O Ladrão do meu Coração 151

Capítulo 12 — A Sombra de um Passado Violento

por Camila Costa

Capítulo 12 — A Sombra de um Passado Violento

Os dias que se seguiram ao turbilhão de revelações de Rafael foram permeados por uma tensão palpável. Clara sentia a mudança no ar, como se o peso do segredo de Rafael pairasse entre eles, um espectador silencioso em sua intimidade. Ela o amava com uma intensidade que a assustava e a fascinava, e a ideia de que ele pudesse estar em perigo, ou que ela pudesse se tornar um peão em seu passado sombrio, apertava seu peito.

Rafael, por sua vez, parecia mais introspectivo. Ele a amava com uma devoção feroz, mas a sombra daquele homem perigoso e dos atos que ele foi forçado a cometer pareciam estar sempre à espreita. Ele a protegia com um zelo quase sufocante, e cada vez que eles saíam juntos, Clara sentia seus olhos vasculhando a multidão, a postura tensa, o corpo em alerta constante.

Numa tarde ensolarada de sábado, enquanto caminhavam de mãos dadas pela orla, o vento salgado soprando em seus cabelos, Clara decidiu que não podia mais viver com essa incerteza.

"Rafael," ela disse, parando e se virando para encará-lo. O sol brilhava em seus cabelos escuros, realçando o brilho em seus olhos cor de âmbar. "Precisamos conversar sobre isso. Não podemos viver nessa constante apreensão. Eu preciso entender melhor o que aconteceu. Quem é esse homem?"

Rafael suspirou, o peso do mundo em seus ombros. Ele a puxou para um banco de madeira à beira-mar, sentando-se ao lado dela. O som das ondas quebrando suavemente na areia era um bálsamo para a alma inquieta de Clara.

"Não há muito mais que eu possa te dizer sem colocar você em risco maior," ele começou, a voz baixa e ponderada. "O nome dele não importa. O que importa é que ele é implacável. Um homem que construiu seu império sobre a dor e a ruína de outros. Eu fui um deles. E eu não fui apenas um deles, eu me tornei seu algoz."

Clara sentiu um arrepio. "Você… você o machucou?"

Ele assentiu lentamente, o olhar fixo no horizonte azul. "Eu tive que fazer isso. Para proteger alguém que eu amava. Alguém que ele estava destruindo. Foi um momento de desespero, Clara. Uma escolha impossível. Eu tive que me tornar mais cruel do que ele para poder vencê-lo. E eu venci. Mas não sem custo. A violência que eu usei… ela mudou algo em mim. E ele… ele nunca esqueceu. Ele é um fantasma que me assombra, esperando o momento certo para cobrar seu preço."

Ela o observou, a expressão de dor e determinação em seu rosto. Era difícil conciliar a imagem do homem gentil e apaixonado que ela amava com a de um homem capaz de tal violência. Mas ela sabia que o amor dele por ela era real, e que essa escuridão em seu passado o moldara, mas não o definia completamente.

"E como ele pode te prejudicar agora?", ela perguntou, a voz firme, apesar do nó em sua garganta. "Ele quer se vingar de você?"

"Não apenas de mim," Rafael respondeu, virando-se para ela, o olhar intenso. "Ele sabe que eu encontrei paz. Ele sabe que eu encontrei você. E para ele, destruir o que me faz feliz é a vingança perfeita. Ele me tirou tudo uma vez, Clara. E ele não hesitará em tentar tirar você de mim, se isso significar me ver sofrer."

Clara sentiu um frio na espinha. A ameaça era clara e aterradora. Ela não era uma mulher frágil, acostumada a ser protegida. Ela era uma artista, uma mulher com sua própria força e resiliência. Mas a ideia de ser alvo de alguém tão perigoso por causa de Rafael, por causa do amor deles, era algo que a deixava apreensiva.

"Eu não sou uma vítima, Rafael," ela disse, pegando suas mãos novamente. "Eu sou sua parceira. E se esse homem te quer, ele terá que me enfrentar. Eu não vou viver com medo. E não vou deixar que você carregue esse fardo sozinho."

