Amar foi meu Erro 153

Capítulo 3 — Sombras do Passado, Fogo no Presente

por Camila Costa

Capítulo 3 — Sombras do Passado, Fogo no Presente

O dia amanheceu com o céu lavado, como se a chuva da noite tivesse levado consigo as mágoas e os resquícios da tempestade que se anunciara. No entanto, para Isabella, o sol radiante do Rio de Janeiro parecia zombador, incapaz de dissipar a névoa densa de confusão e ansiedade que a envolvia. A noite anterior, com o reencontro inesperado e perturbador com Léo, havia deixado marcas profundas em sua alma.

Enquanto preparava o café da manhã, suas mãos tremiam levemente. O aroma do pão fresco e do café recém-coado, antes reconfortante, agora parecia invadir seus sentidos com uma força avassaladora, despertando memórias de tempos mais simples, de um amor inocente e de uma dor que ela julgava adormecida. Léo. O nome ecoava em sua mente, implacável. O fotógrafo. O homem que ela amou e que a abandonou sem explicações.

"Bom dia, meu amor!", Arthur Silveira, seu pai, adentrou a cozinha com seu habitual bom humor matinal, um jornal dobrado sob o braço e um sorriso caloroso. Arthur era um homem de alma leve, um artista em sua essência, mas que sempre soube a importância de manter os pés no chão, especialmente quando se tratava da felicidade de sua única filha.

"Bom dia, pai.", Isabella respondeu, tentando transmitir uma normalidade que não sentia. Ela sabia que Arthur não gostava de vê-la sofrendo, e a ideia de contar a ele sobre Léo a deixava apreensiva. Ele havia sido bastante protetor após o término com Ricardo, e Isabella não queria que seu pai se preocupasse ainda mais.

Arthur serviu-se de uma xícara de café e sentou-se à mesa, abrindo o jornal. "Impressionante a repercussão do evento ontem. A nova exposição está sendo um sucesso estrondoso. E você, minha querida, estava radiante. Conheceu alguém interessante?", ele perguntou, com um brilho travesso nos olhos.

Isabella sentiu o rosto esquentar. "Não, pai. Apenas os convidados de sempre." Era uma meia verdade. Ela conheceu alguém, mas "interessante" não era a palavra que descrevia a turbulência que ele causara em seu interior.

Arthur riu. "Ah, você e seu jeito discreto. Mas vi que você conversou com aquele rapaz bonito, o que o Sr. Valente trouxe. Quem era ele?"

O coração de Isabella deu um salto. "Ah, ele... ele é um antigo amigo da família. Léo." A mentira sobre o "antigo amigo" agora parecia uma bola de neve crescendo a cada repetição.

Arthur franziu a testa levemente. "Léo? Não me lembro de nenhum Léo na família. Ele é amigo de quem?"

Isabella respirou fundo. Era agora ou nunca. "Ele é... ele era um amigo meu de infância, pai. De uma viagem que fiz quando era adolescente. Ele está morando no Rio agora, e trabalha com fotografia." Ela tentou soar o mais casual possível, mas a tensão em sua voz era palpável.

Arthur a observou por um instante, seus olhos perspicazes buscando por alguma pista nas feições de sua filha. Ele sabia que Isabella era reservada, mas também sentia quando algo a afligia. "Entendo. E parece que vocês tiveram bastante para conversar."

"Não tanto assim, pai. Foi apenas um encontro casual." Isabella se apressou em afirmar, sentindo a necessidade de minimizar a situação.

Arthur assentiu, mas um leve vinco de preocupação permaneceu em sua testa. Ele conhecia a história de Isabella com Ricardo, e a ideia de que ela pudesse se envolver em algo novo, especialmente com alguém que parecia ter um passado misterioso, o deixava apreensivo.

Naquela tarde, enquanto se dedicava a organizar os catálogos da nova exposição, Isabella sentiu o celular vibrar em seu bolso. Era uma mensagem de Sofia: "Precisamos conversar. Pessoalmente. Sobre o Léo. Hoje à noite?"

Um arrepio percorreu sua espinha. Sofia, com sua intuição aguçada, já devia ter percebido a profundidade do impacto que Léo causara em Isabella. "Sim. Na cafeteria de sempre. 19h.", ela respondeu.

A cafeteria, um refúgio charmoso e acolhedor no coração de Copacabana, tornou-se o palco de mais uma conversa confidencial. Sofia já a esperava em uma mesa no canto, um sorriso ansioso em seu rosto.

