Amar foi meu Erro 153

Capítulo 7 — O Jogo de Sombras e Revelações

por Camila Costa

Capítulo 7 — O Jogo de Sombras e Revelações

A manhã seguinte amanheceu com um sol radiante, mas o brilho que irradiava da festa da noite anterior parecia ter se dissipado, deixando para trás uma névoa de incertezas. Helena acordou com o gosto do beijo de Miguel ainda em seus lábios, uma sensação doce e amarga que a fez hesitar em levantar da cama. A memória daquela noite no terraço, do beijo roubado sob a chuva de estrelas, era um turbilhão de emoções em sua mente. Era a prova viva de que, apesar de todas as suas defesas, apesar de todo o sofrimento, uma parte dela ainda pertencia a ele.

No seu escritório, a atmosfera era de tensão silenciosa. A reunião com os investidores da nova coleção estava marcada para o fim da manhã, e Helena sentia a pressão de cada detalhe. Mas seus pensamentos vagavam, voltando incessantemente para Miguel. A proposta dele, o beijo… Era um jogo perigoso, ela sabia. Um jogo de sombras onde as emoções mais profundas podiam ser tanto o prêmio quanto a ruína.

"Helena, você não pode se dar ao luxo de se distrair agora", Sofia disse, entrando em sua sala com uma pilha de documentos. Sofia era a âncora de Helena em meio à tempestade, sua amiga leal e sua parceira de negócios implacável. "Os investidores estão a caminho, e precisamos estar com tudo em ordem."

"Eu sei, Sofia. Perdão. É só que… a noite de ontem foi… intensa." Helena escolheu as palavras com cuidado, evitando a confissão total.

Sofia lançou-lhe um olhar penetrante. "Intensa de um jeito bom ou ruim, Helena? Você sabe que pode me contar tudo."

Helena suspirou, sentindo o peso da verdade sobre seus ombros. "Miguel estava lá. E… nós nos beijamos."

Um silêncio momentâneo pairou entre elas, quebrado apenas pelo som distante do trânsito carioca. Sofia, surpreendentemente, não demonstrou choque, mas uma calma ponderada.

"E como você se sentiu?", perguntou ela, sua voz baixa e cuidadosa.

"Confusa. Assustada. Mas… eu retribuí, Sofia. E uma parte de mim… uma parte de mim queria que tivesse durado mais." A confissão escapou de seus lábios, carregada de vulnerabilidade.

Sofia se aproximou, colocando uma mão reconfortante no ombro de Helena. "Helena, o passado é um fantasma que nos assombra, mas não precisa nos aprisionar. Se ele te mostrou que mudou, que o que você sente é real, então… talvez valha a pena explorar isso. Com cautela, claro."

"Cautela é o meu sobrenome, Sofia. Mas com ele… as regras parecem mudar. E eu tenho medo de me perder novamente."

"Você não vai se perder. Porque desta vez, você tem a mim. E você tem a si mesma. E ninguém pode tirar isso de você." Sofia sorriu, um sorriso que transmitia força e apoio.

A reunião com os investidores foi um sucesso, mas para Helena, cada palavra proferida parecia distorcida, como se viesse de outro mundo. Sua mente estava em outro lugar, em um diálogo silencioso com Miguel. Ele havia prometido, e ela esperava, que ele mantivesse sua palavra e se apresentasse.

Por volta da hora do almoço, o telefone de Helena tocou. Era Miguel.

"Helena. Você tem um minuto?", a voz dele soou tensa, mas firme.

"Tenho", ela respondeu, sentindo seu coração acelerar.

"Eu sei que a noite de ontem foi… inesperada. Mas eu precisava que você soubesse que minhas intenções são sérias. Eu quero te ver. E eu quero te contar tudo. Sem rodeios. Sem segredos."

"Onde?", Helena perguntou, um misto de apreensão e anseio em sua voz.

"O mesmo lugar. O Mirante da Vista Chinesa. Em uma hora. Por favor, Helena. Eu preciso que você me ouça."

Helena hesitou por um instante. O Mirante era um lugar de memórias, de encontros furtivos e de despedidas dolorosas. Era o cenário perfeito para o jogo de sombras que eles estavam prestes a jogar.

"Estarei lá", ela disse, e desligou, sentindo uma pontada de ansiedade misturada a uma excitação perigosa.

A caminho do Mirante, Helena sentia o peso da decisão. Ela estava entrando em um território desconhecido, arriscando-se a reviver velhas dores, mas impulsionada por uma chama que há muito se julgava extinta. A vista do Rio de Janeiro se estendia à sua frente, deslumbrante e imponente, um reflexo da complexidade de seus próprios sentimentos.

Miguel já a esperava, encostado em seu carro, o olhar fixo na paisagem. A brisa leve acariciava seus cabelos, e a paisagem parecia emoldurá-lo, realçando sua beleza intensa. Quando ele a viu se aproximar, um leve sorriso surgiu em seus lábios, mas seus olhos transmitiam uma seriedade profunda.

