Amores que Doem 159
Capítulo 1
por Camila Costa
Absolutamente! Prepare o coração, porque as páginas de "Amores que Doem 159" estão prestes a desabrochar em toda a sua glória dramática e apaixonada. Aqui estão os primeiros cinco capítulos, escritos com a alma de um romancista brasileiro que ama as complexidades do coração humano.
Capítulo 1 — O Perfume da Saudade e o Brilho da Inesperança
A brisa que beijava a janela do quarto de Helena trazia consigo o aroma inconfundível do jasmim, um perfume que ela associava invariavelmente à sua infância em Ouro Preto, às tardes preguiçosas na varanda da casa dos avós, e a um amor que se partira como um vaso de barro em chão de pedra. Helena, agora uma advogada de sucesso em São Paulo, ainda sentia o peso daquela lembrança como um nó na garganta. O relógio na mesa de cabeceira marcava quase meia-noite. A cidade lá fora pulsava, um monstro de luzes e ruídos que parecia alheio à melancolia que a envolvia.
Ela suspirou, passando a mão pelos cabelos escuros que emolduravam um rosto de beleza delicada, mas marcada por uma certa resignação. A vida lhe dera muito, mas tirara o que mais amava, deixando um vazio que nenhum sucesso profissional conseguia preencher. Na tela do computador, um documento importante aguardava sua revisão final, mas sua mente divagava por caminhos tortuosos, repletos de rostos e vozes que o tempo teimava em não apagar.
De repente, um estrondo abalou o silêncio. Um trovão distante, prenunciando a tempestade que se formava no céu da metrópole. Helena se levantou, sentindo um arrepio que não era apenas do frio que começava a se instalar. Era a sensação de que algo estava prestes a mudar, uma premonição que a assustava e, ao mesmo tempo, a intrigava.
Ela caminhou até a varanda, as luzes da cidade refletindo em seus olhos verdes, que pareciam carregar o peso de segredos antigos. A chuva começou a cair, fina no início, mas logo engrossando em grossos pingos que castigavam o vidro. Cada gota parecia lavar um pouco da poeira do cotidiano, expondo a fragilidade por trás da armadura de força que Helena usava.
"Por que essa noite se sente diferente?", ela murmurou para si mesma, o som de sua voz quase engolido pelo barulho da chuva. Ela sabia que não era apenas a tempestade. Era a proximidade de um evento que a assombrava e a atraía em igual medida: o leilão da antiga propriedade de sua família, a Fazenda das Acácias, que seria realizado em breve. A fazenda, palco de tantas memórias felizes e de um amor que floresceu e murchou com a mesma rapidez, estava prestes a ser vendida para estranhos.
Um telefone tocou, estridente, tirando-a de seus devaneios. Era seu celular, o número desconhecido. Com um misto de apreensão e curiosidade, Helena atendeu.
"Alô?", sua voz saiu embargada.
Uma voz grave e segura do outro lado da linha, com um sotaque sulista suave que ela reconheceu instantaneamente, respondeu: "Senhorita Helena Montenegro?"
O coração de Helena deu um salto. Aquele sotaque... era de Minas Gerais. "Sim, sou eu. Quem fala?"
"Meu nome é Rafael Machado. Eu sou o advogado que está cuidando do processo de inventário e da venda da Fazenda das Acácias."
Helena apertou o aparelho contra o ouvido, sentindo o sangue gelar nas veias. "Senhor Machado? Eu... eu pensei que o prazo para interessados já tivesse se esgotado."
"Na verdade, sim. Mas surgiu um novo interessado, com uma proposta bastante... fora do comum. E que, francamente, está nos deixando em uma situação delicada. Ele insiste em conversar diretamente com a proprietária."
Helena sentiu um nó na garganta. "Fora do comum? Do que se trata?"
"Ele deseja adquirir a fazenda. Mas com uma condição. Ele quer um encontro com a senhora para... negociar pessoalmente os termos. E ele não revelará o motivo de tal exigência antes de falar com a senhora."
A frieza percorreu a espinha de Helena. Um encontro pessoal? Com um estranho que queria comprar a fazenda de sua família? Algo estava muito errado. Ou talvez... algo estivesse prestes a se encaixar.
"Eu não entendo. Quem é esse homem? Por que ele faria isso?"
"Ele se apresentou como Daniel Valente. E quanto aos motivos... ele foi bastante evasivo. Apenas disse que tem uma ligação antiga com a propriedade e que precisa garantir que ela vá para as mãos certas."
Daniel Valente. O nome soou como um eco em sua mente. Um nome que ela não ouvia há anos, mas que, de alguma forma, parecia familiar. Uma memória incômoda, como um fantasma que se recusa a desaparecer.
"Onde e quando seria esse encontro?", Helena perguntou, a voz tingida de uma curiosidade mórbida.
"Ele sugeriu amanhã. No seu escritório, às dez da manhã. Ele disse que é a única forma de ele se sentir seguro para revelar seus planos."
Helena olhou para a tempestade lá fora, as luzes da cidade agora distantes, abafadas pela chuva. A saudade de Minas Gerais, do cheiro de terra molhada, do silêncio das montanhas, a invadiu com força total. Era como se o destino estivesse batendo à sua porta, personificado em um homem misterioso chamado Daniel Valente.
"Eu estarei lá", Helena respondeu, o coração batendo descompassado. "Mas tenho certeza de que o senhor Machado terá que me dar muitos detalhes sobre esse senhor Valente antes disso."
"Eu farei o meu melhor, senhorita Montenegro. Mas confie em mim, este homem... ele tem um certo magnetismo. E uma convicção que me deixou intrigado."
O telefonema terminou. Helena ficou ali, parada na varanda, o corpo vibrando com uma mistura de medo e excitação. A tempestade lá fora parecia espelhar a que se formava dentro dela. Daniel Valente. Seria ele a chave para desvendar um mistério? Ou apenas mais um capítulo doloroso em sua história? Ela não sabia, mas algo lhe dizia que a manhã seguinte seria o início de uma jornada que a levaria de volta às suas raízes, e talvez, a um amor que ela pensara ter perdido para sempre.