Cativada pelos seus Olhos 157

Capítulo 18 — O Sussurro da Arte Roubada e a Teia de Enganos

por Valentina Oliveira

Capítulo 18 — O Sussurro da Arte Roubada e a Teia de Enganos

A mansão dos Vasconcelos, outrora um refúgio de paz e inspiração para Isabella, agora parecia um palco de suspense, onde cada sombra escondia um segredo e cada corredor ecoava com a promessa de perigo. Os dias seguintes à conversa com André foram um turbilhão de planos cuidadosamente traçados, de informações coletadas e de uma crescente ansiedade. A ideia de desmantelar a operação de Valério Vasconcelos, de expor sua teia de enganos e, finalmente, de trazer justiça para a família de André, era um motor poderoso que os impelia para frente.

André, em sua persona de empresário bem-sucedido, mas atormentado por um passado sombrio, passava horas em seu escritório, mergulhado em documentos e conversas criptografadas. Isabella, por sua vez, dedicava seu tempo ao ateliê, usando sua arte não apenas como expressão, mas como ferramenta. Ela estudava as poucas imagens das obras de arte roubadas que André conseguiu obter, buscando padrões, detalhes que pudessem delatar sua origem ou seu destino.

O contato de André, o colecionador de arte chamado Ricardo Montenegro, era um homem enigmático e experiente. Ele vivia recluso em uma cobertura luxuosa em Ipanema, com uma coleção particular que era invejável até mesmo para os mais renomados museus. A primeira visita de Isabella e André à sua residência foi como entrar em um santuário. As paredes eram adornadas com obras-primas, e o ar era impregnado de um silêncio reverente, quebrado apenas pelo suave som de música clássica.

Ricardo, um homem de cabelos brancos e olhos penetrantes que pareciam ter visto séculos de história da arte, os recebeu com uma cordialidade reservada. Ele sabia do passado de André e nutria um profundo desprezo por Valério Vasconcelos, a quem via como um verme que se alimentava da beleza e da história.

"Valério é um câncer no mundo da arte," Ricardo disse, enquanto servia um conhaque raro para seus convidados. "Ele não tem respeito pela criação, apenas pelo lucro. A ideia de ele negociar obras roubadas… é a gota d'água."

Isabella mostrou as imagens das obras que André havia conseguido. "Você reconhece alguma delas, Sr. Montenegro?"

Ricardo examinou as fotografias com atenção, passando os dedos sobre as bordas para sentir a textura do papel. Um brilho surgiu em seus olhos. "Sim. Esta paisagem… o traço é inconfundível. É de um mestre holandês do século XVII. E esta escultura… o estilo é renascentista, sem dúvida. E esta… esta é a joia da coroa, se minhas suspeitas estiverem corretas. Uma peça que se acreditava ter sido perdida para sempre."

Ele se levantou e foi até uma tela que cobria uma grande obra em sua parede. Com um gesto dramático, a retirou. Era uma pintura deslumbrante, cheia de luz e cor, retratando uma cena mitológica com uma maestria ímpar.

"Esta é a 'Ninfas ao Luar'," Ricardo revelou, a voz embargada de admiração. "Roubada do Museu de Arte Antiga de Lisboa há dez anos. Acredita-se que foi para as mãos de um colecionador particular na América do Sul. Valério Vasconcelos está envolvido na venda desta peça."

O coração de Isabella disparou. A beleza da obra era avassaladora, mas a informação que ela carregava era ainda mais impactante. Era a prova concreta que eles precisavam.

"Você sabe quem é o comprador?", André perguntou, a voz firme e determinada.

Ricardo balançou a cabeça. "Ainda não. Valério é muito cuidadoso. Mas ele opera através de intermediários. Há um homem, um empresário da indústria da moda, chamado Maurício Lins, que tem sido seu braço direito nas transações mais delicadas. Ele é conhecido por seu bom gosto e por sua discrição. É provável que ele esteja lidando diretamente com o comprador final."

Maurício Lins. O nome soou familiar para Isabella. Ela o vira em algumas revistas de moda, em eventos sociais. Um homem elegante, sempre cercado por pessoas influentes.

