Meu Captor, Meu Amor 154

Capítulo 2 — Um Cativeiro Dourado e a Tensão Crescente

por Isabela Santos

Capítulo 2 — Um Cativeiro Dourado e a Tensão Crescente

O amanhecer trouxe consigo um céu nublado, mas a chuva havia cessado. O silêncio que se seguiu à tempestade era quase mais opressor do que o barulho das gotas de chuva na noite anterior. Lúcia acordou em um quarto luxuoso, com paredes em tons de creme e detalhes em ouro, que parecia ter sido retirado de uma revista de decoração. Uma cama imensa com dossel dominava o centro, seus lençóis de seda pareciam convidativos, mas Lúcia sentia-se incapaz de relaxar. A janela, alta e ampla, oferecia uma vista deslumbrante do jardim bem cuidado, emoldurado por árvores centenárias, mas para ela, era apenas mais uma grade de sua prisão.

A noite fora longa e perturbadora. Davi a levara ao seu quarto, com um gesto cortês que escondia a possessividade em seus olhos. Ele explicara, com uma calma desconcertante, que ela estaria sob sua guarda. O acordo com o pai dela era simples: a dívida seria perdoada em troca de... dela. Ele não explicou o "porquê", mas Lúcia sentia que havia mais em jogo do que apenas uma transação financeira. Havia uma intensidade perigosa em Davi, uma aura de poder e mistério que a atraía e a assustava em igual medida.

Ela se levantou, sentindo o corpo dolorido de toda a tensão e do sono inquieto. O vestido de seda azul, agora amassado, ainda estava em seu corpo. Caminhou até a janela, observando o jardim com uma sensação de desespero crescente. Cada flor, cada árvore, parecia zombar de sua situação.

"Bom dia, Senhorita Mendes." A voz de Davi soou, surpreendentemente suave, vindo da porta aberta do quarto. Ele estava ali, encostado no batente, com um café da manhã aparentemente preparado para ela em uma bandeja de prata. Um sorriso leve brincava em seus lábios, mas seus olhos, aqueles olhos escuros e penetrantes, a observavam com uma intensidade que a fazia sentir-se nua.

Lúcia se virou, o coração disparado. Ele não parecia um carrasco. Vestia uma camisa branca impecável e calças de alfaiataria escuras, que acentuavam sua figura atlética. A imagem que ele projetava era a de um anfitrião, não de um captor. Mas Lúcia sabia a verdade.

"Senhor Davi," ela respondeu, sua voz ainda trêmula.

"Sente-se. O café da manhã está servido. Espero que goste de frutas frescas e croissants quentinhos. Um pequeno mimo para minha convidada." Ele entrou no quarto, colocando a bandeja em uma mesinha de centro próxima à cama. Seus movimentos eram fluidos, calculados, cada gesto polido e eficiente.

Lúcia hesitou. Comer na presença dele era o mesmo que aceitar a situação. Mas a fome roía seu estômago. Ela se aproximou da mesa, sentando-se na beirada de uma poltrona de veludo, mantendo uma distância respeitosa.

"Obrigada," ela murmurou, pegando um morango suculento. O sabor era doce, mas não conseguia disfarçar o amargor em sua alma.

Davi sentou-se em uma poltrona oposta, cruzando as pernas com uma elegância natural. Ele não a pressionava, apenas a observava. Era essa observação silenciosa que a deixava mais inquieta. Era como se ele estivesse estudando cada reação dela, cada microexpressão.

"Imagino que esteja se perguntando sobre os próximos passos," ele disse, quebrando o silêncio. "Não se preocupe. Sua estadia aqui será confortável. A mansão é espaçosa, você terá sua liberdade dentro dos limites da propriedade. Não há necessidade de pânico."

"Liberdade?" Lúcia soltou uma risada amarga. "Senhor Davi, estou aqui contra minha vontade. Minha liberdade foi tirada de mim no momento em que meu pai fez aquele acordo."

"Um acordo que o salvou de um destino muito pior," Davi replicou, sem alterar o tom. "E que, acredite, o protegeu de outros indivíduos menos... compreensivos do que eu." Ele se inclinou um pouco para a frente. "Seu pai fez um empréstimo com pessoas perigosas. Pessoas que não aceitam desculpas. Eu apenas intermediarei o pagamento, de uma forma um pouco mais... pessoal."

Lúcia sentiu um arrepio. A ideia de seu pai envolvido com gente perigosa era assustadora. Mas a forma como Davi falava sobre isso, como se fosse um negócio corriqueiro, era perturbador.

"E eu sou a moeda de troca?"

"Você é a garantia, Senhorita Mendes. A garantia de que Roberto Mendes fará o que prometeu." Ele fez uma pausa, seus olhos fixos nos dela. "E, enquanto isso, você estará segura comigo. Mais segura do que estaria em qualquer outro lugar."