"Você veio", ele disse, sua voz um murmúrio suave.

"Você pediu", Helena respondeu, tentando manter a compostura, mas sentindo suas defesas vacilarem diante dele.

Eles caminharam em silêncio até um ponto mais afastado, onde podiam observar a cidade sem a agitação de outros visitantes. O sol começava a descer, pintando o céu com tons alaranjados e rosados, criando um cenário dramático e romântico.

"Helena", Miguel começou, sua voz embargada pela emoção. "Eu sei que te magoei profundamente. E as palavras não são suficientes para pedir perdão. Mas eu quero que saiba que eu vivi cada dia desde então arrependido. Arrependido da forma como agi, arrependido de ter te perdido."

Ele a olhou nos olhos, buscando desesperadamente por uma faísca de compreensão. "Eu era jovem, imaturo, e me deixei levar pelo orgulho e pela insegurança. Eu tinha medo de te perder, e acabei fazendo exatamente isso. E a dor de te ver partir, de saber que eu fui o responsável por essa dor… isso me consumiu."

Helena o ouvia atentamente, seu coração apertado. As palavras dele eram cruas, honestas, e ressoavam com uma verdade que ela não podia ignorar.

"Você reconstruiu sua vida, Helena. Criou uma carreira brilhante, se tornou uma mulher forte e independente. E eu admirei isso de longe, sabendo que eu não merecia nem mesmo um olhar seu."

Ele fez uma pausa, respirando fundo. "Mas o tempo não apagou o que sinto por você. Pelo contrário. A saudade, a admiração, o amor… tudo isso só se intensificou. E quando te vi naquela festa, depois de todos esses anos… eu soube que não podia deixar passar mais uma oportunidade. Que eu precisava tentar, de uma vez por todas, te mostrar que o meu amor por você é real e que eu estou disposto a lutar por ele."

"Lutar por quê, Miguel?", Helena perguntou, sua voz tingida de dúvida. "Por um amor que já se provou frágil? Que se desfez como areia entre os dedos?"

"Porque o que tínhamos não era frágil, Helena. O que tínhamos era profundo. E o que aconteceu foi resultado das minhas falhas, não da falta de amor. Eu aprendi com meus erros. Eu amadureci. E agora… agora eu sei o que eu quero. E o que eu quero é você."

Miguel deu um passo à frente, sua mão estendida em direção a Helena. Havia uma hesitação em seu gesto, um respeito pela dor que ele mesmo havia causado.

"Eu não te peço para esquecer o passado, Helena. Eu te peço para me dar a chance de construir um futuro diferente. Um futuro onde possamos ser felizes. Um futuro onde o amor seja a nossa força, e não a nossa fraqueza."

Helena olhou para a mão dele, para o desejo sincero em seus olhos. Ela sabia que era um risco. Um risco enorme. Mas a ideia de rejeitá-lo novamente, de fechar a porta para essa possibilidade de redenção, parecia ainda mais dolorosa.

"O que você propõe, Miguel?", ela perguntou, sua voz um sussurro.

"Eu proponho que tentemos. Que nos demos uma chance. Sem pressa, sem cobranças. Apenas… nos conhecermos novamente. Vivermos o presente. E deixarmos o futuro se revelar."

Ele retirou a mão, mas seu olhar permaneceu fixo em Helena, carregado de esperança. Helena respirou fundo, sentindo o coração bater descompassado.

"Eu não sei se sou forte o suficiente para isso, Miguel", ela confessou. "O medo ainda é muito grande."

"Eu sei", ele respondeu com ternura. "Mas você não precisa ser forte sozinha. Eu estarei ao seu lado. E juntos, podemos enfrentar qualquer medo."

O sol terminava de se pôr, e as primeiras estrelas começavam a aparecer no céu, ecoando a noite anterior. Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Era um convite, um desafio. E, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu uma pontada de esperança, uma faísca de coragem acesa pela sinceridade de Miguel.

"Eu aceito", ela disse, a voz firme, surpreendendo até a si mesma. "Eu aceito tentar. Mas com uma condição."

Miguel a olhou, os olhos cheios de expectativa. "Qualquer condição, Helena."

"Sem mais segredos. Sem mais jogos. A partir de agora, tudo será dito. Tudo será claro. Se você está disposto a isso, eu estou disposta a tentar."

Um sorriso de alívio e gratidão iluminou o rosto de Miguel. Ele estendeu a mão novamente, desta vez para segurar a dela. Helena hesitou por um instante, mas então entrelaçou seus dedos aos dele.

"Sem segredos", Miguel prometeu, apertando suavemente sua mão. "Apenas a verdade. E o nosso amor."

Naquele momento, sob o crepúsculo que abraçava o Rio de Janeiro, Helena sentiu um misto de alívio e apreensão. O jogo de sombras havia começado, mas agora, sob a luz tênue das estrelas, uma nova possibilidade de redenção e amor se abria diante deles.

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