Amores que Doem 159

Capítulo 18 — O Encontro Inesperado e o Aviso Cruel

por Camila Costa

Capítulo 18 — O Encontro Inesperado e o Aviso Cruel

A descoberta do diário do Dr. Antônio e a menção ao nome de Armando Viana transformaram a atmosfera no casarão. O que antes era uma busca por memórias perdidas, agora se tornara uma caçada por um criminoso. Helena, impulsionada pela necessidade de justiça para seu pai, sentia uma energia renovada, mesclada a uma ansiedade crescente. Cada sombra parecia esconder um perigo, cada som desconhecido a fazia sobressaltar.

Naquela tarde, enquanto Helena e Miguel revisavam as anotações do diário em busca de mais pistas sobre Armando Viana, um barulho inesperado soou na entrada do casarão. Um carro preto, luxuoso e moderno, parou bruscamente em frente ao imponente portão de ferro.

“Quem será?”, Miguel murmurou, olhando pela janela da biblioteca. Seus instintos de proteção de Helena afloraram imediatamente. Ele sentiu um aperto no peito, uma premonição sombria.

Helena se aproximou, o coração batendo acelerado. “Será que é ele? Armando Viana?”

“É improvável que ele venha aqui assim, de repente. Mas… não podemos descartar nada.” Miguel se levantou, a postura tensa. “Fique aqui. Eu vou ver quem é.”

Miguel saiu da biblioteca, descendo as escadas com passos firmes. Helena o seguiu à distância, a curiosidade misturada ao medo a impulsionando. Ao chegar ao hall principal, ela viu Miguel abrir a pesada porta de madeira.

Do lado de fora, um homem alto e impecavelmente vestido esperava. Seus cabelos eram grisalhos nas têmporas, e seus olhos, de um azul penetrante, carregavam uma frieza calculista. Ele emanava uma aura de poder e autoridade, mas também de algo perigoso e obscuro. Era Armando Viana.

“Dr. Viana”, Miguel disse, o tom de voz medido, mas firme. “O que o traz aqui?”

Um sorriso sutil e amargo cruzou os lábios de Armando Viana. “Miguel. Que surpresa agradável encontrá-lo aqui. Ou devo dizer, que surpresa desagradável, dada a circunstância.” Sua voz era suave, quase melódica, mas carregava um tom de ameaça velada. “Soube que a jovem Helena está de volta. E que tem explorado o passado de seu estimado pai.”

Helena sentiu um arrepio gelado. A menção ao seu pai, a frieza nos olhos de Viana, tudo confirmava suas suspeitas. Ele sabia. Ele sabia que ela estava descobrindo a verdade.

“O que você quer, Dr. Viana?”, Helena perguntou, dando um passo à frente, a coragem substituindo o medo por um instante.

Armando Viana desviou o olhar de Miguel para Helena, seus olhos a percorrendo de cima a baixo com um ar de desdém. “Ah, a filha do grande Antônio. Herdeira de um legado que, francamente, deveria ter sido meu. Eu esperava que você fosse mais… discreta, minha cara. Que respeitasse a memória de seu pai, mantendo certos segredos enterrados.”

O cinismo na voz de Viana era inconfundível. Ele falava como se tivesse direito ao legado de seu pai.

“Segredos que você ajudou a criar, não é mesmo, Dr. Viana?”, Helena retrucou, a raiva crescendo em seu peito. “Você está envolvido na morte do meu pai!”

Armando Viana riu, um som seco e sem alegria. “Tão jovem e tão impulsiva. Seu pai era um gênio, sem dúvida. Mas ele era ingênuo. Ele acreditava na bondade humana, na lealdade. Coisas que, infelizmente, não existem no mundo em que vivemos. O mundo dos negócios. O mundo do poder.”

“Você o matou por poder?”, Helena perguntou, a voz embargada.

“Eu apenas… facilitei as coisas”, Viana disse, com um brilho perigoso nos olhos. “Seu pai estava prestes a revelar algo que mudaria o rumo de muitas fortunas. Algo que colocaria em risco a estabilidade de empresas e pessoas influentes. Incluindo a mim. Ele era um obstáculo. E obstáculos, minha cara Helena, precisam ser removidos.”

