Amar foi meu Erro 153

Romance: Amar foi meu Erro 153

por Camila Costa

Romance: Amar foi meu Erro 153 Gênero: Romance Romântico Autor: Camila Costa

Capítulo 1 — O Sussurro da Tempestade

O sol escaldante do Rio de Janeiro, implacável em sua fúria de verão, beijava a pele de Isabella como um amante impaciente, mas ela sentia um frio que nada tinha a ver com a brisa marinha que teimava em acariciar os coqueiros da orla. Sentada em um dos bancos desgastados pelo tempo na Praia de Ipanema, com o olhar perdido na imensidão azul que se fundia com o céu, Isabella sentia o peso de mil e uma lembranças desabarem sobre ela. A areia, antes um convite à alegria, agora parecia um manto sufocante, e o barulho das ondas, um lamento eterno.

"Isabella!", uma voz familiar, mas ao mesmo tempo estranha, a tirou de seus devaneios. Era Sofia, sua amiga de infância, com aquele sorriso largo que sempre iluminou os dias de ambas. Sofia se aproximou, seus cabelos escuros balançando ao vento, e sentou-se ao lado de Isabella, um leve ar de preocupação em seus olhos castanhos.

"Você sumiu, amiga. Fiquei te ligando o dia todo. Aconteceu alguma coisa?", Sofia perguntou, a voz carregada de afeto.

Isabella suspirou, um som rouco que parecia arranhar sua garganta. "Nada, Sofi. Só... pensando."

"Pensando em quê, hein? Em como aquele seu ex-namorado, o tal Ricardo, é um babaca completo? Porque se for, eu concordo plenamente. Ele te merecia menos que nada." Sofia disse, com a veemência que só uma amiga verdadeira possuía.

Um sorriso melancólico surgiu nos lábios de Isabella. Ricardo. O nome ecoava em sua mente como um sino fúnebre. Ricardo, o homem que ela amou com a força de um furacão, o homem que a fez acreditar em contos de fadas, o homem que, no fim das contas, a deixou com as ruínas de um coração partido.

"Não, Sofi. Não é sobre o Ricardo. Pelo menos, não diretamente." Isabella apertou as mãos, os nós dos dedos brancos. Ela sentia a necessidade de desabafar, de jogar para fora a angústia que a consumia, mas as palavras pareciam presas em sua garganta, como um nó impossível de desatar.

Sofia percebeu a hesitação e pegou a mão de Isabella entre as suas. "Isabella, você sabe que pode me contar tudo. Somos irmãs de alma, lembra? O que te aflige tanto?"

O olhar de Isabella se fixou em um ponto distante, além das águas, como se buscasse uma resposta nas profundezas do oceano. "É sobre o passado, Sofi. Um passado que eu achava que tinha enterrado, mas que insiste em me assombrar."

Um silêncio confortável pairou entre elas por alguns instantes, apenas quebrado pelo som ritmado das ondas. Sofia esperou pacientemente, sabendo que sua amiga precisava de tempo para organizar os pensamentos.

"Lembra daquela viagem que fizemos para a Bahia, quando tínhamos dezesseis anos?", Isabella começou, a voz baixa e embargada.

Sofia assentiu, um brilho nostálgico em seus olhos. "Claro que lembro! A gente se escondeu dos nossos pais, pegou um ônibus escondido, e fomos pra Salvador. Foi a maior aventura da nossa vida!"

"Sim, a maior aventura...", Isabella repetiu, com um tom que soava mais como um presságio do que como uma lembrança feliz. "Naquela época, eu conheci um rapaz. O nome dele era Léo."

Os olhos de Sofia se arregalaram levemente. Ela não se lembrava de Isabella ter mencionado um Léo em Salvador. "Um rapaz? E quem era ele?"

"Ele era... diferente, Sofi. Tinha um olhar que parecia enxergar a alma da gente. Um sorriso que desarmava qualquer defesa. Ele trabalhava em uma barraca de acarajé na praia. A gente passou dias juntos, conversando, rindo, sonhando..." Isabella fechou os olhos por um instante, revivendo aqueles momentos como se fossem ontem. O cheiro do dendê, o som do berimbau, a pele bronzeada de Léo, o calor da Bahia...

"E você se apaixonou, né?", Sofia perguntou, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ela sabia que Isabella tinha um coração romântico e que se entregava de corpo e alma aos seus sentimentos.

"Apaixonei?", Isabella riu sem humor. "Eu me perdi, Sofi. Me perdi naquele amor que parecia eterno. Ele me prometeu um futuro, jurou que voltaria para mim. Mas... ele sumiu."

As palavras saíram em um sopro, carregadas de dor e resignação. Sofia apertou a mão de Isabella com mais força, sentindo a angústia que emanava dela.

"Sumido? Como assim, sumido? Ele te deixou em Salvador e nunca mais apareceu?", Sofia questionou, incrédula.

Isabella assentiu, as lágrimas agora escorrendo livremente por seu rosto. "Ele disse que precisava resolver uns assuntos na cidade dele, que voltaria em uma semana. Eu esperei. Esperei por ele na praia todos os dias, com o coração disparado a cada vulto que se aproximava. Mas ele nunca veio."

"Que covarde!", Sofia exclamou, indignada. "Como ele pôde fazer isso com você? Você era tão jovem, tão inocente..."

"Eu era uma menina, Sofi. Uma menina que acreditou em cada palavra, em cada juramento. Eu o amava tanto... e quando ele sumiu, eu pensei que meu mundo tinha acabado." Isabella fungou, tentando conter as lágrimas, mas elas pareciam uma corrente que não parava de jorrar.

"E você nunca mais o viu?", Sofia perguntou, com a voz embargada pela emoção.

"Nunca mais.", Isabella sussurrou. "Voltei para o Rio com o coração em pedaços, prometendo a mim mesma que nunca mais me entregaria a um homem daquela forma. E eu tentei, Sofi. Juro que tentei. Mas então, Ricardo apareceu..."

Sofia suspirou. "Ah, o Ricardo... Aquele que te tratou como um objeto e te dispensou como se você fosse nada."

"Ele me fez acreditar que podia ser feliz de novo.", Isabella confessou, a voz embargada pela dor. "Mas o passado, Sofi... ele tem um jeito cruel de nos alcançar. E eu acho que o meu passado, o Léo, está voltando."

Um arrepio percorreu a espinha de Sofia. "Voltando? Como assim? Você o viu de novo?"

Isabella assentiu lentamente, os olhos marejados fixos em Sofia. "Ontem à noite. No evento da galeria do meu pai. Ele estava lá. Mais velho, mais maduro, mas era ele. O mesmo olhar, o mesmo sorriso que me tirou o fôlego há tantos anos."

O silêncio caiu sobre elas novamente, carregado de surpresa e apreensão. A brisa do mar parecia ter cessado, e o sol, antes tão quente, agora parecia emitir uma luz fria e distante. A tempestade, que Isabella sentia borbulhar dentro de si, parecia estar se aproximando, ameaçando engolir tudo em seu caminho. Ela sabia que seu passado, o amor que ela tentou enterrar, estava prestes a colidir com seu presente, e o medo a tomou conta. O que seria dela agora? Como ela lidaria com o retorno do homem que a fez sofrer tanto, mas que, por um breve e intenso período, foi seu tudo?

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