Amar foi meu Erro 153

Romance: Amar foi meu Erro 153

por Camila Costa

Romance: Amar foi meu Erro 153

Autor: Camila Costa

Capítulo 6 — O Beijo Roubado Sob a Chuva de Estrelas

A noite caía sobre o Rio de Janeiro com a opulência de um veludo escuro salpicado de diamantes. O céu, antes de um azul deslumbrante, transformava-se em um manto profundo, prometendo a aparição das estrelas que há tanto esperavam o crepúsculo para se revelar. No terraço do luxuoso apartamento de Helena, o ambiente era de uma sofisticação discreta, a música suave e o aroma delicado de jasmim pairando no ar. A festa de lançamento da nova coleção da grife de Helena estava em pleno vapor, um espetáculo de requinte e glamour que atraía a nata da sociedade carioca.

Helena, deslumbrante em um vestido longo de seda cor de esmeralda, sorria e cumprimentava os convidados com a elegância nata de quem nasceu para brilhar. Seus olhos, porém, buscavam incessantemente por um rosto em particular. A proposta de Miguel pairava em sua mente como uma nuvem carregada, misturando a atração irresistível com o medo visceral de se entregar novamente a um abismo de sentimentos que a consumiram no passado. A lembrança do beijo deles, ainda que fugaz, reverberava em sua pele, um eco persistente de uma paixão adormecida.

Miguel, do outro lado do terraço, observava Helena com uma intensidade que beirava a obsessão. A forma como ela se movia, a luz refletindo em seus cabelos negros, o sorriso que iluminava seu rosto – tudo nele a envolvia como um feitiço. A dor da rejeição passada ainda ardia, mas a proximidade, a oportunidade de reescrever o passado, atiçavam uma chama perigosa em seu peito. Ele sabia que não era apenas o desejo que o movia, mas uma necessidade profunda de se reconectar com a mulher que, mesmo através dos anos e do sofrimento, nunca deixara de ocupar um espaço sagrado em seu coração.

"Helena, você está radiante!", a voz melodiosa de Sofia a tirou de seus pensamentos. Sofia, sua melhor amiga e sócia, irradiava confiança, um contraste com a inquietação que Helena tentava disfarçar.

"Sofia, querida! Obrigada. Como estão as vendas? Tudo correndo bem?", Helena respondeu, forçando um sorriso mais largo.

"Um sucesso estrondoso, como sempre! Mas, me diga, você anda distraída hoje. Algo a incomodando?", Sofia perguntou, seus olhos perscrutadores fixos em Helena.

Helena hesitou. Contar a Sofia sobre a proposta de Miguel era arriscar a desaprovação, o julgamento que ela mesma temia. Mas Sofia era sua confidente, a única que verdadeiramente a entendia. "É o Miguel", confessou em um sussurro, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.

Sofia arqueou uma sobrancelha. "Miguel? Aquele que...?" A pergunta ficou suspensa no ar, carregada de memórias não ditas.

"Sim. Ele me fez uma proposta", Helena continuou, a voz embargada. "Uma proposta que... que mexe comigo de uma forma que eu não sei explicar."

Sofia a olhou com uma mistura de preocupação e curiosidade. "Proposta de quê, Helena? Trabalho? Ou algo mais... pessoal?"

"Algo mais pessoal", Helena admitiu, sentindo o rosto corar. "Ele quer que eu... que eu reconsidere tudo entre nós. Que eu dê uma nova chance."

Sofia suspirou, abraçando Helena. "Helena, você sabe o quanto eu te amo e quero o seu bem. Mas aquele homem te causou tanta dor... você tem certeza de que está pronta para isso? Para reviver tudo de novo?"

"Eu não sei, Sofia. É por isso que estou tão confusa. A razão me diz para fugir, para me proteger. Mas o meu coração... ele insiste em lembrar de tudo o que vivemos. E, confesso, a ideia de tê-lo de volta, mesmo que por um breve momento, me seduz."

Enquanto elas conversavam, Miguel se aproximava, um copo de champanhe na mão, seus olhos fixos em Helena. Ele captou a essência da conversa, a hesitação em sua voz, a forma como ela apertava o braço de Sofia. A angústia em seu olhar o fez se aproximar, impulsionado por uma urgência que ele mal compreendia.

"Helena", ele disse, sua voz rouca, interrompendo a conversa.

Helena se virou, o coração disparado. A proximidade dele era eletrizante, cada centímetro de pele parecia vibrar em resposta à sua presença.

"Miguel", ela respondeu, a voz soando mais fraca do que pretendia.

"Perdoe-me por interromper", disse ele, um leve sorriso brincando em seus lábios, mas seus olhos transmitiam uma seriedade que Helena conhecia bem. "Mas eu senti que precisava falar com você. Agora."