"Então?", Sofia começou assim que Isabella se sentou. "Me conta tudo. Aquele Léo da Bahia... ele realmente é ele?"

Isabella assentiu, a voz embargada. "É ele, Sofi. O mesmo Léo."

"E o que ele disse? O que ele quer?", Sofia perguntou, seus olhos fixos em Isabella, buscando cada detalhe.

"Ele disse que está morando no Rio agora, que trabalha com fotografia. Que meu pai o convidou para expor na galeria.", Isabella relatou, sentindo o peso da mentira aumentar a cada palavra. Ela não havia contado ao pai toda a verdade sobre a relação com Léo, e agora sentia-se presa em sua própria teia de omissões.

Sofia franziu a testa. "Seu pai o convidou? Mas você disse que ele era um antigo amigo da família..."

"Eu... eu não queria preocupar o meu pai. Ele sabe o quanto eu sofri por causa do Ricardo. E o Léo... ele é parte de um passado que eu tentei esquecer." Isabella confessou, sentindo as lágrimas brotarem em seus olhos.

"Amiga, você não pode mais fugir do seu passado. E se ele voltou, é por algum motivo.", Sofia disse, com a voz suave. "Você o amou muito, não foi?"

Isabella assentiu, um soluço escapando. "Eu o amei mais do que a mim mesma. Ele era tudo para mim. E quando ele sumiu, eu me senti perdida. Eu nunca mais consegui amar alguém daquela forma. Até o Ricardo aparecer..."

"O Ricardo foi um erro.", Sofia interrompeu, com firmeza. "Mas esse Léo... ele te deixou um vazio, não foi? Um vazio que você nunca preencheu."

"Sim.", Isabella sussurrou. "E agora que ele voltou... eu não sei o que fazer. Sinto um medo terrível, mas... ao mesmo tempo... uma faísca. Uma faísca que eu pensei que tivesse se extinguido para sempre."

"É normal sentir isso, Isa. Ele foi seu primeiro amor, a sua primeira grande paixão. E ele te marcou profundamente." Sofia segurou a mão de Isabella. "Mas você precisa ter cuidado. As pessoas mudam, e as intenções também. Ele te abandonou uma vez. E se ele estiver aqui por interesse?"

A ideia de interesse, de que Léo pudesse estar ali apenas para se aproveitar da influência de seu pai ou da sua própria posição social, a fez tremer. Ela já havia sido ferida uma vez. A possibilidade de ser ferida novamente, e de forma tão cruel, era insuportável.

"Eu não quero pensar nisso, Sofi.", Isabella disse, a voz trêmula. "Eu só quero entender por que ele voltou. Por que agora."

"E você vai descobrir.", Sofia assegurou. "Mas você precisa estar preparada para qualquer coisa. Para o melhor e para o pior."

Enquanto conversavam, a porta da cafeteria se abriu, e o sino tocou, anunciando a chegada de um novo cliente. Isabella levantou o olhar, e seu coração parou. Era Léo. Ele estava ali, parado na entrada, seus olhos buscando por ela na penumbra da cafeteria.

Ele a viu. Seus olhos se fixaram nos dela, e um leve sorriso surgiu em seus lábios. Ele começou a caminhar em direção à mesa delas, e Isabella sentiu o sangue gelar. O passado, que ela tentava desesperadamente enterrar, estava ali, a poucos metros de distância, e parecia ter um plano cruel para atormentá-la.

"Oh, não...", Isabella murmurou, sentindo o pânico tomar conta.

Sofia a olhou, percebendo a reação de Isabella. "Ele está vindo. Respire fundo."

Léo parou ao lado da mesa delas. Seu olhar passou de Isabella para Sofia, e um leve aceno de cabeça foi o seu cumprimento. "Olá", ele disse, sua voz calma, mas carregada de uma intensidade que fez Isabella sentir um arrepio percorrer seu corpo.

"Olá, Léo.", Sofia respondeu, tentando soar o mais natural possível.

"Eu vi você aqui de longe, Isabella.", Léo disse, direcionando seu olhar para ela. "Pensei que seria uma boa oportunidade para termos uma conversa mais... sincera."

Isabella sentiu o olhar de Sofia sobre ela, um misto de encorajamento e preocupação. Ela sabia que não podia mais fugir. Aquele encontro era inevitável. O fogo do presente estava prestes a incendiar as sombras do passado, e Isabella sabia que, quer quisesse ou não, estava no centro daquela conflagração. Ela apenas esperava ter forças para não se queimar.

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