Meu Captor, Meu Amor 154

Capítulo 8 — O Jogo de Espelhos e a Tentação do Segredo

por Isabela Santos

Capítulo 8 — O Jogo de Espelhos e a Tentação do Segredo

O silêncio que se seguiu à leitura da carta e do diário de Eliza era denso, carregado de emoções não ditas e de um peso insuportável. Sofia sentia a dor de Ricardo como se fosse sua, a angústia de descobrir que a verdade sobre sua família era mais sombria e complexa do que ele jamais imaginara. A atração entre eles, antes apenas um fogo crepitante, agora se misturava com a empatia e o desejo de protegê-lo daquele passado cruel.

Ricardo, por sua vez, sentia-se como se estivesse preso em um labirinto de espelhos, onde cada reflexo era uma distorção da realidade. Seu pai, o homem que ele admirava em segredo, era agora uma figura ambígua, capaz de amor profundo e de segredos obscuros. Sua mãe, a figura gentil que ele mal lembrava, era uma heroína trágica, lutando contra forças invisíveis.

“Eu não entendo”, disse Ricardo, a voz baixa e rouca, quebrando o silêncio. “Se minha mãe sabia de tudo isso, por que ela não disse a meu pai? Por que ela escondeu as coisas?”

Sofia pegou a mão dele, os dedos entrelaçando-se em um gesto de conforto. “Ela disse que não podia mais confiar em ninguém, Ricardo. Nem mesmo em seu pai. Talvez ela temesse que ele fosse cúmplice, ou que estivesse em perigo por causa dele.”

A ideia de que seu pai pudesse estar envolvido em uma conspiração que levou à morte de sua esposa era chocante. Mas as palavras de Eliza não deixavam margem para dúvidas. Havia um jogo de espelhos em andamento, onde as aparências enganavam e a verdade era habilmente escondida.

“Precisamos encontrar o resto que ela escondeu”, disse Ricardo, a determinação voltando a se instalar em seus olhos. “Ela disse que esconderia o resto. Onde ela poderia ter escondido?”

Sofia pensou nas palavras de Eliza: “Talvez a resposta esteja nas escrituras antigas, nos símbolos que ele tanto ama.” Aquilo a fez lembrar das visitas que ela e Ricardo haviam feito à Ala Antiga da biblioteca, um lugar que Roberto Vasconcelos parecia frequentar com frequência.

“A Ala Antiga”, disse Sofia. “Ela mencionou escrituras antigas e símbolos. Talvez o que ela escondeu esteja lá.”

Ricardo assentiu, já se levantando. “Vamos.”

A Ala Antiga da biblioteca era ainda mais sombria e silenciosa do que o escritório de Roberto. O cheiro de poeira e mofo era mais forte, e as prateleiras pareciam se estender até o infinito, repletas de tomos antigos e empoeirados. A luz era escassa, vinda apenas de algumas janelas altas e sujas, projetando sombras dançantes sobre os livros.

Eles começaram a procurar, folheando livros com cuidado, examinando cada canto e fresta. Ricardo parecia ter uma intuição especial para aquele lugar, como se cada objeto ali contivesse um pedaço de sua história. Sofia o observava, fascinada pela forma como ele se movia naquele ambiente, uma mistura de melancolia e ânsia por desvendar o passado.

Foi Ricardo quem encontrou. Escondido atrás de um volume pesado sobre alquimia antiga, havia um compartimento secreto na estante. Dentro, um pequeno baú de madeira escura, incrustado com símbolos que Sofia reconheceu vagamente como aqueles que havia visto em alguns dos pertences de Ricardo.

“Os símbolos”, sussurrou Ricardo, a voz embargada pela emoção. “São os mesmos que minha mãe desenhava. E os mesmos que eu tenho em algumas das minhas joias.”

Com mãos trêmulas, ele abriu o baú. Dentro, não havia ouro ou pedras preciosas, mas sim um conjunto de documentos e um pequeno medalhão de prata, com os mesmos símbolos gravados. Os documentos eram uma mistura de registros financeiros, cartas criptografadas e mapas rudimentares de algumas propriedades. Havia também um relatório detalhado, escrito em uma linguagem técnica que Sofia não compreendia totalmente, mas que parecia descrever transações financeiras ilegais e esquemas de lavagem de dinheiro em larga escala.