Miguel se posicionou entre Helena e Viana, a tensão no ar palpável. “Você não vai ameaçá-la, Viana. Não aqui. Não agora.”

Armando Viana deu um passo para trás, levantando as mãos em um gesto de falsa rendição. “Eu não vim para ameaçar, Miguel. Vim para avisar. Um aviso amigável, digamos. Continue com suas investigações, e você descobrirá que a verdade pode ser um fardo pesado demais para carregar. Há inimigos que você não pode ver, pessoas que agem nas sombras. Pessoas que não hesitarão em fazer de tudo para silenciar você, assim como fizeram com seu pai.”

Ele olhou para Helena com um sorriso frio. “Eu sugiro que você pare de remexer no passado. Volte para sua vida tranquila, esqueça o que seu pai pode ter tentado te dizer. O Guardião pode ter te protegido no passado, mas ele não poderá fazer isso para sempre. E eu não serei tão paciente quanto fui com seu pai.”

Com essas palavras, Armando Viana se virou e caminhou de volta para seu carro. A porta se fechou com um clique suave, mas o som reverberou como um trovão na mente de Helena. Ele estava avisando-a. Ele estava dizendo que sabia sobre o Guardião.

Assim que o carro de Viana desapareceu na estrada, Helena se virou para Miguel, o rosto pálido. “Ele sabe. Ele sabe sobre o Guardião.”

Miguel a abraçou, sentindo o tremor dela. “Eu sei. Mas isso significa que estamos no caminho certo. Ele está com medo. Medo de ser descoberto.”

“Mas ele é tão perigoso, Miguel! Ele falou como se… como se tivesse o poder de decidir quem vive e quem morre.” Helena sentiu um nó na garganta. A frieza e a crueldade de Armando Viana a assustavam profundamente.

“Ele tem poder, Helena. Um poder construído sobre mentiras e crimes. Mas ele não é invencível. Seu avô me contou sobre a rede de contatos de Viana, sobre seus negócios escusos. Há pessoas que o odeiam, pessoas que ele arruinou.” Miguel tentava transmitir segurança, mas a gravidade da situação era inegável.

“E o Guardião? O que ele nos disse sobre o Guardião? Como ele sabe sobre o Guardião?” Helena sentiu uma nova onda de preocupação. A figura enigmática que deveria protegê-la parecia estar sendo ameaçada também.

“Meu avô me disse que o Guardião é alguém que estava muito próximo do seu pai. Alguém que sabia de tudo. E que Viana sempre tentou descredibilizá-lo, desacreditá-lo. Talvez Viana pense que o Guardião é apenas uma figura fantasmagórica, um conto para assustar crianças.” Miguel tentou encontrar um lado positivo. “Mas nós sabemos que ele é real. E ele está nos observando.”

Helena olhou para a porta por onde Armando Viana havia saído, a imagem de seu sorriso cruel gravada em sua mente. O aviso dele era um chamado à ação. Não podiam recuar agora. A verdade sobre a morte de seu pai precisava vir à tona, não importa o quão perigosa fosse a jornada.

“Ele está errado em uma coisa, Miguel”, Helena disse, a voz ganhando uma nova força. “Eu não vou esquecer. Eu não vou parar. Meu pai merece justiça. E eu vou encontrá-la. E se Armando Viana acha que pode me assustar… ele está muito enganado.”

Miguel olhou para ela, admirado com sua coragem. “Eu sei que você vai, Helena. E eu estarei ao seu lado em cada passo do caminho.”

A ameaça de Armando Viana havia sido um balde de água fria, mas também reacendeu a chama da determinação em Helena. O Guardião estava em perigo, e ela precisava agir com mais urgência do que nunca. A caçada por Armando Viana havia se tornado pessoal, uma corrida contra o tempo e contra um inimigo implacável. O aviso cruel de Viana serviu como um lembrete sombrio: a verdade tinha um preço, e ela estava disposta a pagá-lo.

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