Cativada pelos seus Olhos 157

Capítulo 19 — O Baile das Máscaras e a Revelação Cruel

por Valentina Oliveira

Capítulo 19 — O Baile das Máscaras e a Revelação Cruel

O evento de gala organizado por Maurício Lins era o epítome do luxo e da sofisticação. Um baile de máscaras, onde os convidados desfilavam com suas fantasias elaboradas, escondendo suas identidades sob um véu de mistério e poder. O salão, iluminado por lustres de cristal e decorado com arranjos florais exuberantes, parecia um cenário saído de um conto de fadas, mas para Isabella e André, era o campo de batalha onde travariam um dos confrontos mais decisivos.

Isabella, deslumbrante em um vestido de seda azul-noite, com uma máscara de renda negra que realçava o brilho de seus olhos, sentiu um misto de apreensão e excitação. Ao seu lado, André, com um impecável smoking e uma máscara discreta que cobria apenas seus olhos, transmitia uma aura de calma, mas Isabella podia sentir a tensão em sua mão quando ele a segurava.

"Você está linda, meu amor," André sussurrou, o olhar intenso por trás da máscara. "Pronta para começar a festa?"

Isabella sorriu. "Sempre. Mas desta vez, a festa será um pouco diferente."

Eles circularam pelo salão, observando atentamente os convidados. Maurício Lins, com uma máscara dourada que ostentava penas exóticas, recebia seus convidados com um sorriso afável, mas seus olhos vasculhavam o salão com uma inteligência calculista. Isabella o abordou, apresentando-o a André como um amigo que admirava seu trabalho.

"Senhor Lins, é uma honra conhecê-lo," André disse, com a voz cordial e segura. "Minha amiga Isabella tem falado muito sobre sua influência no mundo da arte."

Maurício sorriu, seus olhos percorrendo André com um olhar avaliador. "É um prazer, senhor…?"

"Silveira," André respondeu prontamente. "André Silveira."

"Ah, o senhor Silveira," Maurício ecoou, a máscara disfarçando qualquer reação. "Um nome que não me é estranho. Isabella tem me mostrado suas obras. Você tem um talento excepcional, minha cara."

Enquanto conversavam, Isabella tentava discretamente identificar quem poderia ser o comprador da arte roubada. Ela observava as interações de Maurício, os olhares que ele trocava com outros convidados. Um homem, em particular, chamou sua atenção. Sentado em um canto mais reservado, vestindo uma máscara prateada que o tornava quase etéreo, ele observava tudo com uma intensidade fria e calculista. Havia algo em seu porte, na forma como ele segurava a taça de champanhe, que emanava poder e crueldade.

André percebeu o olhar de Isabella. "Quem você acha que é?", ele sussurrou.

"Aquele ali," Isabella respondeu, indicando o homem com um movimento sutil da cabeça. "Ele parece… importante. E ele está observando Maurício com muita atenção."

André assentiu. Ele havia sido informado por Ricardo Montenegro que o comprador era um indivíduo extremamente discreto, alguém que operava nas sombras. A máscara prateada não o escondia completamente; havia uma aura de perigo ao seu redor.

De repente, Maurício Lins se afastou deles, indo em direção ao homem da máscara prateada. Uma conversa privada se iniciou, com gestos contidos e olhares furtivos. Isabella e André se entreolharam, a certeza crescendo em seus corações. Aquele era o momento.

André pegou o braço de Isabella. "Vamos nos aproximar discretamente. Talvez possamos ouvir algo."

Eles se moveram com cautela, misturando-se à multidão, fingindo admirar uma escultura próxima. A conversa entre Maurício e o homem da máscara prateada era em voz baixa, mas a tensão no ar era quase palpável.

"...a transação está pronta," o homem da máscara prateada disse, sua voz rouca e fria. "As peças estão em meu poder. Quero a confirmação final. E quero ter certeza de que não há imprevistos."

"Tudo está perfeito, senhor Vasconcelos," Maurício respondeu, um tom de submissão em sua voz. "Ninguém está desconfiando de nada. A coleção está segura. E o pagamento foi depositado."

Vasconcelos. O nome reverberou nos ouvidos de Isabella e André como um trovão. Valério Vasconcelos. O homem que destruiu a família de André estava ali, prestes a completar seu plano macabro.

André apertou o braço de Isabella, um sinal de que ele também ouvira. A raiva começou a borbulhar em seu peito, mas ele a controlou. Era hora de agir, não de ceder ao impulso.

