Meu Captor, Meu Amor 154

Capítulo 17 — O Eco do Passado e a Semente da Suspeita

por Isabela Santos

Capítulo 17 — O Eco do Passado e a Semente da Suspeita

A Fazenda Esperança, outrora um refúgio de paz e recomeço, agora ressoava com os ecos de um passado que Aurora lutava para desenterrar. A confissão de Miguel, a revelação de seu amor inabalável, havia sido um bálsamo para sua alma ferida. No entanto, a memória fragmentada que se desprendera de sua mente trazia consigo uma sombra perturbadora, a imagem de um homem desconhecido no epicentro do incêndio que consumira a antiga fazenda.

Naquele dia, o ar parecia mais denso, carregado de uma tensão sutil. Aurora observava Miguel com uma atenção renovada, tentando decifrar as nuances de seu olhar, buscando qualquer sinal que pudesse confirmar ou negar suas crescentes suspeitas. Ele estava diferente, um misto de determinação e uma inquietude velada em seus gestos. A força de seu amor era palpável, mas a sombra daquela lembrança incômoda pairava entre eles, uma nuvem persistente que nem o sol da manhã conseguia dissipar.

“Miguel”, ela começou, a voz baixa enquanto tomavam café na varanda, o aroma do café e das flores do jardim misturando-se no ar. “Você… você mencionou antes que havia outras pessoas na fazenda naquele dia. Você se lembra de quem eram?”

Miguel suspirou, o olhar perdido nas paisagens verdes que se estendiam diante deles. “Havia alguns trabalhadores, Aurora. Pessoas que eu conhecia. Mas eram poucos. E o incêndio foi tão rápido, tão devastador…” Ele balançou a cabeça, como se tentasse afastar uma lembrança dolorosa. “Era um caos. Eu só me lembro de tentar te salvar, de te tirar de lá.”

“Mas esse homem… eu tenho a sensação de que ele estava ali com uma intenção. Uma intenção destrutiva.” Aurora sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A imagem, ainda turva em sua mente, ganhava contornos mais nítidos a cada instante. Um sorriso frio, olhos penetrantes, uma presença ameaçadora.

Miguel a olhou, seus olhos escuros fixos nos dela. Havia uma pontada de algo que parecia… reconhecimento? Ou seria apenas a sua própria imaginação a pregar-lhe peças? “Você tem certeza, Aurora? Lembra-se de algo mais sobre ele?”

“Não consigo ver o rosto com clareza. É como se estivesse embaçado pela fumaça. Mas sinto a presença dele. Uma presença sombria.” Ela apertou os lábios, ponderando. “É como se ele fosse o motivo de tudo aquilo ter acontecido.”

Ele deu um passo à frente, envolvendo-a em seus braços. O cheiro familiar de Miguel, a força de seu abraço, eram um porto seguro, mas a semente da suspeita já havia sido plantada. “Não se preocupe com isso agora, meu amor. Se ele estiver envolvido, nós vamos descobrir. A verdade sempre aparece, cedo ou tarde.”

“Mas e se essa verdade nos separar, Miguel?” a voz dela era um sussurro de medo.

Ele a afastou um pouco, segurando seu rosto entre as mãos. “Nunca. O que construímos aqui, Aurora, é mais forte do que qualquer fantasma do passado. Eu te amo. E nada, absolutamente nada, vai nos separar.” A sinceridade em seus olhos era inegável, mas a preocupação em seu semblante era um espelho das próprias inquietações dela.

Nos dias que se seguiram, a fazenda ganhou um novo ritmo. Aurora, impulsionada pela necessidade de entender o que lhe acontecera, começou a revirar os velhos pertences de sua família, em busca de pistas, de qualquer coisa que pudesse trazer clareza àquela lembrança nebulosa. Ela vasculhou baús empoeirados no sótão, examinou álbuns de fotografias antigos, folheou diários que pareciam pertencer a outra pessoa.

