Amar foi meu Erro 153

Capítulo 4 — A Proposta e a Dúvida

por Camila Costa

Capítulo 4 — A Proposta e a Dúvida

A tensão na pequena mesa da cafeteria era palpável. Léo, parado ao lado de Isabella, emanava uma aura de calma calculada que contrastava com o turbilhão de emoções que Isabella sentia. Sofia, percebendo a apreensão da amiga, tentava manter a compostura, mas seus olhos denunciavam sua curiosidade e preocupação.

"Uma conversa sincera?", Isabella repetiu, a voz um pouco mais firme do que ela esperava. Era um desafio velado, uma tentativa de retomar o controle de uma situação que a assustava profundamente.

Léo sorriu, um sorriso que parecia genuíno, mas que Isabella não conseguia decifrar. "Sim, Isabella. Sincera. Há muitas coisas que precisam ser ditas depois de tantos anos."

Ele se aproximou e, para a surpresa de Isabella, sentou-se na cadeira vaga ao lado dela, de frente para Sofia. O gesto era audacioso, uma invasão do espaço que, até então, era apenas de Isabella e sua melhor amiga.

"Léo, eu não sei se este é o momento...", Isabella começou, tentando soar educada, mas firme.

"Ou talvez seja o momento perfeito.", Léo a interrompeu, sua voz suave, mas com uma determinação que a fez hesitar. "Eu vi você ontem à noite, Isabella. E algo em mim me disse que eu não poderia mais adiar isso."

Sofia observava a troca de olhares entre eles, a intensidade contida nas palavras de Léo. Ela sentia que estava em meio a um drama que ia muito além de um simples reencontro.

"Você voltou para o Rio. Para expor na galeria do meu pai.", Isabella afirmou, como se estivesse tentando processar a informação, mas também como uma forma de retomar o controle da narrativa.

"Exatamente.", Léo confirmou. "Seu pai me convidou para apresentar meu portfólio. E eu aceitei. É uma grande oportunidade." Ele fez uma pausa, seus olhos fixos em Isabella. "Mas confesso que a possibilidade de te reencontrar aqui foi um fator decisivo."

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A sinceridade em sua voz era perturbadora. Seria possível que ele realmente sentisse algo por ela? Ou era apenas uma estratégia calculada?

"Você não me procurou na Bahia, Léo.", Isabella disse, a mágoa ressurgindo em sua voz. "Você sumiu. E eu esperei. Por muito tempo."

O olhar de Léo suavizou, uma sombra de dor passando por seus olhos. "Eu sei, Isabella. E eu sinto muito por isso. Naquela época, eu era apenas um garoto assustado, com problemas que eu não sabia como resolver. Minha vida era uma bagunça, e eu achei que te afastar seria o melhor para nós dois. Um erro estúpido, eu sei."

"Um erro estúpido que me fez sofrer por anos.", Isabella retrucou, a voz embargada.

"Eu imagino.", Léo admitiu, sua voz baixa. "E por isso, eu sinto a sua dor. Eu também sofri, Isabella. Viver sem você foi como viver sem um pedaço da minha alma. Mas eu precisava de tempo. Tempo para me encontrar, tempo para me tornar o homem que eu achava que você merecia."

Ele estendeu a mão sobre a mesa, como se quisesse tocar a dela, mas hesitou no último instante. Isabella observou o gesto, sentindo um misto de repulsa e uma estranha atração.

"E você acha que se tornou esse homem?", Isabella perguntou, a dúvida em sua voz era evidente.

"Eu espero que sim.", Léo respondeu, um leve sorriso voltando aos seus lábios. "Eu trabalhei muito. Me dediquei à fotografia, que é algo que sempre amei. E agora, tenho a chance de mostrar o meu trabalho para o mundo. E para você."

Ele tirou uma pasta elegante de couro de sua bolsa, que estava apoiada na cadeira ao lado. "Eu gostaria de te mostrar o que tenho feito."