Isabella, com a mente de artista sempre atenta aos detalhes, notou um pequeno broche na lapela do terno de Valério Vasconcelos. Era um símbolo intrincado, um falcão estilizado. Ela se lembrou de ter visto aquele símbolo em alguns documentos antigos que André guardava, documentos relacionados aos negócios do pai dele.

"O broche," Isabella sussurrou para André. "É o símbolo do falcão. O mesmo que estava nos documentos do seu pai."

André olhou para o broche, e um lampejo de reconhecimento atravessou seu rosto. A peça que faltava para completar o quebra-cabeça. Valério não era apenas um sócio traidor; ele era o próprio predador que assombrava a família de André.

No momento em que Valério se virou, seus olhos encontraram os de André. Por um instante, sob as máscaras, seus olhares se cruzaram em um duelo silencioso. Valério, com sua frieza habitual, mas com um vislumbre de surpresa, reconheceu André. Ele sabia que o filho de seu antigo sócio estava ali, e que provavelmente sabia demais.

Sem dizer uma palavra, Valério fez um gesto discreto para Maurício. Em segundos, seguranças discretos começaram a se mover na direção de Isabella e André. Era hora de ir embora.

"Precisamos sair daqui, agora," André disse, sua voz firme, mas sem pânico.

Eles se afastaram da multidão, movendo-se com a agilidade que a situação exigia. No momento em que se aproximavam da saída, um dos seguranças tentou interceptá-los. André, com um movimento rápido e calculado, o desarmou, causando uma breve confusão.

"Vá, Bella! Corra!", André ordenou.

Isabella hesitou, mas a determinação nos olhos de André a impeliu. Ela correu em direção à saída, enquanto André enfrentava os seguranças, criando uma distração. Do lado de fora, a chuva havia retornado, mas o céu escuro parecia menos ameaçador do que a atmosfera dentro do salão.

Ela correu para o carro, as mãos tremendo ao tentar ligar o motor. Mal havia dado a partida quando André surgiu, correndo em sua direção, com alguns seguranças ainda em seu encalço. Ele entrou no carro no momento em que um dos seguranças tentava abrir a porta. André acelerou bruscamente, os pneus cantando no asfalto molhado, deixando para trás os homens de Valério.

No silêncio tenso do carro, apenas o som da chuva e da respiração ofegante quebrava o clima. Isabella olhou para André, o rosto marcado pela adrenalina e pela raiva contida.

"Ele era o homem que destruiu seu pai, André. Valério Vasconcelos," Isabella disse, a voz embargada. "E ele estava ali, com a arte roubada. Ele estava prestes a fechar o negócio."

André assentiu, o olhar fixo na estrada, a mandíbula tensa. "Eu o vi. Eu o ouvi. Aquele broche… eu me lembro dele. Ele é o responsável por tudo." Uma onda de emoção o atingiu, a dor de anos de sofrimento se misturando à fúria. "Ele pensou que podia se esconder para sempre. Que podia comprar e vender a verdade. Mas ele estava enganado."

"O que faremos agora?", Isabella perguntou, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros.

"Agora," André disse, com uma determinação fria em sua voz, "vamos expor a verdade. Vamos mostrar ao mundo quem Valério Vasconcelos realmente é. E vamos recuperar o que é nosso. O legado do meu pai."

Ele parou o carro em um local seguro, longe de olhares curiosos. Desligou o motor, e o silêncio voltou a reinar, apenas pontuado pela chuva incessante. André se virou para Isabella, seus olhos azuis, agora mais intensos do que nunca, fixos nos dela.

"O baile de máscaras acabou, Bella. Mas a nossa batalha está apenas começando. E eu não quero mais fugir. Quero lutar. Com você ao meu lado."

Isabella estendeu a mão e acariciou seu rosto. "Sempre, André. Sempre."

Naquele momento, sob o manto escuro da noite chuvosa, a revelação cruel havia unido ainda mais Isabella e André. O véu de mistério que cobria Valério Vasconcelos havia sido rasgado, e a promessa de justiça ecoava mais forte do que nunca em seus corações. A arte, que deveria celebrar a beleza, havia sido palco de uma verdade sombria, mas essa verdade agora seria o combustível para a luta deles. Eles haviam visto o predador, e agora sabiam exatamente quem ele era.

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