Amor Clandestino 160

Capítulo 19 — A Cartada Arriscada e a Sombra da Vingança

por Camila Costa

Capítulo 19 — A Cartada Arriscada e a Sombra da Vingança

O consultório de Dr. Antunes, que antes parecia um refúgio de confiança, agora se transformara no foco da audácia de Clara e Ricardo. A revelação de Seu Manuel, a confirmação de que Dona Helena fora manipulada e que Dr. Antunes tinha conhecimento, atiçou a chama da indignação em Clara e a determinação em Ricardo. Eles sabiam que, para provar a cumplicidade do Dr. Mendonça, precisavam de algo mais concreto do que as palavras de um jardineiro, por mais sinceras que fossem.

Ricardo, com sua mente calculista, traçou um plano arriscado. Sabia que o Dr. Antunes, assombrado pelo que fez e possivelmente temendo a retaliação, estaria vulnerável. A ideia era confrontá-lo, não com acusações diretas, mas com uma sugestão sutil de que eles já sabiam de tudo, forçando-o a revelar mais do que pretendia.

“Precisamos de um gatilho, Clara”, disse Ricardo, os olhos fixos nos dela, a intensidade em seu olhar espelhando a urgência da situação. “Precisamos que ele sinta que a qualquer momento podemos expor tudo. E se ele sentir que já expusemos uma parte, ele pode tentar nos deter, ou pior, tentar consertar a situação à sua maneira, o que pode ser perigoso.”

Clara assentiu, a coragem pulsando em suas veias. “Mas como? Ele é um médico experiente. Sabe como lidar com pessoas.”

“Nós vamos jogar com a culpa dele, com o medo. Vamos sugerir que estamos perto de encontrar provas irrefutáveis, e que a única coisa que falta é a confirmação dele”, explicou Ricardo. “E você, meu amor, vai fazer o papel de filha preocupada, mas com uma raiva latente. A sua dor é a nossa arma.”

No dia seguinte, eles retornaram ao consultório de Dr. Antunes, desta vez sem o pretexto de buscar registros. Clara segurava uma pequena caixa de lembranças de sua mãe, um retrato antigo de Dona Helena em seus tempos de juventude, radiante, mas com um véu de tristeza nos olhos.

“Doutor Antunes”, começou Clara, a voz deliberadamente embargada, mas com uma firmeza subjacente. “Nós voltamos porque… encontramos algo. Algo que nos deixou muito perturbados.” Ela colocou a caixa sobre a mesa. “Este é um retrato da minha mãe. Ela era tão linda, não é? Mas eu nunca a vi sorrir assim… tão genuinamente… nos últimos anos.”

Dr. Antunes olhou para a foto, um vislumbre de algo que poderia ser remorso cruzando seu rosto antes de ele se recompor. “Dona Helena era uma mulher muito especial, Clara. Sinto muito que ela tenha passado por dificuldades.”

“Dificuldades? Doutor, nós sabemos que foi mais do que isso”, disse Ricardo, o tom firme, mas não agressivo. “Nós sabemos que a gravidez dela não foi um simples acidente. E sabemos que houve… um envolvimento.”

Dr. Antunes empalideceu visivelmente. Ele se sentou em sua poltrona, a postura antes ereta agora curvada sob o peso da tensão. “Eu não entendo do que vocês estão falando.”

“Não se faça de desentendido, doutor”, disse Clara, a raiva começando a transbordar. “Nós conversamos com pessoas que estiveram presentes. Que viram e ouviram. Que sabem que a sua participação foi crucial para… forçar a minha mãe a uma situação que ela não queria. Que vocês, juntamente com o meu pai, orquestraram tudo para garantir um herdeiro.”

A menção de Seu Manuel, embora não nomeada, pairava no ar. Dr. Antunes desviou o olhar, seus olhos fixos em um ponto distante. Ele parecia um homem encurralado.

“Isso é um absurdo”, ele murmurou, mas sua voz soou fraca. “Eu sempre agi pelo bem-estar dos meus pacientes. E pela família Mendonça.”

“Bem-estar? Forçar uma mulher a engravidar é bem-estar? O senhor sabe o que minha mãe sofreu?”, Clara não conseguia mais conter as lágrimas. “Ela viveu anos em silêncio, carregando essa dor. E o senhor, que deveria cuidar dela, foi cúmplice desse sofrimento!”

Ricardo aproveitou o momento de vulnerabilidade. “Doutor, nós não queremos prejudicar a sua carreira. Sabemos que o senhor tem uma reputação a zelar. Mas a verdade precisa vir à tona. Se o senhor puder nos ajudar a entender… a encontrar alguma documentação que comprove o que aconteceu… podemos chegar a um acordo. Podemos garantir que a sua participação seja vista como um ato de alguém que foi coagido, não como um criminoso.”

Dr. Antunes levantou os olhos para eles, a angústia gravada em seu rosto. Ele parecia dividido entre o medo da exposição e o peso da culpa. “Vocês… vocês não entendem. A pressão era enorme. O Dr. Mendonça… ele era um homem implacável. Se eu não fizesse o que ele mandava… minha carreira estaria arruinada. Minha família… eu tinha que proteger minha família.”

