O Ladrão do meu Coração 151

Capítulo 22 — O Chamado da Selva e o Rastro das Joias

por Camila Costa

Capítulo 22 — O Chamado da Selva e o Rastro das Joias

A noite caiu sobre a floresta como um manto de veludo escuro, pontilhado por estrelas frias e indiferentes. Na cabana, a luz fraca de uma lamparina lançava sombras dançantes sobre os rostos de Clara e Rafael. O ar estava carregado de uma tensão palpável, uma mistura de medo, determinação e um amor que se afirmava contra todas as adversidades. Clara, sentada à mesa de madeira rústica, observava Rafael desenrolar um mapa antigo, suas feições marcadas pela concentração. Ele traçava rotas com um pedaço de carvão, seus movimentos precisos e calculados, como um cirurgião prestes a realizar uma operação delicada.

“Este é o ponto,” ele disse, apontando para uma marca em relevo no mapa. “Uma antiga gruta, escondida por uma cachoeira. Meu pai a usava para guardar os itens mais… valiosos. E mais perigosos.”

Clara se aproximou, seus olhos percorrendo as linhas sinuosas do mapa. A floresta ao redor da cabana parecia inofensiva durante o dia, mas sob o véu da noite, ela ganhava contornos sinistros, um labirinto de segredos e perigos. “Uma gruta? Como você sabe que as joias estão lá?”

Rafael ergueu o olhar, um brilho intenso em seus olhos. “Meu pai me deixou um diário codificado. Um enigma em cada página. Este… este é o último enigma que eu precisava decifrar. Ele descreve a localização exata. Um lugar de águas cristalinas que escondem segredos ancestrais.”

“E você acha que as joias ainda estão lá?” A voz de Clara era um misto de esperança e apreensão.

“Tenho quase certeza. Ele era metódico. E não confiava em ninguém além de mim para guardar seu legado. Mas o problema não é apenas chegar lá. É sair de lá.” Ele suspirou, a testa franzida. “Eles sabem que eu estou perto. Tenho sentido a presença deles nas últimas horas. Como se a própria floresta estivesse observando cada passo meu.”

Clara sentiu um calafrio percorrer sua espinha. A sensação de ser observada era real, uma presença sutil, mas ameaçadora. Ela olhou para a janela, para a escuridão impenetrável que envolvia a cabana.

“Quem são eles, Rafael? Digo, mais especificamente. Você mencionou credores, gente perigosa…”

“São o que chamamos de ‘A Irmandade dos Sete’. Uma organização antiga, que lida com o tráfico de antiguidades e joias de origem duvidosa. Meu pai fez negócios com eles por anos. E as joias que ele roubou… elas faziam parte do acervo de colecionadores ricos, muitos deles ligados a essa Irmandade. Eles não aceitam dívidas não pagas, Clara. E quando um devedor morre, eles vão atrás dos herdeiros. E eu sou o herdeiro.”

A gravidade das palavras de Rafael a atingiu em cheio. Não era um simples caso de cobrança de dívidas, mas sim um jogo perigoso com uma organização implacável.

“Eles sabem que você tem o diário? Que você está atrás das joias?”

“Eles suspeitam. Eu fiz questão de deixar alguns rastros falsos, mas sei que eles são espertos. Por isso precisamos ser rápidos. E discretos.” Ele fechou o mapa, seus olhos encontrando os dela com uma determinação feroz. “Eu vou. Agora. Enquanto a noite ainda nos oferece cobertura.”

Clara se levantou de um salto, o coração disparado. “Não! Você não vai sozinho!”

Rafael a segurou pelos braços, seus olhos suplicantes. “Clara, por favor. É muito perigoso. Você não tem ideia do que pode acontecer.”

“Eu sei que você é o homem que eu amo!” Ela o encarou, a voz firme, apesar do tremor em suas mãos. “E eu não vou te deixar ir para um lugar que pode ser uma armadilha mortal sem mim. Se você tem que ser um ladrão para sobreviver, então eu preciso aprender a ser a sua guardiã. Eu fico com você.”

Ele a olhou, a força dela o desarmando. Havia uma decisão inabalável em seus olhos que ele não podia ignorar. Um sorriso relutante surgiu em seus lábios. “Você é teimosa, sabia?”

“E você é um ladrão que precisa de ajuda,” ela rebateu, um pequeno sorriso surgindo em seus próprios lábios.