Sofia lançou um olhar significativo para Helena, um misto de incentivo e apreensão. Helena assentiu, um gesto quase imperceptível.

"Eu já vou", disse Sofia a Helena. "Mas lembre-se, você não está sozinha nessa. E qualquer decisão que tomar, eu estarei aqui." Ela se afastou, deixando Helena e Miguel sozinhos em meio ao burburinho da festa.

O silêncio que se instalou entre eles era carregado de expectativas. As luzes da cidade, que começavam a se acender ao longe, pareciam distantes, insignificantes diante da tempestade que se formava entre os dois.

"Eu sei que você está confusa", Miguel começou, sua voz um murmúrio que parecia ecoar dentro dela. "E eu não esperava que fosse diferente. O que aconteceu entre nós... foi intenso. E dói."

"Dói ainda mais quando se sabe que a dor pode se repetir", Helena respondeu, sua voz firme, mas com uma melancolia subjacente.

"Eu não estou aqui para te machucar, Helena. Pelo contrário. Eu estou aqui para tentar te reconquistar. Para te mostrar que o homem que te magoou no passado não é o homem que está aqui hoje."

Helena o olhou nos olhos, tentando decifrar a verdade por trás de suas palavras. Havia uma sinceridade que a desarmava, mas o medo, enraizado em anos de decepção, era um muro difícil de transpor.

"Você fala isso agora, Miguel. Mas as palavras são fáceis. E o tempo... o tempo transforma as promessas em cinzas."

"Então deixe-me provar que minhas promessas são de pedra. Deixe-me te mostrar que o meu amor por você é real, é forte o suficiente para superar qualquer obstáculo."

A conversa fluiu, tensa e carregada de emoções. Eles caminharam para um canto mais reservado do terraço, longe dos olhares curiosos, onde a brisa do mar trazia o cheiro salgado e a promessa de um céu ainda mais espetacular.

"Eu lembro daquela noite", Helena sussurrou, sua voz embargada pela lembrança, enquanto olhavam para o céu que começava a se pontilhar de estrelas. "A chuva de estrelas. Você disse que era um sinal."

Miguel a olhou, seus olhos refletindo a luz das estrelas. "E era. Era o sinal de que eu te amava mais do que a tudo no mundo. E ainda amo."

A atmosfera ao redor deles se tornou densa, carregada de uma eletricidade palpável. O passado, com todas as suas feridas, parecia se dissolver diante da intensidade do presente. As palavras se tornaram desnecessárias, substituídas pela linguagem universal do toque e do olhar.

Miguel levou a mão ao rosto de Helena, acariciando sua bochecha com o polegar. O gesto era delicado, mas repleto de uma paixão contida. Helena fechou os olhos, sentindo um arrepio percorrer todo o seu corpo. A resistência em seu peito, que lutava para se manter forte, começou a ceder.

"Helena", ele sussurrou, seu rosto se aproximando do dela.

E então, aconteceu. Em meio à imensidão estrelada, sob a promessa de uma noite que parecia feita sob medida para o romance, Miguel a beijou. Não foi um beijo terno, mas um beijo roubado, carregado de saudade, de desejo, de uma paixão que se recusava a ser silenciada.

Helena, por um instante, hesitou. O medo a puxou de volta, um grito mudo em sua mente. Mas a resposta do seu corpo foi imediata, incontrolável. Ela retribuiu o beijo com a mesma intensidade, suas mãos encontrando o pescoço de Miguel, puxando-o para mais perto.

O mundo ao redor deles desapareceu. Existia apenas o toque de seus lábios, o calor de seus corpos, a fusão de suas almas em um momento que parecia transcender o tempo e o espaço. A chuva de estrelas parecia intensificar-se, como se o próprio universo estivesse testemunhando a explosão de uma paixão renascida.

Quando se afastaram, ambos ofegantes, a respiração entrecortada, seus olhos se encontraram. Havia uma pergunta silenciosa ali, um reconhecimento tácito de que aquele beijo, aquele momento, havia mudado tudo.

"Eu não devia ter feito isso", Miguel sussurrou, sua voz rouca de emoção.

"Mas você fez", Helena respondeu, sua voz um fio.

"E você... você gostou?"

Helena sorriu, um sorriso melancólico e arrebatador. "Amar foi o meu erro. Mas talvez... talvez beijar você de novo não seja."

O olhar de Miguel se suavizou, um brilho de esperança reacendendo-se em seus olhos. Ele sabia que aquele beijo não era o fim, mas o começo de uma nova e perigosa jornada. Uma jornada que ele estava determinado a percorrer, custasse o que custasse.

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