“E minha mãe, doutor? Quem a protegeu?”, questionou Clara, a voz tremendo de emoção. “Ela não tinha quem a defendesse?”

“Naquela época… era diferente”, disse Dr. Antunes, a voz embargada. “O Dr. Mendonça tinha o controle de tudo. Ele ameaçou Dona Helena, ameaçou expor segredos que a destruiriam. Eu… eu só tentei amenizar o sofrimento dela. Eu administrei os tratamentos hormonais, sim. Para garantir que ela engravidasse. E o Dr. Mendonça supervisionava tudo. Ele fazia questão de saber cada passo.”

A confirmação era devastadora. Dr. Antunes confessava tudo, impulsionado pelo medo e pela culpa. Ele descreveu os tratamentos, as ameaças, a pressão constante sobre Dona Helena e sobre ele mesmo. Clara ouvia em silêncio, sentindo o peso da verdade esmagá-la, mas também sentindo uma pontada de justiça que começava a emergir.

Ricardo, percebendo a abertura, prosseguiu. “Onde estão esses registros, doutor? Os registros dos tratamentos, as anotações do Dr. Mendonça?”

“Eu… eu os destruí. Há muito tempo. O Dr. Mendonça me ordenou. Mas…”, Dr. Antunes hesitou, um fio de esperança em sua voz. “Eu guardei uma cópia. Uma única cópia dos registros dos tratamentos hormonais. Está em um cofre em minha casa. Eu nunca tive coragem de usá-la, mas também nunca tive coragem de destruí-la completamente.”

A esperança surgiu em Clara e Ricardo. Aquela cópia, mesmo que incompleta, poderia ser a prova que eles precisavam.

“Onde está o cofre, doutor? Precisamos ver esses registros”, disse Ricardo.

“Eu… eu posso buscá-los para vocês. Mas peço uma coisa em troca. Uma promessa. Que o meu papel seja visto da forma que ele realmente foi: o de um homem encurralado, forçado a agir contra a sua vontade. Que a Senhorita Clara entenda a minha situação.” Dr. Antunes implorou, os olhos marejados.

Clara olhou para ele, o rosto marcado pela dor de anos. Ela não conseguia sentir pena dele, mas via nele um reflexo da fragilidade humana diante da tirania. “Eu vou tentar entender, doutor. Mas minha mãe… ela nunca teve essa chance. A sua dor não pode ser esquecida.”

Enquanto Dr. Antunes se preparava para ir buscar os documentos, uma sombra se moveu na porta do consultório. Era o Dr. Mendonça. Ele parecia ter chegado sem ser notado, talvez para um encontro secreto com Dr. Antunes, talvez para monitorá-lo. Seus olhos, frios e calculistas, fixaram-se em Clara e Ricardo, e depois em Dr. Antunes, um olhar de puro desprezo e ameaça.

“O que está acontecendo aqui?”, a voz dele era um rosnado baixo, carregado de perigo.

Dr. Antunes estremeceu, a cor sumindo de seu rosto. Clara e Ricardo se colocaram um na frente do outro, prontos para enfrentar o patriarca.

“Estamos apenas conversando, Dr. Mendonça”, disse Ricardo, com um sorriso desafiador.

O Dr. Mendonça os ignorou, voltando-se para Dr. Antunes. “Você está falando demais, Antunes. Eu pensei que tínhamos um acordo.” Seus olhos brilharam com uma fúria contida.

“Dr. Mendonça…”, começou Dr. Antunes, mas o Dr. Mendonça o interrompeu.

“Não diga uma palavra. Vocês dois”, ele disse, lançando um olhar gélido para Clara e Ricardo. “Acham que podem me ameaçar? Que podem destruir tudo o que construí? Vocês não sabem com quem estão lidando.”

A ameaça pairava no ar, palpável e perigosa. Clara sentiu um calafrio percorrer seu corpo, não de medo, mas de raiva. A sombra da vingança do Dr. Mendonça era real. Ele não cederia facilmente.

“Nós sabemos de tudo, Dr. Mendonça”, disse Clara, a voz firme, apesar do perigo. “Sabemos do seu plano, da sua crueldade. E a verdade vai vir à tona, quer o senhor queira ou não.”

O Dr. Mendonça riu, um som seco e sem humor. “Verdade? A sua verdade é apenas uma história inventada por uma garota ressentida. E você, Antunes”, ele se virou para o médico, “se ousar dizer uma única palavra contra mim, terá o pior fim imaginável.”

Com essas palavras, o Dr. Mendonça saiu do consultório, deixando para trás um rastro de medo e ameaça. Dr. Antunes, tremendo, olhou para Clara e Ricardo, seus olhos implorando por compreensão.

“Eu preciso ir buscar os documentos”, disse ele, a voz quase inaudível. “É a única chance que temos.”

Clara e Ricardo sabiam que a cartada de Dr. Antunes era arriscada, mas era a única esperança que tinham. A sombra da vingança do Dr. Mendonça pairava sobre eles, e a urgência de obter as provas se tornou ainda maior. O amor clandestino que os unia agora era uma força de resistência, um escudo contra a escuridão que ameaçava engoli-los. A batalha pela verdade havia chegado a um ponto crítico, e as próximas horas seriam decisivas.

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