Isabella hesitou. A ideia de ver as fotografias dele, de se reconectar com aquele lado dele que ela tanto admirava, era tentadora. Mas o medo de se iludir novamente era maior.

"Não sei se é uma boa ideia, Léo.", ela disse, olhando para Sofia em busca de apoio.

Sofia assentiu, um sinal silencioso de que Isabella deveria se proteger.

"Por que não?", Léo insistiu, com uma serenidade que a desarmava. "Eu não quero nada além de uma chance. Uma chance de te mostrar que eu mudei, que eu valorizo o que tivemos, e que talvez... talvez possamos ter algo novamente."

As palavras dele a atingiram em cheio. "Algo novamente?". Era uma proposta, um convite para revisitar um passado que ela tentou apagar.

"Eu não sei se isso é possível, Léo.", Isabella disse, a voz embargada. "Você me machucou muito. E eu construí uma nova vida, com novas regras."

"Eu sei que você construiu sua vida, Isabella. E eu não quero destruí-la. Quero fazer parte dela.", Léo declarou, seus olhos fixos nos dela. "Olha, eu sei que parece precipitado, mas eu tenho uma proposta. Seu pai me convidou para expor. Que tal se eu te dedicasse uma das minhas fotografias? Uma foto especial, que eu fiz pensando em você, em nós. E você... você pode decidir se a quer ou não."

Isabella ficou em silêncio, processando a proposta. Era arriscada, era imprudente, mas também era... intrigante. A ideia de ver uma foto feita para ela, uma imagem que ele criou pensando em seu amor perdido, era tentadora.

"Uma foto?", ela perguntou, a curiosidade superando o medo por um instante.

"Uma única foto. Um símbolo do que eu sinto, do que eu espero. Se você gostar, se você sentir algo ao vê-la, talvez possamos conversar mais. Se não, eu prometo que desapareço de novo, sem mais explicações. Para sempre." Léo disse, sua voz carregada de sinceridade e uma pontada de desespero.

Isabella olhou para Sofia, que lhe deu um leve aceno de cabeça, um misto de apreensão e encorajamento. Era um risco, sim, mas talvez fosse a única maneira de obter as respostas que ela buscava.

"Tudo bem, Léo.", Isabella disse, sua voz firme. "Aceito. Me mostre essa foto."

Um sorriso genuíno iluminou o rosto de Léo. Ele abriu a pasta com mais cuidado, suas mãos movendo-se com reverência. Ele tirou uma única fotografia, emoldurada em um passe-partout simples e elegante.

A imagem era deslumbrante. Um pôr do sol vibrante sobre o mar da Bahia, as cores alaranjadas e rosadas refletindo na água calma. Mas o que chamou a atenção de Isabella foram os detalhes. No canto inferior direito da foto, escondida discretamente entre as pedras da praia, havia uma pequena flor silvestre, um toque de cor vibrante em meio à imensidão. Era a mesma flor que ela costumava usar nos cabelos naquela época.

Isabella pegou a foto, suas mãos tremendo. Ela sentiu uma onda de emoção a invadir. Aquele pôr do sol, as cores, a flor... era tudo uma lembrança vívida da Bahia, dos dias que passaram juntos, dos sonhos que compartilharam.

"É... é linda, Léo.", ela sussurrou, a voz embargada.

"Ela é para você, Isabella.", Léo disse, seus olhos fixos nos dela. "Para você se lembrar. E para eu me lembrar que vale a pena lutar por nós."

Isabella olhou para a foto, para as cores vibrantes que pareciam trazer a Bahia de volta à vida. Ela sentiu um aperto no peito, uma mistura de saudade, dor e uma esperança teimosa que ela pensava ter enterrado para sempre. A dúvida ainda estava ali, mas agora, pela primeira vez em muito tempo, ela sentia um pequeno raio de luz atravessando a escuridão. Seria possível que Léo tivesse mudado? Seria possível que o amor que eles compartilharam pudesse renascer das cinzas? A foto era um começo, uma promessa, mas Isabella sabia que o caminho à frente seria longo e incerto.

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