Meu Captor, Meu Amor 154

Capítulo 5 — O Confronto e a Sedução da Verdade

por Isabela Santos

Capítulo 5 — O Confronto e a Sedução da Verdade

A descoberta do diário de Davi transformou Lúcia. Ela não via mais o homem apenas como um captor implacável, mas como um ser humano complexo, assombrado por fantasmas do passado. A compaixão começou a se misturar ao medo, e uma tensão diferente, mais íntima e perigosa, começou a surgir entre eles.

Naquela noite, durante o jantar, Lúcia tomou uma decisão. Ela precisava confrontá-lo, mas de uma forma sutil, usando o que havia descoberto.

"Senhor Davi," ela começou, sua voz mais firme do que o usual. "Eu estava pensando sobre o passado. Sobre como as pessoas que amamos podem nos influenciar, mesmo depois que se foram."

Davi a observou, seus olhos escuros fixos nela, com uma leve desconfiança. "O que a leva a pensar nisso?"

"Eu… eu me lembrei da minha mãe," Lúcia mentiu, sentindo o coração acelerar. "Ela sempre me dizia para nunca desistir, mesmo quando as coisas pareciam impossíveis. Ela falava sobre a importância de lutar por aquilo que acreditamos."

Davi deu um sorriso tênue. "Sua mãe era uma mulher forte, sem dúvida. Tenho certeza de que ela estaria orgulhosa de você." O elogio a fez corar, e ela desviou o olhar.

"E o senhor? O senhor se lembra da sua mãe?" Lúcia perguntou, ousando ir mais longe. "Eu imagino que ela tenha sido uma mulher incrível."

Davi parou de comer, seus olhos se fixando em um ponto distante, como se estivesse revivendo memórias. Um silêncio carregado pairou no ar. "Ela era," ele disse finalmente, sua voz embargada. "Ela era a luz da minha vida. E sua perda... foi o que me moldou."

Lúcia sentiu uma pontada de compaixão. Aquele homem, tão poderoso e temido, carregava uma dor profunda. "E o senhor sente falta dela?"

Davi assentiu lentamente. "Todos os dias. Às vezes, eu me pergunto se estou honrando sua memória. Se as escolhas que faço estão alinhadas com o que ela esperaria de mim."

A vulnerabilidade em sua voz era palpável. Lúcia sentiu que estava pisando em um terreno delicado, mas necessário. "Talvez o senhor esteja se punindo por algo que não pode controlar. Talvez o senhor precise se perdoar."

Davi a encarou, seus olhos buscando os dela. Havia uma mistura de surpresa e algo mais, um reconhecimento, talvez. "Perdoar a mim mesmo? É uma tarefa difícil, Lúcia. Quando se tem tanto sangue nas mãos."

"Mas se o senhor se lembra dela com amor, talvez ela queira que o senhor encontre paz. E para encontrar paz, talvez o senhor precise fazer as coisas certas." Lúcia respirou fundo, reunindo coragem. "E manter-me aqui, como garantia, não parece ser o que uma pessoa que você admira faria."

A menção direta à sua situação atingiu Davi em cheio. Ele ficou imóvel por um momento, o olhar escrutinador. A suave sedução da verdade estava começando a desarmá-lo.

"Você está se tornando muito sagaz, Lúcia," ele disse, sua voz voltando a ter um tom mais controlado, mas com uma nota de admiração contida. "Mais do que eu esperava."

"Eu só quero a minha liberdade, Senhor Davi. E quero que meu pai fique bem. Talvez haja uma maneira de resolver isso sem que eu precise permanecer aqui indefinidamente."

Davi se levantou da mesa, e Lúcia sentiu um aperto no peito, temendo que sua ousadia tivesse sido um erro. Ele caminhou até a janela, observando a noite que caía. O silêncio se estendeu, pesado de expectativas.

"Você tem razão," ele disse, sua voz ecoando no silêncio. "Talvez a forma como eu lidei com isso não tenha sido a mais… justa. Meu pai lhe deve uma dívida, e eu a cobrei de forma excessiva. Me deixei levar pela amargura do passado."

Ele se virou para Lúcia, um olhar diferente em seus olhos. Não era mais a possessividade fria, mas uma complexidade de emoções. "Eu vi em você algo que me lembrou dela. A força, a pureza. E, talvez, eu quisesse protegê-la disso. Protegê-la do mundo que me feriu tanto."

Ele se aproximou dela, e desta vez, o toque em seu rosto foi gentil. Seus dedos percorreram sua bochecha suavemente. Lúcia não recuou. A conexão que sentia era real, por mais perigosa que fosse.

"Mas você é uma mulher livre, Lúcia. E eu não posso aprisionar essa liberdade. O acordo com seu pai será renegociado. Ele terá um prazo para quitar suas dívidas, de outra forma. E você… você será livre para ir."

As palavras dele soaram como música aos ouvidos de Lúcia. Mas, ao mesmo tempo, uma nova ansiedade a tomou. A liberdade estava tão perto, mas a ideia de deixar Davi, de deixar para trás aquela conexão estranha e intensa, a perturbava.

"E o senhor, Senhor Davi?" ela perguntou, sua voz um sussurro. "O senhor ficará bem?"

Ele sorriu, um sorriso genuíno desta vez, mas tingido de melancolia. "Eu vou ficar. Tenho muito a resolver. E muito a aprender sobre mim mesmo." Ele inclinou a cabeça, seus lábios roçando os dela. "Você me mostrou algo importante, Lúcia. Algo que eu precisava ver."

O beijo foi suave, hesitante, mas carregado de uma eletricidade que Lúcia nunca havia experimentado. Era um beijo de despedida, mas também de promessa. Uma promessa de que, talvez, em outro tempo, em outra circunstância, as coisas pudessem ter sido diferentes.

Quando Davi se afastou, Lúcia sentiu um misto de alívio e uma estranha tristeza. A rede de enganos estava se desfazendo, mas a teia emocional que se formara entre ela e Davi era mais difícil de romper. Ela estava prestes a ser livre, mas uma parte dela sabia que nunca esqueceria o homem que a havia mantido cativa, o homem que, em sua própria maneira distorcida, a havia salvado e a havia transformado. A verdade, por mais dolorosa que fosse, havia aberto caminho para a liberdade, mas também para um fascínio perigoso que a assombraria para sempre.

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