Meu Captor, Meu Amor 154

Capítulo 3 — As Sombras do Passado e um Fascínio Perigoso

por Isabela Santos

Capítulo 3 — As Sombras do Passado e um Fascínio Perigoso

Os dias que se seguiram se arrastaram em um ritmo lento e perturbador. Lúcia se viu presa em uma rotina de luxo e solidão. Acordava, tomava café da manhã, explorava o jardim sob o olhar discreto dos seguranças contratados por Davi, almoçava com ele em um silêncio tenso, passava as tardes lendo livros da vasta biblioteca da mansão ou observando a paisagem pela janela, e jantava novamente em sua companhia. Davi era um anfitrião impecável, oferecia tudo o que ela podia desejar em termos materiais, mas a liberdade era o bem mais precioso que ele lhe negava.

Ele mantinha uma distância profissional, mas seus olhos a seguiam com uma intensidade que a deixava desconfortável. Havia uma curiosidade em seu olhar, uma fascinação que ia além do interesse casual. Ele a observava como um entomologista observa um inseto raro, estudando seus movimentos, suas reações, como se quisesse desvendá-la.

"Você parece inquieta, Lúcia," Davi comentou certa tarde, enquanto tomavam chá no jardim. O sol da tarde pintava o céu de tons alaranjados e rosados, criando uma atmosfera de paz que contrastava com a turbulência interna de Lúcia.

"É difícil não ficar, Senhor Davi," ela respondeu, mexendo o açúcar em sua xícara. "Eu não pertenço a este lugar. E não sou sua."

Davi sorriu, um sorriso enigmático. "Você pertence ao seu pai. E ele, de certa forma, pertence a mim. Portanto, você está dentro dos meus domínios, Senhorita Mendes. Por enquanto." A palavra "por enquanto" ecoava em sua mente, carregada de promessas e ameaças veladas.

"Por quanto tempo essa situação vai durar?" ela perguntou, buscando uma resposta concreta.

"Até que os acordos sejam cumpridos," ele disse, com um tom de finalidade. "E as dívidas sejam pagas."

"E quando isso acontecer, o senhor me deixará ir?"

"Isso depende," ele respondeu, seus olhos escuros encontrando os dela. Havia um brilho em seu olhar que a intrigava e a assustava. "Depende do que eu decidir que é mais vantajoso para mim."

A ambiguidade de suas palavras a deixava apreensiva. Lúcia sentia que Davi não era um homem que se contentava com um simples pagamento. Ele gostava de ter controle, de possuir. E ela, de alguma forma, o fascinava.

Certa noite, durante o jantar, Davi a surpreendeu com um convite inesperado. "Amanhã à noite, teremos um evento aqui em casa. Uma reunião de negócios. Gostaria que você se juntasse a nós."

Lúcia hesitou. Participar de um evento social, mesmo que restrito, significava sair de sua reclusão, interagir com outras pessoas. Mas também significava mais exposição, mais risco.

"Eu não sei se é uma boa ideia, Senhor Davi. Eu não me sinto apresentável."

"Você é a minha convidada, Lúcia. E como tal, sua presença é esperada. Não se preocupe com a roupa, Dona Clara providenciará algo adequado." Ele fez uma pausa, seus olhos perscrutando o rosto dela. "É uma oportunidade para você ver um pouco do meu mundo. E para que os outros vejam a joia que eu adquiri."

A ideia de ser exibida como um troféu a incomodou profundamente. Mas, por outro lado, era uma chance de observar Davi em seu ambiente natural, de talvez entender melhor suas motivações.

Na noite seguinte, Lúcia se viu diante de um espelho, vestindo um deslumbrante vestido de noite em tons de esmeralda, emprestado de um dos closets de Davi. O tecido caía perfeitamente em seu corpo, realçando sua figura esguia. Dona Clara havia feito um penteado elegante em seus cabelos castanhos e uma maquiagem discreta, mas sofisticada. Ao se olhar no espelho, ela mal se reconheceu. A mulher que encarava era elegante, confiante, quase irreconhecível em sua antiga versão, marcada pela ansiedade e pelo medo.