“Meu pai estava envolvido em algo criminoso”, disse Ricardo, o tom frio e calculista. “Algo muito grande. E minha mãe descobriu.”

Uma das cartas, assinada apenas com a inicial “V”, era dirigida a Eliza. Nela, uma ameaça velada. “Senhora Vasconcelos, sua intromissão nos assuntos de meu cliente trará consequências desastrosas. Roberto não é o único envolvido nesta rede. Seus esforços para desmascarar a verdade serão em vão. Pense no bem de seu filho.”

Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A carta era uma confirmação assustadora: Eliza estava sendo ameaçada. E o remetente, apenas “V”, poderia ser qualquer um dos sócios de Roberto, ou alguém ainda mais perigoso.

“Quem é V?”, perguntou Sofia, a preocupação em sua voz.

Ricardo olhou para os símbolos no medalhão. “Não sei. Mas se minha mãe os gravou aqui, é porque eles são importantes. Talvez sejam a chave para desvendar quem está por trás de tudo isso.”

Ele pegou um dos mapas. Era um mapa antigo da região, com marcações em vermelho em alguns pontos. Um deles, em particular, chamou a atenção de Sofia. Era um local isolado, uma fazenda abandonada que ficava a poucos quilômetros dali, um lugar que ela conhecia de sua infância, onde havia rumores de atividades estranhas.

“Esta fazenda”, disse Sofia, apontando para o mapa. “Eu a conheço. Dizem que era usada para… atividades ilegais. Rumores de contrabando, talvez.”

Ricardo olhou para o mapa com uma intensidade renovada. “É aqui que devemos ir. Se minha mãe escondeu esses documentos, é porque ela queria que alguém os encontrasse. E se este mapa aponta para lá, é porque a verdade está lá.”

Uma nova onda de perigo se apresentava. A fazenda abandonada era um lugar isolado, e a ideia de ir para lá com Ricardo, sabendo que eles estavam perseguindo um segredo tão perigoso, era ao mesmo tempo assustadora e excitante. A proximidade dele, o fato de estarem compartilhando aquele segredo, intensificava a atração que sentia por ele.

“Ricardo, isso é muito perigoso”, disse Sofia, a voz suave. “Você tem certeza?”

Ele a olhou, seus olhos escuros transmitindo uma mistura de determinação e uma vulnerabilidade que a tocou profundamente. “Minha mãe nos deixou este caminho, Sofia. Eu não posso desistir agora. E eu não quero ir sozinho.”

A implicação era clara. Ele queria a companhia dela. E, para a surpresa de si mesma, Sofia percebeu que também não queria ir sozinha. Aquele perigo compartilhado, a busca por uma verdade que os unia, era mais forte do que o medo.

“Eu vou com você”, disse Sofia, a voz firme, um sorriso surgindo em seus lábios. “Vamos desvendar o que sua mãe tentou nos contar.”

Ricardo sorriu, um sorriso raro e genuíno que iluminou seu rosto. Ele estendeu a mão, e Sofia a pegou. Era um gesto de confiança, de parceria. Naquele momento, em meio à escuridão da Ala Antiga, cercados pelos segredos do passado, eles selaram um pacto. A busca pela verdade os levaria a um lugar perigoso, mas eles iriam juntos, enfrentando os desafios de frente, impulsionados por uma força que transcendia o medo: a força de um amor que começava a florescer em meio às ruínas de um passado sombrio.

E enquanto Ricardo guardava os documentos e o medalhão, um pensamento cruzou a mente de Sofia. O que ela havia sentido ao tocar nos símbolos do baú, uma estranha familiaridade, uma sensação de déjà vu. Era como se aqueles símbolos contivessem uma chave, não apenas para o passado de Ricardo, mas para algo mais profundo, algo que a ligava a ele de uma forma que ela ainda não conseguia compreender. O jogo de espelhos de Roberto Vasconcelos parecia se estender além da mansão, alcançando até mesmo os recantos mais secretos de sua própria alma.

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