Amores que Doem 159

Capítulo 17 — O Sussurro da Verdade na Velha Biblioteca

por Camila Costa

Capítulo 17 — O Sussurro da Verdade na Velha Biblioteca

A carta de seu pai e as palavras de Miguel pesavam sobre Helena como uma mortalha. A tranquilidade superficial que ela tentava manter desmoronava a cada instante, revelando a profundidade da dor e da revolta que a consumiam. O casarão, antes um refúgio de memórias, agora parecia um mausoléu, cada canto ecoando a tragédia que se desenrolara nas sombras.

“Eu não consigo acreditar. Meu pai… assassinado?” A voz de Helena era um fio, quase inaudível, enquanto ela passeava pela biblioteca, as mãos deslizando pelos lombos dos livros antigos, buscando um conforto que não encontrava. O cheiro de papel envelhecido e couro parecia sufocante.

Miguel observava-a de perto, a expressão de quem carrega o peso de segredos antigos. Ele havia passado a noite relembrando os fragmentos de histórias contadas por seu avô, os murmúrios sobre a rivalidade entre seu próprio avô e o pai de Helena, uma rivalidade que parecia ter um lado sombrio e perigoso.

“As palavras dele são claras, Helena. Ele temia por sua vida. E se preparou para o pior.” Miguel se aproximou dela, tocando suavemente seu ombro. “Ele te amava tanto que preferiu te poupar da dor, mesmo que isso significasse te afastar dele.”

Helena se virou para ele, os olhos azuis marejados de lágrimas não derramadas. “Poupou? Ele me deixou órfã, Miguel! Ele me deixou à mercê de quem quer que tenha feito isso com ele! E agora, essa figura misteriosa, o Guardião… quem é ele? Por que meu pai confiaria meu destino a um estranho?”

“O Guardião era um homem de confiança de seu pai, Helena. Um amigo leal. Alguém que ele sabia que nunca o trairia. E que, por lealdade, cuidaria de você.” Miguel sentiu a necessidade de ser honesto, mas a verdade completa ainda estava envolta em camadas de mistério. Seu avô havia sido um jogador, um homem ambicioso, e ele temia que a história de seu próprio pai estivesse intrinsecamente ligada à morte do pai de Helena.

“Um amigo? Um amigo que não conseguiu protegê-lo?” A voz de Helena se elevou, a dor se misturando com a frustração. “E se esse amigo falhou, Miguel? E se ele não for capaz de me proteger agora?”

“Ele é capaz. E eu também. Meu avô… ele me contou algumas coisas.” Miguel hesitou, a dor da revelação iminente pesando em sua garganta. “A morte do seu pai não foi um acidente, Helena. Houve ganância, traição. Alguém perdeu muito quando seu pai foi tirado de nós.”

Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ganância. Traição. As palavras eram como facas afiadas perfurando sua alma. “Quem, Miguel? Quem faria isso? Quem se beneficiaria com a morte do meu pai?”

Miguel olhou para os olhos dela, a sinceridade em seu olhar era palpável. “Eu não tenho todas as respostas, Helena. Mas sinto que meu próprio avô pode ter tido um papel nisso. Ele era um homem ambicioso, e a rivalidade entre ele e seu pai era conhecida. Ele sempre invejou o sucesso e a inteligência do Dr. Antônio.”

A revelação atingiu Helena como um raio. A família de Miguel? A possibilidade era aterradora, mas também explicava a cautela e o silêncio que Miguel parecia carregar.

“Seu avô?” Helena sussurrou, a voz embargada pela incredulidade e pela dor. “Mas… por quê?”

“Por poder, Helena. Por dinheiro. Seu pai era um homem brilhante, e ele estava perto de descobrir algo que poderia abalar o mundo. Algo que colocaria em risco os planos de muitos.” Miguel sentiu o peso da história de sua família sobre seus ombros, uma herança sombria que ele agora precisava confrontar. “Meu avô sempre foi um homem de muitos segredos. Ele admirava seu pai, mas também o temia. E a inveja pode ser uma força destrutiva.”

