistas, ainda ressoavam em sua mente, cada sílaba um prego cravado em seu coração. Arthur e Clara. A imagem, antes uma possibilidade distante, agora ganhava contornos vívidos e dolorosos em sua imaginação.

Ela se levantou bruscamente, a necessidade de fuga pulsando em suas veias. Precisava de ar, de um lugar onde pudesse pensar sem ser sufocada pela dor. Agarrou a bolsa, ignorando o celular que tocava insistentemente no sofá. Sabia que era Arthur. Sabia que ele tentaria se explicar, talvez culpar Clara, talvez implorar por perdão. Mas Helena não estava pronta para ouvir. Não ainda.

Saiu para a noite carioca, o ar fresco da madrugada trazendo um alívio momentâneo. Caminhou pelas ruas desertas, a luz fraca dos postes projetando sombras longas e distorcidas. A cidade, que antes a envolvia em seu abraço vibrante, agora parecia um labirinto sombrio, cada esquina escondendo um novo fantasma de seu passado.

Seu destino a levou sem que ela percebesse, até a porta de um bar discreto em Lapa, um lugar que ela e Arthur frequentavam nos primeiros anos de namoro. A música baixa e o cheiro de uísque pairando no ar a transportaram para um tempo mais simples, um tempo antes das mentiras e da dor. Ela entrou, buscando um refúgio na penumbra.

Sentou-se em um dos bancos altos do balcão, pedindo uma taça de vinho tinto, sem realmente querer bebê-lo. Observou os poucos frequentadores, casais sussurrando em mesas isoladas, grupos de amigos rindo em um canto. A normalidade daquele lugar parecia um insulto à sua própria vida.

Foi então que ela o viu. Arthur. Sentado em uma mesa no fundo do bar, sozinho, com o rosto escondido entre as mãos. Seu corpo parecia desolado, um poço de tristeza. Helena sentiu um misto de raiva e pena. A imagem da foto antiga, a confissão de Clara, tudo se misturou em um turbilhão de emoções.

Por um instante, ela pensou em ir embora, em evitar o confronto. Mas algo a prendeu ali. A necessidade de ver a verdade em seus olhos. Ela se levantou e caminhou até a mesa dele, o som de seus passos ecoando no silêncio entre eles.

Arthur levantou a cabeça, seus olhos azuis arregalados de surpresa e, talvez, um pouco de pânico. Ele parecia ainda mais abatido do que ela imaginava. "Helena...", ele murmurou, a voz embargada.

Ela se sentou na cadeira à sua frente, a taça de vinho esquecida em sua mão. "Não precisa fingir surpresa, Arthur. Eu sei que você está aqui."

Ele engoliu em seco, o olhar fixo no dela, buscando alguma brecha, alguma esperança. "Eu não queria que você me visse assim."

"E como você queria que eu o visse, Arthur? Com Clara? Sorrindo para ela enquanto mentia para mim?" A voz de Helena era firme, mas um tremor percorria suas palavras.

Arthur desviou o olhar, a vergonha estampada em seu rosto. "Helena, por favor... me deixe explicar."

"Explicar o quê, Arthur? Que você me traiu? Que você amou outra mulher enquanto dizia me amar? Clara já me contou o suficiente."

O rosto de Arthur se contraiu de dor. "Clara... aquela víbora. Ela está mentindo. Ou melhor, ela está contando a versão dela da história, a versão que a beneficia." Ele estendeu a mão sobre a mesa, mas Helena recuou. "Helena, eu nunca amei Clara. Nunca. Ela sempre foi uma sombra, uma obsessão dela, não minha."

"Mas a foto, Arthur. E o que ela disse sobre você procurar nela o que não encontrava em mim..." A voz de Helena vacilou, a dor voltando com força total.

"A foto... foi um erro. Um erro estúpido. Eu estava bêbado, confuso. Ela me assediou naquela noite. Me agarrou. E eu... eu fui fraco. Eu deveria ter a afastado, mas... naquela época, eu estava no fundo do poço. As pressões do trabalho, a incerteza sobre o nosso futuro... eu me senti um fracassado." Arthur respirou fundo, suas mãos apertando a mesa. "Clara sempre foi manipuladora. Ela sabia dos meus medos, das minhas inseguranças. E ela os usou contra mim."

"Mas ela disse que você a procurou. Que você precisava dela." Helena o encarava, buscando a verdade em seus olhos.

"Ela está mentindo, Helena! Ela sempre quis nos separar. Ela sempre teve inveja do nosso amor. O que aconteceu naquela noite foi um deslize, um momento de fraqueza que eu me arrependo amargamente. Mas eu nunca a amei. Eu só amei e amo você." Arthur se inclinou para frente, seus olhos azuis suplicantes. "Eu cometi erros terríveis, Helena. Eu te machuquei de formas que não consigo descrever. Mas eu nunca te traí no sentido que você está pensando. O meu coração sempre foi seu."

Helena o observou, a incerteza dançando em seus olhos. A confissão de Arthur, a forma como ele a olhava, a dor genuína em sua voz... tudo indicava que havia verdade em suas palavras. Mas a imagem de Clara em seus braços, a sombra da traição, era difícil de apagar.

"E por que você não me contou antes, Arthur? Por que me deixou viver nessa mentira?"

"Eu tive medo", admitiu ele, a voz embargada. "Medo de te perder. Medo de que você me odiasse. E quando Clara começou a espalhar os rumores, eu pensei que seria melhor deixar para lá. Que a verdade só traria mais dor. Foi um erro. Um erro colossal."

Ele pegou a mão dela, que estava sobre a mesa. Helena não a retirou. A pele dele estava fria, mas a conexão era inegável. "Eu te amo, Helena. Mais do que tudo. O que eu sinto por você é o que me mantém vivo. O que eu fiz foi uma consequência da minha própria fraqueza, não da falta de amor por você."

Helena olhou para as mãos entrelaçadas, o toque dele enviando um arrepio por seu corpo. As lágrimas voltaram, mas desta vez eram lágrimas de alívio, de esperança, e de uma dor ainda presente. "Arthur, você me causou tanta dor... tanta confusão."

"Eu sei", ele sussurrou. "E eu carregarei essa culpa para sempre. Mas eu quero consertar, Helena. Eu quero te mostrar que eu posso ser o homem que você merece. Que nosso amor pode ser mais forte que tudo isso."

Helena retirou a mão, mas não com repulsa. Era um gesto de reflexão. "Eu não sei, Arthur. Eu não sei se consigo. Você me destruiu."

"Eu sei. Mas talvez... talvez um dia você possa me ajudar a me reconstruir. E juntos, possamos reconstruir o que tivemos. Eu estou disposto a fazer o que for preciso, Helena. O que for preciso para ter você de volta."

A noite em Lapa, antes um refúgio, agora era um palco onde as máscaras haviam caído. A verdade, por mais dolorosa que fosse, havia sido revelada. Helena olhou para Arthur, vendo nele o homem que ela amou, o homem que a machucou, e o homem que, talvez, pudesse curá-la. A borboleta em seu peito, ferida e rouca, sentiu um leve bater de asas, um fio de esperança surgindo na escuridão. Mas a cura seria longa, e o caminho, incerto.

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