Ele apertou suas mãos com força, um gesto de gratidão e alívio. "Eu sei, meu amor. E é por isso que eu me apaixonei por você. Pela sua força, pela sua coragem. Mas a realidade, Clara, é que esse homem é perigoso. E eu não posso arriscar nada que te aconteça."

"Mas viver assim, com medo, escondendo-se, não é viver," ela rebateu, a voz um pouco mais alta. "Você tem que parar de fugir. Você precisa enfrentar essa sombra. E eu estarei ao seu lado, em cada passo."

Um sorriso triste surgiu nos lábios de Rafael. "Você é incrível, Clara. E talvez você tenha razão. Talvez seja hora de parar de apenas reagir e começar a agir. Mas isso exigirá um plano. E exigirá que você confie em mim, mesmo quando as coisas ficarem mais obscuras."

Naquela noite, de volta ao luxuoso apartamento, a atmosfera estava carregada de uma determinação silenciosa. Rafael sentou-se com Clara na sala de estar, as luzes baixas criando um ambiente íntimo, mas também um pouco sombrio. Ele explicou com mais detalhes a natureza do homem que os ameaçava, as conexões que ele possuía, o alcance de sua influência.

"Ele opera nas sombras, Clara," Rafael disse, a voz grave. "Ele manipula pessoas, corrompe instituições. Ele é como um vírus, se espalhando pela sociedade sem que muitos percebam. O que eu fiz foi atingi-lo em sua fonte, em seus negócios. E ele nunca me perdoou por isso. Agora, ele busca uma vingança pessoal. E para ele, a vingança mais doce é tirar de mim a única coisa que me trouxe de volta à vida."

Clara o ouvia atentamente, a mente correndo a mil por hora. Ela sabia que Rafael era um homem inteligente e astuto. Se ele estava planejando algo, seria algo meticuloso e estratégico.

"E qual é o seu plano, Rafael?", ela perguntou, sua voz surpreendentemente calma.

Ele a olhou, seus olhos âmbar brilhando com uma mistura de apreensão e confiança. "Eu vou desmantelar o que resta do império dele. Mas desta vez, eu vou fazer isso de forma que ele não possa se recuperar. Eu vou expor a verdade sobre ele. E vou garantir que ele não possa mais machucar ninguém."

"E como eu me encaixo nisso?", Clara perguntou, o coração apertando.

"Você não se encaixa diretamente nos meus planos de contra-ataque," Rafael explicou. "Seu papel é o mais importante de todos: ficar segura. E se ele tentar se aproximar de você, você precisa me avisar imediatamente. Eu contratei segurança discreta para a sua casa e para seus deslocamentos, mas você não pode baixar a guarda, Clara. Jamais."

A menção de seguranças adicionais, de uma ameaça real e iminente, fez a realidade da situação pesar sobre Clara. Ela não era uma garota ingênua que se assustava facilmente, mas a crueldade implacável descrita por Rafael a deixava apreensiva.

"Eu confio em você, Rafael," Clara disse, estendendo a mão para tocar seu rosto. "Eu confio em você mais do que em qualquer outra pessoa. Mas eu não quero viver na escuridão. Eu quero viver ao seu lado, na luz. E se esse homem te trouxe para a escuridão, então nós vamos enfrentar essa escuridão juntos. E vamos sair dela mais fortes."

Rafael segurou a mão dela, os dedos entrelaçados, um pacto silencioso selado. Ele a puxou para perto, o abraço forte, reconfortante. Clara sentiu o calor dele, o cheiro de seu perfume, a batida ritmada de seu coração. Naquele momento, ela sabia que sua decisão estava tomada. Ela amava Rafael, e estava disposta a enfrentar qualquer coisa ao lado dele. A sombra do passado de Rafael era real, e seus tentáculos ameaçavam alcançá-los, mas a força do amor deles, ela esperava, seria um escudo contra a escuridão.

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