Helena se afastou, precisando de espaço para processar aquela nova e devastadora informação. A figura de Miguel, que antes representava um porto seguro, agora era também uma fonte de incerteza. Como ela poderia confiar nele, se a sombra de sua família pairava sobre a morte de seu pai?

“Eu não sei mais em quem acreditar, Miguel.” As palavras escaparam de seus lábios com um suspiro resignado. “Tudo que eu pensava que era verdade… se desfez.”

“Eu sei que é difícil.” Miguel segurou o rosto dela com as mãos, os polegares acariciando suas bochechas. “Mas eu estou aqui. E eu vou te ajudar a encontrar a verdade. Não importa o quão dolorosa ela seja. O seu pai não merecia isso. E você merece justiça.”

Naquele momento, Helena sentiu uma faísca de esperança se acender em meio à escuridão. A sinceridade nos olhos de Miguel, a dor compartilhada que ele demonstrava, eram indícios de que, talvez, ele pudesse ser o aliado que ela precisava.

“Onde começamos?” Helena perguntou, a voz mais firme agora, a decisão começando a se formar em seu coração.

Miguel sorriu levemente, um sorriso de compreensão e determinação. “Na fonte. Na biblioteca. Seu pai deixou pistas. Ele era um homem inteligente, e sabia que um dia alguém precisaria seguir seus passos. Precisamos vasculhar cada livro, cada documento, cada marginalia. Ele não teria escrito aquela carta se não tivesse deixado um caminho para ser seguido.”

Os dois passaram o resto do dia imersos na vasta coleção de livros do casarão. Cada tomo era um portal para o passado, cada página um convite para desvendar os segredos. Helena sentia a presença de seu pai em cada livro, em cada manuscrito antigo. Ela imaginava-o ali, naquele mesmo lugar, anos atrás, talvez escrevendo as pistas que agora ela buscava com tanta avidez.

Ela encontrou um diário antigo, encadernado em couro escuro, escondido em um compartimento secreto dentro de um livro sobre botânica. O nome de seu pai estava gravado na capa. O coração de Helena palpitou com a expectativa.

“Miguel, veja!” ela exclamou, mostrando o diário.

Com as mãos trêmulas, ela o abriu. As páginas estavam repletas de anotações, não apenas sobre suas pesquisas científicas, mas também sobre suas preocupações, seus medos e, mais importante, suas suspeitas. Ele escrevia sobre um colega de trabalho, um homem chamado Dr. Armando Viana, cujas ambições desmedidas e métodos questionáveis o preocupavam cada vez mais.

“Dr. Armando Viana…” Helena repetiu o nome, sentindo uma estranha familiaridade. “Eu já ouvi esse nome antes. Naquelas conversas que Clara mencionou…”

Miguel se aproximou, lendo as anotações por cima do ombro dela. “Meu avô também mencionou esse nome. Ele disse que Viana era um homem perigoso, que tinha acesso a informações privilegiadas. E que ele não media esforços para conseguir o que queria.”

Uma peça crucial do quebra-cabeça se encaixou. Dr. Armando Viana. O nome que antes era um murmúrio distante, agora se materializava como uma ameaça real. As pistas que seu pai deixou estavam começando a iluminar o caminho, e Helena sentiu uma onda de determinação invadi-la.

“Ele não vai mais se esconder, Miguel”, Helena declarou, a voz agora firme e resoluta. “Nós vamos expor a verdade. Pelo meu pai. Pela justiça.”

Miguel assentiu, um brilho de esperança em seus olhos. “Juntos, Helena. Vamos encontrar Armando Viana. E vamos desmascarar esse monstro.”

A velha biblioteca, antes um lugar de silêncio e recolhimento, agora ressoava com o sussurro da verdade, ecoando os segredos de um passado trágico e a promessa de um futuro de justiça. Helena sabia que a jornada seria longa, mas ela não estava mais perdida na escuridão. Ela tinha um propósito, um aliado, e as pistas que a guiariam para a verdade.

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