Amar foi meu Erro 153

Capítulo 12 — A Sombra de Clara e a Nova Tática

por Camila Costa

Capítulo 12 — A Sombra de Clara e a Nova Tática

Os dias que se seguiram foram de uma tensão palpável. Sofia se movia pela casa como um fantasma, os olhos fixos em um ponto distante, a mente mergulhada em um turbilhão de pensamentos. Miguel tentava se aproximar, oferecia palavras de carinho, demonstrava seu amor com gestos que antes a fariam derreter. Mas Sofia estava blindada, uma fortaleza erguida a partir de suas próprias inseguranças e da dor da traição da confiança.

Ela não o rejeitava abertamente, mas o afastamento era sutil e implacável. Um toque de mão evitado, um abraço mais curto, um olhar que se desviada. Cada movimento dela era um reflexo de sua luta interna: o desejo de acreditar em Miguel, de se entregar novamente ao amor que sentia, contra a voz insistente da dúvida que sussurrava em seu ouvido.

Clara, por sua vez, parecia se deleitar na desgraça alheia. Ela se mantinha à distância, observando os desdobramentos com um sorriso dissimulado. Seus planos haviam sido executados com maestria. A verdade, distorcida e manipulada, havia sido apresentada a Sofia de forma a inflamar suas inseguranças e ferir seu orgulho. A vingança, lenta e calculista, ganhava contornos reais.

Em um dia particularmente cinzento, enquanto Sofia tentava encontrar um pouco de paz no jardim, a campainha tocou. Era Clara. Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que a aparição de Clara em sua casa, naquele momento, não era um acaso.

Com o coração batendo descompassado, Sofia foi atender. Clara estava na porta, um sorriso falsamente amigável no rosto, segurando uma cesta de frutas exóticas. A elegância fria que a caracterizava era evidente em cada detalhe, desde o corte impecável de seu vestido até o brilho calculado em seus olhos.

"Sofia, querida. Como você está?", Clara perguntou, a voz doce como mel, mas com um toque de acidez que Sofia agora percebia com clareza.

Sofia a encarou, a mágoa ainda presente, mas uma nova determinação começando a florescer. "Clara. O que você quer aqui?"

"Eu estava passando por perto e pensei em trazer um agrado. Sei que os últimos dias têm sido difíceis para você. Pensei que um pouco de vitamina extra seria bom." Clara estendeu a cesta, o sorriso inabalável.

Sofia hesitou, mas pegou a cesta. A mera presença de Clara em sua casa era invasiva, uma afronta. "Eu não preciso da sua pena, Clara."

"Oh, não é pena, querida. É... preocupação. Eu vi o quanto você ama o Miguel. E eu sei que ele a ama também. É por isso que eu me sinto na obrigação de… alertá-la."

Sofia apertou a cesta com força, os nós dos dedos ficando brancos. "Alertar-me sobre o quê?"

Clara deu um passo à frente, diminuindo a distância entre elas, mas mantendo uma aura de distanciamento calculista. Seus olhos escuros brilhavam com uma malícia contida. "Sobre a verdade. Sobre quem o Miguel realmente é. Você acha que ele te contou tudo? Acha que essa história que ele te contou sobre aquela noite é a única coisa que você precisa saber?"

"Miguel me contou a verdade, Clara. Ele admitiu que esteve lá com você. E eu acredito nele." Sofia tentava soar firme, mas a dúvida ainda se aninhava em seu peito.

Clara soltou uma risada baixa, um som que parecia raspar em Sofia. "Acredita nele? Oh, Sofia. Tão ingênua. Miguel é um homem com muitos segredos. E essa história que ele te contou... é apenas a ponta do iceberg. Ele nunca te contou sobre as outras vezes, não é? Sobre como ele sempre voltava para mim, mesmo quando jurava que não."

As palavras de Clara atingiram Sofia como um raio. Inúmeras vezes? Outras vezes? A mente de Sofia começou a revirar lembranças, procurando por pistas, por sinais que ela havia ignorado. O nervosismo de Miguel em algumas situações, a forma como ele às vezes se tornava evasivo quando o assunto de seu passado surgia. Ela havia descartado tudo como insegurança de sua parte, um medo de perdê-lo. Agora, as palavras de Clara pintavam um quadro diferente, mais sombrio.

"Isso é mentira", Sofia disse, mas sua voz não transmitia convicção.

"É mentira?", Clara questionou, inclinando a cabeça. "Por que você acha que eu não me importo em te contar isso, Sofia? Porque eu quero que você saiba a verdade. Eu não quero que você seja enganada. Miguel sempre foi um homem de muitas mulheres. Ele pode amar você agora, mas quem garante que ele não vai se cansar e procurar outra? Ou, pior, voltar para alguém que ele já conhece tão bem quanto a mim?"

O veneno de Clara estava agindo. Sofia sentiu um nó se formar em sua garganta. Ela se lembrou da conversa com a mãe de Miguel, da preocupação velada em seus olhos. "Não se entregue de corpo e alma, Sofia. O Miguel tem um passado complicado."

"Você está tentando me manipular, Clara. Você quer nos ver separados", Sofia disse, tentando se recompor.

"Eu quero que você seja feliz, Sofia. E a felicidade não se constrói sobre mentiras. Pense bem. Por que ele mentiria para você sobre algo tão importante? Por que ele hesitaria tanto em falar sobre o passado, se não fosse para esconder mais e mais coisas? Ele te ama, sim. Mas ele ama a si mesmo mais. E ele tem medo de te perder, não porque te ama mais do que tudo, mas porque você é conveniente. Porque você lhe dá estabilidade."

As palavras de Clara eram cuidadosamente escolhidas, habilmente tecidas para explorar as inseguranças de Sofia. Ela não estava mais atacando Miguel diretamente, mas sim minando a base de seu relacionamento com Sofia, plantando sementes de dúvida sobre o caráter dele e a profundidade de seus sentimentos.

"Eu não acredito em você", Sofia repetiu, mas a convicção em sua voz estava diminuindo.

Clara deu um sorriso triste. "Eu esperava que você dissesse isso. Mas eu só queria te dar a chance de ver as coisas com clareza. Pense nisso, Sofia. Pense em todas as vezes que ele foi evasivo. Pense nas contradições. E, se você quiser saber a verdade completa, a verdade que o Miguel tem tanto medo que você descubra... me procure. Eu estarei aqui para você."

Com essas palavras, Clara se afastou, um último olhar penetrante em direção a Sofia. Ela havia plantado a nova tática, mais sutil e perigosa do que a anterior. Não era mais apenas sobre o passado, mas sobre a construção de um futuro incerto, de um Miguel que Sofia não podia mais ter certeza de conhecer.

Sofia ficou parada na porta, a cesta de frutas esquecida em suas mãos. O sol, que tentava romper as nuvens, parecia agora um mero reflexo pálido da tempestade que se formava em sua alma. As palavras de Clara ecoavam em sua mente, cada uma delas um golpe certeiro em sua confiança. O abismo que se abriu entre ela e Miguel não estava mais apenas no passado, mas se estendia sombrio e ameaçador para o futuro. A sombra de Clara havia se alongado, e agora parecia envolver tudo o que ela mais amava.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%