Davi a esperava no hall de entrada, vestindo um terno preto impecável. Ele a olhou de cima a baixo, um brilho de aprovação em seus olhos. "Magnífica, Lúcia. Você roubará a cena." Ele estendeu a mão para ela. "Pronta?"

Lúcia respirou fundo e aceitou a mão dele. A sensação de seus dedos fortes envolvendo os seus era ao mesmo tempo reconfortante e perturbadora. Ela sentiu uma corrente elétrica percorrer seu corpo, um prenúncio da noite que se iniciava.

A festa era um evento íntimo, com poucos convidados, mas todos eles figuras proeminentes no mundo dos negócios. Homens e mulheres elegantes, com sorrisos polidos e olhares calculistas. Lúcia se sentiu como uma intrusa, mas Davi a manteve perto, apresentando-a como sua "convidada especial". Ele a apresentou a alguns de seus associados, homens que emanavam poder e frieza. Lúcia tentou manter a compostura, respondendo às perguntas com educação, mas sentindo o peso dos olhares sobre ela.

Enquanto Davi conversava com um grupo de empresários, Lúcia se afastou para um canto, observando o movimento. Foi então que ela notou um homem mais velho, sentado sozinho em uma poltrona, observando a todos com um ar de melancolia. Ele tinha cabelos grisalhos e um rosto marcado por rugas de preocupação, mas seus olhos ainda guardavam uma inteligência aguçada. Ele a notou observando-o e lhe deu um leve sorriso, um sorriso triste e compreensivo.

Curiosa, Lúcia se aproximou dele. "Boa noite," ela disse, suavemente.

"Boa noite, minha jovem," o homem respondeu, sua voz rouca. "Você é a nova aquisição de Davi, não é? Ele tem um olho para o que é valioso."

Lúcia sentiu um arrepio. A forma como ele falou sobre ela como uma "aquisição" ecoou as palavras de Davi. "Eu sou Lúcia Mendes. E o senhor?"

"Roberto Almeida. Um velho amigo, e um antigo sócio de seu pai." A menção a seu pai fez Lúcia arregalar os olhos.

"O senhor conhece meu pai?"

Almeida suspirou, um som pesado. "Conhecia. Roberto era um bom homem, mas... impulsivo. Se meteu em coisas que não entendia, e agora está pagando o preço. Como você está pagando."

Lúcia sentiu uma pontada de dor. Saber que seu pai estava sofrendo, e que ela estava ali por causa de seus erros, era devastador. "Ele... ele está bem?"

"Ele está vivo," Almeida respondeu, com uma nota de tristeza na voz. "Mas sua reputação, seus negócios... tudo foi por água abaixo. Ele fez um empréstimo com pessoas muito perigosas. Davi é o menos pior deles, acredite."

A conversa foi interrompida pela voz de Davi. "Lúcia, vejo que já fez amizades." Ele se aproximou, seu sorriso tenso ao ver Lúcia conversando com Almeida.

"Senhor Davi," Lúcia cumprimentou, sentindo a tensão no ar.

Davi dirigiu um olhar frio para Almeida. "Roberto, o que você está fazendo aqui? Pensei que tivéssemos um acordo para evitar encontros desnecessários."

"Eu vim ver como a pequena Lúcia estava," Almeida respondeu, sem se intimidar. "E para lhe lembrar que nossos acordos têm prazos. Não se esqueça disso, Davi."

A troca de olhares entre os dois homens era carregada de hostilidade. Lúcia percebeu que havia mais na história de seu pai e de Davi do que ela imaginava. Havia um passado, um conflito, e ela estava no meio disso tudo.

Davi puxou Lúcia para perto, seu braço protetor em volta de sua cintura. "Vamos, Lúcia. Você não precisa se preocupar com velhas histórias. Esteja comigo."

Enquanto ele a guiava para longe de Almeida, Lúcia sentiu o olhar do homem mais velho sobre ela. Parecia um olhar de aviso, de compaixão. A noite, que antes parecia apenas um evento social forçado, agora se revelava como um vislumbre de um passado sombrio e de um futuro incerto. O fascínio perigoso que sentia por Davi se misturava a um medo crescente. Ela estava presa em sua teia, e as sombras do passado pareciam se estender para envolvê-la. A mansão, antes um refúgio, agora parecia um palco de intrigas, e ela, a protagonista involuntária.

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