Enquanto isso, Miguel se dedicava à reconstrução da fazenda com uma energia redobrada. Ele supervisionava os trabalhadores, negociada com fornecedores, e passava longas horas no campo, com o suor escorrendo em seu rosto bronzeado. Aurora notava o esforço em seus olhos, a determinação em seus gestos, mas também uma certa apreensão, como se ele estivesse fugindo de algo.

Um dia, enquanto examinava uma caixa antiga de cartas de sua mãe, Aurora encontrou um envelope amarelado, com um selo que ela não reconhecia. Dentro, havia uma carta com a caligrafia elegante de sua mãe, datada de poucos meses antes do incêndio. A carta falava sobre preocupações financeiras, sobre dívidas ocultas, e sobre um homem de negócios que parecia estar pressionando sua família. O nome mencionado na carta fez o coração de Aurora disparar: Dr. Eduardo Vasconcelos.

Ela leu a carta várias vezes, a mente girando em turbilhão. Eduardo Vasconcelos… o nome não lhe era totalmente estranho. Havia uma vaga lembrança, um eco distante de algo que ela não conseguia precisar.

Naquela noite, durante o jantar, Aurora decidiu abordar o assunto com Miguel. A mesa estava posta com a comida deliciosa de Dona Lurdes, e o silêncio confortável que geralmente reinava entre eles parecia um pouco mais tenso.

“Miguel”, ela começou, com a carta nas mãos. “Eu encontrei isso no sótão. Uma carta da minha mãe. Ela mencionava um homem chamado Dr. Eduardo Vasconcelos.”

Miguel parou de comer, o olhar fixo nela. Havia um lampejo nos seus olhos, algo rápido e fugaz, mas Aurora o viu. Era uma reação.

“Eduardo Vasconcelos?” ele repetiu, a voz calma, mas com um tom de cautela. “Não me recordo desse nome. O que a carta dizia?”

Aurora entregou-lhe a carta. Ele a leu atentamente, a testa franzida. “Minha mãe estava preocupada com dívidas. E ele parecia estar pressionando-a.”

Miguel devolveu a carta, um silêncio pensativo pairando entre eles. “Isso é estranho. Sua família sempre foi bem financeiramente. Não me lembro de terem tido problemas com dívidas.”

“Eu também não. É por isso que isso me intriga. E o nome… eu tenho a sensação de que já ouvi falar dele antes. Mas não consigo me lembrar onde.”

Miguel pôs a mão sobre a dela, um gesto reconfortante, mas que não dissipava a nuvem de suspeita. “Talvez ele tenha sido um antigo sócio de negócios do seu pai. Ou alguém que ele conheceu em algum momento. Há tantas coisas que podemos ter esquecido, Aurora.”

“Mas e se ele tiver algo a ver com o incêndio, Miguel?” A pergunta saiu em um sussurro, carregada de medo.

Miguel a olhou com intensidade. “Se ele teve, nós vamos descobrir. Não se preocupe. Vou investigar quem é esse Dr. Eduardo Vasconcelos.”

No dia seguinte, Miguel saiu cedo, sob o pretexto de resolver assuntos na cidade. Aurora sabia que ele estava investigando. E ela também não conseguia ficar parada. Decidiu visitar os antigos funcionários da fazenda, aqueles que ainda moravam nos arredores e que poderiam ter presenciado algo.

Ela foi até a casa de Seu Benedito, um antigo capataz da fazenda que havia trabalhado para sua família por décadas. Seu Benedito, agora um senhor de idade, com o corpo curvado e o olhar cansado, a recebeu com a familiaridade de sempre.

“Aurora, minha querida! Que surpresa boa te ver por aqui!” ele disse, a voz rouca de emoção.

“Seu Benedito, preciso da sua ajuda. Lembro-me de poucas coisas sobre o incêndio. Mas tenho a sensação de que um homem estava envolvido. Um homem que não era daqui.” Aurora explicou o que havia encontrado na carta, o nome de Eduardo Vasconcelos.

