Amor Clandestino 160

Amor Clandestino 160

por Camila Costa

Amor Clandestino 160

Capítulo 1 — O Voo da Borboleta Ferida

O aroma forte de terra molhada e as flores de jasmim invadiam o quarto pela janela entreaberta, anunciando a tempestade que se aproximava. Isabella suspirou, um som quase inaudível, enquanto alisava a seda fria do vestido que cobria suas pernas esguias. A lua cheia, um disco pálido e melancólico no céu ameaçador, era a única testemunha de sua angústia. Do lado de fora, os trovões começavam a rugir, ecos distantes de um conflito que parecia se formar também em seu peito.

Ela se olhou no espelho antigo, de moldura ornamentada, e viu os olhos verdes, antes tão cheios de vida, agora opacos, tingidos por uma tristeza profunda. As olheiras, um lembrete constante das noites insones, marcavam sua pele clara. Havia uma beleza inegável em Isabella, uma delicadeza que parecia esculpida em mármore, mas agora essa beleza estava obscurecida pela dor.

“O que eu faço, Deus?” sussurrou para o reflexo, a voz embargada.

Na noite anterior, a vida dela havia mudado drasticamente. O jantar de noivado com Arthur, o homem que sua família escolhera para ela, o homem que representava segurança e prosperidade, havia se transformado em um palco de humilhação e desespero. Arthur, um homem de negócios bem-sucedido, mas frio e calculista, revelara sua verdadeira natureza. Ele não a amava; ele a via como uma peça em seu jogo de poder, uma aliada valiosa para consolidar seu império.

E o pior, ele sabia. Sabia do seu amor secreto, do amor que ardia em seu peito como uma chama proibida por Miguel, o homem que ela não deveria nem sequer olhar. Arthur, em sua crueldade habitual, havia insinuado que Miguel estaria em perigo se Isabella ousasse desobedecê-lo.

Isabella apertou os punhos, as unhas cravando-se nas palmas das mãos. O medo era um nó gelado em seu estômago, mas o amor por Miguel era uma força avassaladora que a impulsionava a desafiar qualquer coisa. Miguel era o sol em sua vida, a brisa suave que acalmava sua alma, o fogo que aquecia seu corpo. Ele era tudo o que Arthur não era: gentil, apaixonado, corajoso.

Ela lembrou-se do último encontro deles, nas ruínas da antiga capela escondida na floresta. O luar banhava seus rostos, as estrelas cintilavam como diamantes no veludo negro do céu. Miguel a havia beijado com uma intensidade que a fez perder o fôlego, um beijo que prometia um futuro que agora parecia impossível.

“Miguel,” ela murmurou, o nome dele um sopro quente nos lábios.

O vento soprou forte, agitando as cortinas. Um raio iluminou o quarto por um instante, revelando sombras dançantes. Isabella se encolheu, sentindo-se pequena e vulnerável. Ela era uma borboleta com asas rasgadas, presa em uma teia de convenções sociais e ameaças veladas.

A porta se abriu suavemente e sua mãe, Dona Helena, entrou. Helena era uma mulher elegante, mas com um semblante sempre tenso, refletindo as pressões da alta sociedade e a necessidade de manter as aparotas. Seus cabelos prateados estavam presos em um coque impecável, e seus olhos, embora cansados, ainda possuíam um brilho de autoridade.

“Isabella, minha filha,” disse Helena, a voz suave, mas firme. “Você ainda está acordada? O Arthur ligou. Ele quer saber se você está se sentindo melhor. Ele está preocupado.”

Isabella virou-se, tentando disfarçar a apreensão em seu olhar. “Estou bem, mamãe. Apenas… um pouco indisposta.”

Helena se aproximou, sentando-se na beira da cama. Seus dedos tocaram o ombro da filha com um gesto carinhoso, mas que não alcançava o fundo de sua dor. “Arthur é um homem bom, Isabella. Ele vai cuidar de você. Este casamento será o melhor para todos nós. Você sabe o quanto a família precisa disso.”

As palavras de Helena eram como punhais. Ela falava de necessidade, de dever, de conveniência. Isabella ansiava por falar de amor, de paixão, de alma gêmea. Mas como explicar a sua mãe que o coração dela pertencia a outro? Que a vida que ela estava prestes a construir era uma mentira?

“Mamãe, eu não… eu não tenho certeza se amo o Arthur,” Isabella confessou, a voz trêmula.

Helena suspirou, um som de resignação. “Amor é algo que se constrói, Isabella. A atração inicial se esvai. O que resta é a estabilidade, o respeito, a segurança. Arthur oferece tudo isso. E você… você precisa pensar em nosso nome, em nosso futuro.” Ela fez uma pausa, seus olhos buscando os da filha. “Eu sei que isso não é o que você sonhava. Mas a vida nem sempre nos dá o que queremos. Às vezes, nos dá o que precisamos.”

Isabella sentiu uma onda de desespero. Sua mãe, sua confidente, parecia não compreendê-la. Ou pior, ela compreendia, mas escolhia ignorar a verdade em prol da aparência e da segurança.

“Mas, mamãe, e se o meu coração não puder se conformar? E se ele se recusar a amar quem não ama?” A voz de Isabella subiu, carregada de angústia.

Helena apertou o ombro da filha com mais força. “O coração se adapta, Isabella. Aprende. E você tem uma força interior que nem imagina. Você vai superar isso. Você precisa superar.” Ela se levantou, seu semblante endurecido novamente. “Agora, descanse. Amanhã será um dia importante. Arthur virá buscá-la para um passeio. Prepare-se.”

Helena saiu, deixando Isabella sozinha com seus pensamentos torturantes. A tempestade lá fora aumentara. A chuva batia furiosamente contra os vidros, e os raios cortavam o céu escuro com violência. Isabella fechou os olhos, sentindo as lágrimas rolarem pelo rosto. Ela estava presa, cercada por uma tempestade de emoções e ameaças. O amor clandestino por Miguel era a única luz em sua vida, mas essa luz estava sendo ameaçada por forças sombrias. Ela sabia que precisava lutar, mas como? Como uma borboleta ferida poderia desafiar o furacão que se aproximava?

O pensamento de Miguel a impulsionou. Ela não podia desistir. Por ele, ela encontraria uma maneira. Uma maneira de escapar, de lutar, de amar livremente. Ela se levantou, a determinação crescendo em seu peito, misturada à dor. Olhou para a janela, para a escuridão que parecia engolir tudo. A tempestade era assustadora, mas dentro dela, uma nova tempestade estava se formando, uma tempestade de coragem e resistência. Ela não seria apenas uma borboleta ferida; ela se tornaria a tempestade que desafiaria o céu. A noite ainda era longa, e o amanhecer traria consigo novos desafios, mas Isabella estava decidida a enfrentar tudo.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%