Amar foi meu Erro 153
Capítulo 19 — O Confronto de Clara e a Fuga da Verdade
por Camila Costa
Capítulo 19 — O Confronto de Clara e a Fuga da Verdade
O ar na mansão dos Vasconcelos estava pesado, carregado com a tensão que pairava entre Clara e Ricardo. A confrontação que Helena e Arthur planejaram, envolvendo a revelação das manipulações de Ricardo, ainda não havia acontecido. Mas a pressão que Ricardo exercia sobre Clara, o jogo psicológico que ele a submetia, estava a levando ao limite. Clara sentia a teia de mentiras se fechando ao seu redor, as noites de insônia e a ansiedade constante corroendo sua sanidade.
Naquela noite, enquanto Ricardo jantava com convidados importantes para os negócios, Clara sentiu um impulso irresistível de confrontá-lo. A imagem do diário de Helena, que ela havia conseguido ver e folhear rapidamente durante uma visita à mansão, a assombrava. As anotações de sua mãe, a revelação da crueldade de Ricardo, a necessidade de proteger Helena, tudo se misturava em sua mente. Ela não podia mais ser uma cúmplice silenciosa.
Com o coração disparado, Clara se dirigiu ao escritório de Ricardo, onde ele se retirara para uma conversa privada com um de seus sócios. A porta estava entreaberta, e ela pôde ouvir fragmentos da conversa, palavras sobre investimentos, lucros e estratégias de mercado que soavam vazias e cruéis. Ela sabia que Ricardo estava manipulando a todos, inclusive ela.
Respirando fundo, Clara empurrou a porta e entrou no escritório. A conversa cessou imediatamente. O sócio de Ricardo a encarou com surpresa, enquanto Ricardo se virou para ela, a expressão fria e calculista.
— O que você está fazendo aqui, Clara? — Ricardo perguntou, a voz baixa e ameaçadora. — Eu disse que estava ocupado.
— Eu preciso falar com você. Agora. — Clara disse, a voz tremendo, mas com uma firmeza que a surpreendeu.
O sócio de Ricardo, percebendo a tensão, se desculpou e saiu, deixando-os sozinhos. Clara sentiu o peso do olhar de Ricardo sobre ela, um olhar que a desnudava, que a fazia se sentir pequena e vulnerável.
— Falar sobre o quê, Clara? — Ricardo se aproximou dela, o sorriso irônico no rosto. — Sobre como você está sendo uma péssima anfitriã? Ou sobre como você anda distraída ultimamente?
— Eu sei o que você fez, Ricardo. — Clara disse, a voz ganhando força. — Eu sei sobre os desvios de dinheiro. Eu sei que você usou o nome da minha mãe para te ajudar em seus planos. E eu sei que você está me usando.
Ricardo parou, o sorriso desaparecendo. Seus olhos se tornaram gélidos, e um lampejo de raiva cruzou seu rosto. — Você não sabe de nada, Clara. Você está delirando.
— Não, eu não estou! — Clara insistiu, o corpo tremendo de raiva e medo. Ela pegou um pequeno caderno da bolsa, um caderno que ela havia escondido, contendo anotações e comprovantes que ela havia conseguido reunir. — Eu tenho provas, Ricardo. Provas de tudo o que você fez.
Ricardo pegou o caderno de suas mãos com uma rapidez surpreendente. Seus olhos percorreram as páginas, e um ódio puro emanou dele. — Você acha que pode me desafiar, Clara? Você, que é tão fraca e tão dependente?
— Eu não sou mais fraca, Ricardo. — Clara disse, sentindo uma força que ela não sabia que possuía. — Você me machucou, me humilhou, mas você não me quebrou. E eu não vou deixar você continuar destruindo a vida das pessoas.
Ricardo a agarrou pelo braço, a força em seus dedos apertando com violência. — Você vai se arrepender disso, Clara. Você vai se arrepender de ter cruzado o meu caminho.
Clara se debateu, o pânico tomando conta dela. Ela sabia que estava em perigo. A frieza nos olhos de Ricardo não era mais uma máscara, era a sua verdadeira face. Ele era um monstro, e ela, em sua busca por verdade, havia se tornado sua presa.
— Me solta, Ricardo! — ela gritou, mas ele a ignorou.
— Você acha que pode me deter? — ele rosnou, aproximando o rosto do dela. — Você é apenas uma boneca quebrada que eu posso consertar ou quebrar mais ainda.
Nesse momento, Helena e Arthur, que haviam se infiltrado na mansão com o objetivo de encontrar Clara e confrontar Ricardo, chegaram à porta do escritório. Eles ouviram os gritos de Clara e a voz ameaçadora de Ricardo. A cena que presenciaram foi chocante.
— Ricardo, solta ela! — Helena gritou, entrando no escritório com Arthur ao seu lado.
Ricardo se virou, surpreso. A aparição deles o pegou de surpresa. Ele soltou Clara, que cambaleou para trás, tremendo.
— Vocês não deviam estar aqui. — Ricardo disse, a voz perigosamente calma.
— Nós viemos buscar Clara. E expor todas as suas mentiras. — Arthur disse, colocando um braço protetor em volta de Clara.
Ricardo riu, um riso amargo e frio. — Vocês acham que podem me vencer? Eu sou Ricardo Vasconcelos. Eu controlo tudo.
— Você não controla nada. — Helena disse, com os olhos fixos nos dele. — A verdade vai vir à tona, Ricardo. E você vai pagar por tudo o que fez.
Ricardo, percebendo que estava em desvantagem, lançou um olhar de ódio para Clara. — Isso não acabou, Clara. Você vai se arrepender.
Com um último olhar de desprezo, Ricardo se virou e saiu do escritório, deixando Clara, Helena e Arthur sozinhos no silêncio tenso. Clara, ainda tremendo, abraçou Arthur, buscando refúgio em seus braços. Helena a olhou com compaixão, sabendo que a batalha ainda estava longe de terminar. A fuga de Clara da verdade de Ricardo havia sido dolorosa, mas a força que ela encontrou em si mesma, e o apoio de Helena e Arthur, a impulsionariam a seguir em frente.