Seu Benedito franziu a testa, pensativo. Ele coçou a barba branca, o olhar se perdendo no tempo. “Eduardo Vasconcelos… o nome não me é estranho, Aurora. Mas não consigo encaixar onde eu o teria visto. Naquela época, a fazenda era um lugar de muita gente circulando. Mas de gente confiável, em sua maioria.”

“Ele poderia ter vindo até aqui, Seu Benedito? Para falar com meu pai, talvez?”

O velho capataz suspirou. “Seu pai era um homem de negócios, Aurora. Recebia muitas visitas. Mas um homem como esse, com cara de ser… de cidade grande, talvez? Não me lembro de um assim. Mas o incêndio, ah, o incêndio… foi uma tragédia. Uma desgraça sem tamanho.” Ele balançou a cabeça, o pesar nos olhos. “Lembro-me da fumaça subindo ao céu, do desespero. E lembro-me também de ver Miguel lá, agindo como um herói, salvando a senhora. Ele sempre foi um bom rapaz.”

Aurora ouviu atentamente, grata pela ajuda, mas a resposta de Seu Benedito não trouxe o alívio que esperava. A semente da suspeita, plantada pela memória fragmentada, começava a germinar, lançando raízes profundas em seu coração. A informação sobre Eduardo Vasconcelos era um fio solto, mas um fio que prometia levar a uma teia de segredos.

Quando Miguel retornou, Aurora o esperava com um misto de apreensão e esperança. Ela queria compartilhar o que descobrira, mas também temia a reação dele.

“E então?” ela perguntou, assim que ele entrou.

Miguel a encarou, um leve sorriso nos lábios. “Encontrei algumas informações. Dr. Eduardo Vasconcelos… ele é um empresário conhecido. Tinha alguns negócios com seu pai, sim. Mas não eram negócios limpos, Aurora. Havia rumores de que ele era um homem sem escrúpulos, que não media esforços para conseguir o que queria.”

O coração de Aurora acelerou. “E o que você descobriu sobre o envolvimento dele com a fazenda?”

Miguel hesitou, o olhar se tornando mais sério. “Ele estava em negociações para comprar uma parte das terras da sua família. Negociações que seu pai estava resistindo. As dívidas que sua mãe mencionou… talvez fossem o motivo pelo qual seu pai estava sendo pressionado. E o incêndio… bem, ele aconteceu logo depois que seu pai recusou a oferta final de Vasconcelos.”

A revelação atingiu Aurora como um raio. Eduardo Vasconcelos. Aquele nome que pairava em sua memória, agora ganhava um rosto, uma intenção. Um homem de negócios inescrupuloso, capaz de um ato tão terrível para conseguir o que queria.

“Então… então foi ele que causou o incêndio?” Aurora sussurrou, a voz trêmula.

Miguel a segurou pelos ombros, seus olhos fixos nos dela. “Não tenho certeza absoluta, Aurora. Mas as circunstâncias são muito suspeitas. A memória que você teve, a carta de sua mãe, as informações que descobri… tudo aponta para ele. Mas ainda há muitas peças que não se encaixam.”

Aurora sentiu um misto de alívio e terror. Alívio por ter uma resposta, por ter um nome para a sombra que a assombrava. Terror pela possibilidade de que essa verdade fosse ainda mais sombria do que imaginava. O amor de Miguel por ela era inegável, sua dedicação era palpável. Mas a verdade sobre Eduardo Vasconcelos lançava uma nova luz sobre o passado, uma luz que revelava perigos que eles ainda não conseguiam compreender completamente. E, mais perturbador ainda, Aurora sentia que a memória incompleta que a assombrava ainda guardava mais segredos, segredos que poderiam abalar os alicerces de tudo o que eles haviam construído.

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