Amores que Doem 159

Amores que Doem 159

por Camila Costa

Amores que Doem 159

Capítulo 16 — O Eco das Sombras no Jardim Secreto

O sol da manhã banhava o casarão em tons de ouro, mas para Helena, a luz parecia apenas realçar as sombras que teimavam em se espalhar em seu coração. A noite anterior, com a revelação de Miguel sobre o sacrifício de seu pai e o mistério envolto na figura do “Guardião”, havia deixado um rastro de turbulência em sua alma. Ela se olhava no espelho, os olhos ainda marcados pela insônia, o reflexo uma estranha que parecia carregar o peso de décadas de segredos não contados.

“Bom dia, Helena”, a voz suave de Clara ecoou pelo corredor. A governanta, com seu eterno ar de serenidade, trazia uma bandeja com café fumegante e pães recém-assados. “Dormiu bem?”

Helena forçou um sorriso. “Como um anjo, Clara. Apenas… pensando.”

Clara pousou a bandeja na penteadeira, seus olhos experientes perscrutando o rosto de Helena com uma gentileza que a desarmava. “Os pensamentos às vezes pesam mais que o sono, minha querida. Sente-se, coma um pouco. A vida continua, mesmo que a gente se sinta parada.”

Enquanto tomava o café, Helena observava Clara arrumar a cama, o movimento preciso e familiar. Havia algo em Clara, uma calma inabalável, que sempre a reconfortava. “Clara, você… você se lembra do meu pai? Do Dr. Antônio?”

Clara parou, um leve tremor nas mãos que seguravam a colcha. “Lembro-me, sim. Um homem bom, muito dedicado aos seus estudos. E à sua família.”

“Ele falava muito sobre o trabalho dele? Sobre alguma… pesquisa importante?” Helena sentia-se como uma detetive, vasculhando as lembranças alheias em busca de pistas.

Um suspiro escapou dos lábios de Clara. “Ele era um homem reservado, Helena. Amava sua família acima de tudo, mas seu trabalho era seu universo. Lembro-me de vê-lo muitas vezes trancado em seu escritório, rodeado de livros e papéis. Às vezes, ele parecia… preocupado. Mas nunca dizia o motivo.”

Preocupado. A palavra ecoou na mente de Helena. Preocupado com o quê? Com quem? O Guardião. A figura que Miguel descrevera como protetora de seu pai e, por extensão, dela.

Mais tarde naquele dia, Helena sentiu-se compelida a revisitar o jardim secreto. O lugar onde tudo parecia ter começado, onde as memórias de sua infância se misturavam com os fragmentos recentes de verdade. A roseira que seu pai tanto amava parecia ainda mais exuberante, as pétalas de um vermelho profundo desabrochando sob o sol. Ela tocou uma delas, sentindo a maciez aveludada sob os dedos.

Foi então que percebeu algo diferente. Uma pequena pedra, incrustada na base da roseira, parecia fora do lugar. Não era uma pedra comum; tinha um relevo sutil, quase imperceptível. Com os dedos, Helena a moveu. E um pequeno compartimento secreto se abriu.

Dentro, um envelope antigo, amarelado pelo tempo. O nome de seu pai, Antônio, escrito em sua caligrafia elegante, estava gravado na frente. O coração de Helena disparou. Era um novo segredo, desenterrado das entranhas do passado.

Com as mãos trêmulas, ela abriu o envelope. Dentro, havia uma única página, escrita com a mesma letra do seu pai. A mensagem era curta, mas carregada de uma dor que Helena sentiu percorrer suas veias.

“Minha querida Helena,

Se você encontrar esta carta, é porque o pior aconteceu. O tempo é meu inimigo, e as sombras que me cercam se tornam cada vez mais densas. Preciso te pedir um último sacrifício, o mais difícil de todos: esquecer. Esquecer-me, esquecer tudo que te ligue a mim, para que você possa viver em paz.

Há pessoas que não querem a verdade revelada. Pessoas que se beneficiam da minha ausência, da sua ignorância. O Guardião te protegerá, mas você precisa confiar nele, mesmo que ele pareça um estranho. Ele entende. Ele sabe.

Eu te amo mais que a própria vida. Perdoa-me por tudo que não pude te dar, por tudo que te tirei.

Com todo o meu amor, Seu pai, Antônio.”

Lágrimas quentes rolaram pelo rosto de Helena. Esquecer? Como ela poderia esquecer o homem que a criou, que a amou incondicionalmente? A dor era lancinante, uma ferida aberta em sua alma. O Guardião. O que ele sabia? Quem eram essas pessoas que se beneficiavam de sua ignorância?

Miguel apareceu no jardim, atraído pela luz do sol que entrava pela abertura e pela quietude incomum de Helena. Ele a viu ajoelhada, a carta nas mãos, o rosto banhado em lágrimas.

“Helena? O que houve?” ele se aproximou com cautela, o tom de voz tingido de preocupação.

Helena levantou o olhar, os olhos vermelhos e marejados. Ela estendeu a carta para ele. “Meu pai… ele sabia. Ele sabia que algo estava errado. Ele me pediu para esquecer. Para me esquecer.”

Miguel pegou a carta, seus olhos lendo as palavras em silêncio. A cada linha, sua expressão se tornava mais sombria. Ele entendia a dor dela, a confusão. “Ele te amava, Helena. Mais do que tudo. E ele queria te proteger.”

“Proteger de quê, Miguel? De quem? E o que você sabe sobre isso? Quem é esse Guardião?” A voz de Helena tremia, uma mistura de raiva e desespero.

Miguel suspirou, o peso de seus próprios segredos visível em seus ombros. “Eu sei o que meu avô me contou, Helena. O Guardião… era um amigo de seu pai. Alguém que ele confiou para cuidar de você, caso algo acontecesse. Alguém que sabia da verdade sobre… o que aconteceu com ele.”

“E o que aconteceu com ele, Miguel? Diga-me a verdade!” Helena implorou, a voz embargada.

Miguel olhou para ela, os olhos escuros encontrando os dela, cheios de uma dor que ele também carregava. “Ele foi traído, Helena. Traído por alguém que ele considerava amigo. Alguém que buscava o poder e a riqueza que seu pai havia construído. E para isso, ele não hesitou em tirar a vida dele.”

A revelação atingiu Helena como um golpe físico. Traído? Morto? O mundo dela desabou. A figura de seu pai, antes um farol de amor e segurança, agora era envolta em uma névoa de tragédia e injustiça.

“Por quê?” ela sussurrou, a voz frágil.

“Por ganância, Helena. A ganância é um monstro que corrói a alma e cega o coração. E seu pai, com sua genialidade e sua fortuna, era um alvo.” Miguel segurou as mãos dela, apertando-as com força. “Mas a verdade, Helena, nunca morre. E eu estou aqui para te ajudar a encontrá-la. O Guardião também. Juntos, vamos honrar a memória do seu pai.”

O sol continuava a brilhar, mas no jardim secreto, as sombras pareciam ter se adensado, carregadas pelo peso de mais uma verdade dolorosa. Helena sentiu um misto de desolação e determinação. O caminho seria longo e árduo, mas ela não estava mais sozinha. O eco das sombras do passado ressoava em seu coração, mas agora, ela também sentia o pulsar de uma nova esperança, alimentada pela promessa de justiça.

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