A promessa de segurança soava oca. Lúcia sentia que estava presa em uma teia de aranha, onde a beleza exterior escondia o perigo iminente. Ela não conseguia entender a motivação de Davi. Por que ela? Por que não apenas exigir o dinheiro? Havia um brilho de interesse em seus olhos que ia além da mera transação.

"O que você espera que eu faça?" ela perguntou, a voz baixa.

"Por agora, apenas viva. Acomode-se. Explore a casa, o jardim. Familiarize-se com seu novo lar," Davi respondeu, um leve sorriso surgindo em seus lábios. "Teremos tempo para conversar sobre outras coisas depois."

Ele se levantou, e Lúcia o seguiu com os olhos. Ele parecia tão confiante, tão no controle de tudo.

"O almoço será servido às treze horas. Se precisar de alguma coisa, basta chamar a governanta, Dona Clara. Ela cuidará de todas as suas necessidades." Ele fez uma reverência sutil. "Agora, se me der licença, tenho negócios a tratar."

Ele saiu do quarto, deixando Lúcia sozinha com seus pensamentos e a comida que mal conseguia comer. A mansão era grande, ostentosa, mas vazia. A solidão a apertava. Ela explorou os cômodos, admirando a decoração luxuosa, mas sentindo a opressão das paredes. Cada objeto, cada móvel, parecia sussurrar a história de Davi, um homem de poder e mistério.

Ao meio-dia, Dona Clara, uma senhora de meia-idade, com um sorriso gentil e olhos observadores, a guiou para a sala de jantar. A mesa estava posta com talheres de prata e louças finas. O almoço foi servido por uma equipe discreta. Lúcia sentiu-se como uma rainha em um exílio dourado.

Davi apareceu pontualmente às treze horas. Ele se sentou à cabeceira da mesa, sua presença preenchendo o espaço com uma energia magnética. O almoço foi silencioso, com breves trocas de palavras sobre o clima ou a comida. Lúcia se sentia cada vez mais desconfortável sob seu olhar atento.

"Você parece entediada, Senhorita Mendes," ele disse, após um longo silêncio. "Não acha a paisagem monótona?"

"É tudo muito bonito, Senhor Davi," ela respondeu, tentando soar educada. "Mas é difícil apreciar a beleza quando se está... cativa."

Davi a encarou, um brilho de desafio em seus olhos. "Cativa? Eu lhe ofereci um refúgio. E, francamente, você parece mais digna de estar em uma jaula dourada do que em uma delegacia, como estaria se seu pai tivesse optado por não colaborar."

A insinuação era clara. Ele estava a usando como barganha, e ela era apenas mais uma peça em seus jogos de poder.

"Eu me pergunto por que o senhor faz questão de me manter aqui, em vez de simplesmente aceitar o dinheiro quando ele for pago," Lúcia disse, a curiosidade vencendo o medo. "Por que toda essa... teatralidade?"

Davi deu um sorriso lento, um sorriso que não alcançava seus olhos. "A teatralidade, Senhorita Mendes, é para manter seu pai honesto. E, talvez, para me divertir um pouco. Você é uma distração interessante."

A frieza da resposta a atingiu. Ela era uma diversão para ele. Um passatempo enquanto ele esperava o pagamento. A raiva borbulhou em seu peito, mas ela a reprimiu. Precisava ser forte, inteligente.

"E o que acontece depois que meu pai pagar?" ela perguntou, a voz controlada.

"Ah, essa é a melhor parte," Davi respondeu, aproximando-se um pouco da mesa. "Depois que a dívida for quitada, teremos que renegociar os termos."

O coração de Lúcia disparou. Renegociar? O que isso significava?

"Termos para quê?"

"Para sua liberdade, claro," ele disse, com um tom de voz que a fez desconfiar. "Ou, talvez, para algo mais. Você é uma mulher muito interessante, Lúcia."

Ele usou seu nome pela primeira vez, e o som na voz dele fez um arrepio percorrer seu corpo. Não era apenas um nome, era um som de posse.

"Eu não sou sua, Senhor Davi."

"Ainda não, é verdade," ele concordou, seu olhar fixo no dela. "Mas tudo pode mudar. O tempo é um grande transformador. E nós temos muito tempo pela frente."

O jantar terminou em um silêncio pesado. Lúcia se retirou para seu quarto, sentindo-se mais presa do que nunca. A mansão era um labirinto de luxo e solidão. Cada dia prometia ser igual ao anterior, um ciclo de tédio e apreensão. Ela sabia que não poderia ficar ali para sempre, apenas esperando. Precisava encontrar uma saída, um plano. Mas, por enquanto, estava à mercê de Davi. O homem que a havia capturado. O homem que, de alguma forma, a atraía e a aterrorizava ao mesmo tempo. A tensão entre eles era palpável, um fio invisível que se esticava a cada encontro, prenunciando algo que ela ainda não conseguia decifrar.

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