Amor à Primeira Vista 156

Capítulo 17 — O Xadrez de Helena e a Fagulha da Rebeldia

por Valentina Oliveira

Capítulo 17 — O Xadrez de Helena e a Fagulha da Rebeldia

O ar na galeria tornou-se denso, carregado de uma tensão palpável. As palavras de Helena, proferidas com a suavidade calculada de uma predadora, ecoavam como um veneno sorrateiro no ouvido de Clara. Era uma oferta sedutora, disfarçada de oportunidade, mas que Clara, com a sua intuição aguçada, percebia como um ardil. A proposta de Helena, algo sobre uma colaboração exclusiva, um projeto que prometia catapultar a carreira de Clara para um patamar estratosférico, era exatamente o tipo de isca que ela adorava lançar. Mas o momento escolhido, a forma como Helena se posicionou entre ela e Rafael, não deixava dúvidas sobre as reais intenções da rival.

"Uma colaboração, Helena?", Clara respondeu, mantendo a voz firme, um fio de aço em sua serenidade. "Eu sou grata pela sua consideração, mas meu trabalho aqui, com Rafael, tem um valor que vai além de qualquer projeção individual." Ela lançou um olhar desafiador a Helena, que retribuiu com um sorriso que não alcançava os olhos.

Rafael observava a troca de olhares, sentindo a teia se apertar. Ele sabia do que Helena era capaz, e a ideia de que ela tentava manipulá-lo através de Clara o enfurecia. Mas a sua própria fraqueza o impedia de agir com a contundência que desejava. Ele estava preso em seu próprio labirinto, e a presença de Helena parecia apenas tornar os corredores mais escuros e tortuosos.

"Oh, Clara, você é tão encantadora em sua lealdade", Helena disse, a voz pingando sarcasmo. "Mas a arte, querida, exige sacrifícios. E às vezes, o que parece um obstáculo pode ser, na verdade, um trampolim. Você não acha, Rafael? Um homem de sua posição certamente entende a importância de mover as peças certas no momento certo." Ela deu um passo à frente, sua atenção agora voltada para Rafael, um convite implícito em seu olhar.

Rafael desviou o olhar, incapaz de suportar a intensidade do escrutínio de Helena. Ele se sentia exposto, vulnerável. As palavras de Clara sobre a sua imaturidade em lidar com os problemas familiares ainda ressoavam em sua mente. Ele havia prometido a si mesmo que mudaria, que não seria mais o homem que se deixava dominar pelas circunstâncias. Mas ali estava ele, paralisado, observando a batalha de inteligências ao seu redor, sem saber como intervir.

"Helena", ele disse, a voz grave. "A carreira de Clara é algo que ela construiu com talento e dedicação. Não precisa de atalhos, muito menos de manipulações." A fagulha da rebeldia começava a acender em seu peito. Ele não permitiria que Helena usasse Clara como peão em seus jogos.

Helena riu, um som seco e sem alegria. "Manipulação, Rafael? Eu chamo de estratégia. E, convenhamos, você não tem sido muito bom em proteger o que é seu, não é mesmo?" Ela se virou para Clara novamente. "Pense bem, Clara. Uma galeria só sua, exposições internacionais, a crítica a seus pés. Tudo isso esperando por você. Basta aceitar o convite."

Clara sentiu a tentação. A possibilidade de ter total liberdade criativa, de não ter que se curvar às expectativas de ninguém, era sedutora. Mas então ela olhou para Rafael, para a luta em seus olhos, para o medo que ele tentava esconder. E ela se lembrou do porquê havia se apaixonado por ele. Não era apenas pelo homem de sucesso que o mundo via, mas pelo homem que se permitia ser vulnerável, que lutava contra seus próprios demônios.

"Não, Helena", Clara respondeu, a voz agora firme como rocha. "Eu não preciso de um convite seu para ter sucesso. E meu lugar é aqui, construindo meu futuro, com quem eu escolhi estar." Ela pegou a mão de Rafael, entrelaçando seus dedos. "Nós."

Um silêncio carregado de significado se instalou. Helena observou a união das mãos, a força que emanava deles, e um brilho de fúria cruzou seus olhos. Ela não estava acostumada a perder.

"Uma escolha tola, Clara", Helena sibilou, a máscara de cordialidade desmoronando por um instante. "E você, Rafael… você vai se arrepender de jogar fora o futuro que seu pai planejou para você por uma paixão passageira."

Com isso, Helena se virou e saiu da galeria, deixando para trás um rastro de incerteza e um desafio implícito. Clara olhou para Rafael, o coração apertado pela ameaça velada de Helena e pelas palavras de Rafael sobre seus conflitos familiares.

"Rafael", ela disse baixinho, a voz carregada de preocupação. "Você está bem?"

Ele apertou a mão dela, os olhos fixos nos dela. "Não sei. Mas sei que não vou deixar que nada nem ninguém nos separe. Eu… eu vou lutar por nós, Clara. De verdade." A decisão parecia ter sido tomada. A fagulha de rebeldia dentro dele havia se tornado uma chama.

"E eu vou lutar com você", Clara prometeu, um sorriso hesitante surgindo em seus lábios. "Mas você precisa me contar tudo. Sem esconder nada. Precisamos ser fortes juntos."

Rafael assentiu, a verdade pesando em sua garganta. "Eu sei. E eu vou. Mas não aqui, não agora. Há um lugar… um lugar onde podemos conversar com calma."

Enquanto Rafael falava, um celular tocou em seu bolso. Era um número desconhecido. Ele atendeu, a expressão mudando de atenção para choque. A voz do outro lado era fria e ameaçadora, e as palavras que ele ouviu fizeram seu sangue gelar. Era uma mensagem direta de seu pai, um ultimato implícito, misturado a avisos sobre as consequências de suas ações. O mundo de Rafael estava prestes a colidir com a realidade implacável de sua família, e Clara, querendo ou não, estava no centro dessa explosão iminente. A rebeldia de Rafael havia sido acesa, mas o xadrez de Helena, com suas jogadas sutis e cruéis, havia deixado um rastro de incerteza e perigo.

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