"Precisamos de mais informações sobre Maurício," Isabella disse, sua mente artística já arquitetando um plano. "Talvez eu possa me aproximar dele. Usar minha arte como ponte."

André a olhou, um misto de admiração e preocupação em seus olhos. "Você tem certeza, Bella? Ele pode ser perigoso também."

"Eu não tenho medo, André," ela respondeu, com um sorriso confiante. "A arte sempre foi minha arma. E agora, ela será a nossa."

Nos dias seguintes, Isabella frequentou alguns eventos sociais onde sabia que Maurício Lins estaria presente. Ela se apresentou como uma artista emergente, com um portfólio que incluía suas obras mais recentes, inspiradas nas cores e na luz do Rio de Janeiro. A princípio, Maurício a ignorou, como faria com qualquer outra aspirante a artista. Mas Isabella era persistente. Ela deixou um cartão com um convite para visitar seu ateliê, e em seguida, enviou um pequeno quadro, uma aquarela vibrante com a paisagem de uma praia carioca, como um presente.

Maurício, intrigado pela audácia e pela beleza do presente, decidiu aceitar o convite. O ateliê de Isabella, com suas telas vibrantes, seus pigmentos coloridos e o cheiro característico de óleo e terebintina, era um mundo à parte da fria e calculista existência de Maurício. Ele ficou genuinamente impressionado com o talento de Isabella, com a paixão que ela depositava em cada pincelada.

"Você tem um dom raro, Isabella," Maurício admitiu, examinando uma tela onde ela retratava a força das ondas do mar. "Você captura a alma das coisas."

"Eu tento," Isabella respondeu, o olhar fixo no dele, buscando qualquer sinal de hesitação. "A arte para mim é a verdade. É a forma mais pura de expressão. E eu acredito que a arte verdadeira, a que vem do coração, sempre encontra um caminho."

Eles conversaram por horas, sobre arte, sobre inspiração, sobre a beleza efêmera da vida. Isabella, habilmente, direcionou a conversa para o mercado de arte, para as últimas tendências, para os colecionadores mais influentes. Ela mencionou o nome de Valério Vasconcelos de forma casual, como se estivesse apenas comentando sobre um nome que ouvira em alguns círculos.

"Valério Vasconcelos… sim, eu o conheço," Maurício disse, com um leve tom de desdém. "Um homem com um gosto peculiar e uma conta bancária invejável. Ele tem um… interesse especial por peças raras."

"É fascinante como o mundo da arte pode ser tão… intrigante," Isabella comentou, com um sorriso. "Tantas histórias escondidas por trás de cada tela. Tantos segredos."

Maurício a olhou, um leve sorriso brincando em seus lábios. Ele percebeu que Isabella não era apenas uma artista talentosa, mas também uma mulher perspicaz. "A arte, minha cara, é apenas um reflexo da natureza humana. Com toda a sua beleza e toda a sua… complexidade."

Naquele encontro, Isabella conseguiu plantar uma semente. Ela deixou claro que estava interessada em expandir seu círculo de contatos no mundo da arte, em conhecer pessoas que pudessem impulsionar sua carreira. Maurício, por sua vez, viu nela uma ferramenta potencial, uma artista promissora que poderia ser útil em suas futuras empreitadas. Ele a convidou para um evento exclusivo de arte que seria realizado em poucos dias, um evento que reuniria alguns dos mais influentes colecionadores da cidade.

Ao retornar para casa, Isabella compartilhou as novidades com André. "Ele me convidou para um evento. É a nossa chance. Tenho certeza que o comprador estará lá."

André a abraçou com força. "Você fez um trabalho incrível, Bella. Eu sabia que poderia contar com você."

Naquela noite, enquanto a lua brilhava sobre o Rio de Janeiro, Isabella e André se olharam. A teia de enganos de Valério Vasconcelos estava se desvendando, fio a fio, graças à coragem de Isabella e à determinação de André. A arte roubada estava prestes a ser exposta, e a verdade, finalmente, estava vindo à tona. A batalha estava longe de terminar, mas eles haviam dado um passo crucial na direção certa, armados com a beleza da arte e a força de um amor inabalável. O sussurro da arte roubada estava se tornando um grito, e eles estavam prontos para amplificá-lo.

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