Rafael suspirou, resignado, mas um calor invadiu seu peito ao ver a devoção dela. “Tudo bem. Mas você vai seguir minhas ordens à risca. Sem questionar. Sem improvisar. Estamos entendidos?”

“Entendidos,” ela concordou, sentindo uma onda de adrenalina percorrer seu corpo.

Ele pegou uma mochila surrada e começou a encher com alguns suprimentos: uma lanterna, um canivete suíço, um pequeno kit de primeiros socorros, e uma garrafa de água. Clara observava cada movimento, absorvendo a urgência da situação. Ele tirou de uma gaveta uma pequena pistola, que ela não tinha visto antes. O coração dela deu um salto.

“Você… vai usar isso?”

“Espero que não,” ele respondeu, o tom grave. “Mas é melhor ter e não precisar, do que precisar e não ter.” Ele guardou a arma em um coldre discreto sob a jaqueta.

Ao saírem da cabana, o ar frio da noite os envolveu. A floresta parecia ainda mais densa e misteriosa sob a luz fraca da lua. Rafael, com a agilidade de um felino, avançava entre as árvores, seus passos quase inaudíveis. Clara o seguia de perto, tentando imitar seus movimentos, mas a ansiedade a fazia tropeçar nas raízes expostas e nos galhos baixos.

“Cuidado, Clara,” ele sussurrou, parando abruptamente e a puxando para trás de uma árvore grossa. “Sinto que não estamos sozinhos.”

Ela prendeu a respiração, seus olhos arregalados na escuridão. Um ruído sutil, um galho quebrando ao longe, confirmou suas suspeitas. Eles não estavam sozinhos. A Irmandade dos Sete estava ali, nas sombras, caçando.

Rafael indicou com um gesto para que ela ficasse imóvel. Ele se moveu com cautela, desaparecendo em meio à vegetação. Clara permaneceu imóvel, o coração batendo descompassado contra as costelas, cada som da floresta amplificado em seus ouvidos. Minutos que pareceram horas se passaram. Então, ela viu. Duas figuras altas e sombrias, vestidas de preto, emergiram da escuridão, movendo-se com uma eficiência silenciosa e ameaçadora. Eles pareciam rastrear algo, seus olhos vasculhando a vegetação.

Rafael reapareceu, tão silenciosamente quanto sumiu, ao lado dela. Ele a puxou para um movimento rápido, desviando para um caminho diferente, mais denso e acidentado. A adrenalina a impulsionou, fazendo-a ignorar a dor nos músculos e o cansaço. Eles corriam, se esgueiravam, se escondiam, guiados pela intuição e pelo conhecimento de Rafael sobre a floresta.

“Eles estão perto,” ele sussurrou, ofegante. “Estão rastreando o meu cheiro.”

“O que faremos?” Clara perguntou, a voz falhando.

“Precisamos chegar à cachoeira antes deles. É o nosso único ponto de vantagem.”

O som crescente de água correndo se tornou audível, um prenúncio da cachoeira que guardava os segredos de seu passado. Rafael acelerou o passo, sua urgência contagiando Clara. Finalmente, eles emergiram em uma clareira, e diante deles, uma cortina de água prateada despencava de um rochedo imponente, emoldurada pela vegetação luxuriante. A força da queda d'água criava uma névoa fina que se espalhava pelo ar.

“É aqui,” Rafael disse, seus olhos brilhando com uma mistura de alívio e apreensão. Ele apontou para uma pequena fenda escondida atrás da cortina d’água. “A entrada da gruta.”

Enquanto se preparavam para atravessar a água gelada, um grito ecoou na floresta. “Parados! Mãos ao alto!”

As duas figuras sombrias surgiram na clareira, suas silhuetas recortadas contra a luz difusa da lua. Um deles ergueu uma arma, apontada diretamente para eles. O jogo havia chegado ao seu clímax, e o refúgio se transformara em uma armadilha.

Rafael empurrou Clara para trás de uma rocha grande, protegendo-a com seu corpo. “Fique aqui! Não se mexa!”

Ele sacou a pistola, seus olhos fixos nos homens. O som da cachoeira parecia abafar o barulho do seu próprio coração. Ele era um ladrão, sim, mas naquele momento, ele era também um protetor, disposto a tudo para defender a mulher que amava. O rastro das joias os havia levado até ali, à beira de um confronto inevitável, onde o destino deles seria selado pela força, pela coragem e pelo amor que os unia. A noite na selva havia apenas começado, e a luta pela sobrevivência seria tão feroz quanto a própria natureza que os cercava.

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