Amor Clandestino 160

Capítulo 3 — O Eco das Memórias na Casa Grande

por Camila Costa

Capítulo 3 — O Eco das Memórias na Casa Grande

A mansão da família Valença, imponente e sóbria, erguia-se como um monumento à tradição e ao poder. Seus muros de pedra centenária pareciam guardar segredos e ressentimentos de gerações. No interior, o luxo era ostensivo, mas frio, como se o ouro e a prata tivessem sido polidos com lágrimas e suor. A casa grande, com seus lustres de cristal e móveis de época, era o palco onde Isabella era forçada a representar o papel de noiva feliz.

Naquela manhã, o sol tentava penetrar a cortina pesada da sala de estar, mas a atmosfera permaneceu sombria. Isabella estava sentada em um sofá de veludo, as mãos entrelaçadas no colo, o corpo tenso como uma corda de violino prestes a arrebentar. Arthur a observava do outro lado da sala, um copo de uísque na mão, um sorriso satisfeito nos lábios. Ele era um homem de meia-idade, com cabelos grisalhos nas têmporas e um olhar penetrante que parecia despir a alma. Sua elegância era impecável, mas havia uma dureza em seus traços que incomodava Isabella profundamente.

“Você está quieta hoje, minha querida,” Arthur disse, a voz grave e sedutora, mas desprovida de calor. “Ainda se recuperando da festa de ontem?”

Isabella forçou um sorriso. “Estou bem, Arthur. Apenas um pouco cansada.”

“Cansada?” Ele riu, um som baixo e rouco. “Mal chegamos a este ponto e você já está cansada? Teremos uma vida inteira pela frente, Isabella. Você precisa se acostumar a ter energia para as exigências do nosso futuro.” Ele deu um gole em seu uísque, seus olhos percorrendo o corpo dela com uma possessividade que a fez sentir-se suja. “Mas não se preocupe. Eu cuidarei de tudo. Você só precisa estar linda e ser minha.”

As palavras dele a atingiram como golpes. “Ser minha.” Era isso que ele queria. Não ela, mas sua posição, seu nome, sua beleza para exibir. Ela se sentiu sufocada, presa naquela casa, naquele relacionamento.

“Arthur,” ela começou, a voz embargada pela emoção que tentava reprimir. “Precisamos conversar sobre nós.”

Ele arqueou uma sobrancelha, a expressão mudando de satisfeito para cauteloso. “Conversar? Sobre o quê, Isabella? Nosso casamento está marcado. Tudo está decidido.”

“Mas eu não o amo, Arthur,” ela desabafou, a confissão escapando antes que pudesse contê-la. As lágrimas começaram a brotar em seus olhos. “Meu coração não te pertence. E eu não posso me casar com você se não o amar.”

O sorriso de Arthur desapareceu, substituído por uma carranca fria. Ele pousou o copo na mesinha de centro, o som ecoando no silêncio pesado. “Não me ama? Isabella, você está sendo ridícula. O que é esse amor que você tanto fala? Uma fantasia de menina? O amor se constrói com o tempo, com a segurança, com a estabilidade. E eu lhe ofereço tudo isso. Você terá conforto, luxo, um nome respeitado. O que mais uma mulher pode querer?”

“Ela pode querer ser amada de verdade, Arthur,” Isabella sussurrou, a voz embargada. “Ela pode querer sentir o coração bater mais forte por alguém. Ela pode querer… paixão.”

Arthur deu um passo em sua direção, o olhar endurecido. “Paixão é algo efêmero, Isabella. Um fogo que logo se apaga. O que resta é a solidez. E você, minha cara, precisa de solidez. E sua família também.” Ele se aproximou, seu hálito alcoólico a atingindo. “Você sabe o quanto sua família depende desse casamento. E você sabe o que acontece se você arruinar tudo.”

O medo a atingiu com força total. As palavras de Arthur de ontem à noite retornaram, a ameaça velada pairando sobre ela como uma nuvem negra. Miguel. Ele a havia ameaçado com Miguel.

“Você não pode me forçar a isso, Arthur,” Isabella disse, tentando manter a voz firme.

Ele a olhou de cima a baixo, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “Posso, Isabella. E farei. Você não tem para onde ir. E ele… bem, ele não tem como se defender de mim. Você não quer que algo aconteça com o seu querido Miguel, quer?”

O nome dele, dito com tanto escárnio, fez o sangue de Isabella gelar. Ela sabia que ele era capaz de tudo. Ele a estava usando como refém.

Nesse momento, a governanta da casa, Dona Clara, uma mulher de semblante austero e voz firme, entrou na sala. “Senhor Arthur, a senhora Helena solicita a presença de ambos na biblioteca. É sobre os preparativos do casamento.”

Arthur assentiu, um brilho de satisfação retornando aos seus olhos. Ele lançou um último olhar para Isabella, um olhar que prometia controle e punição. “Vamos, minha noiva. Não queremos atrasar sua mãe.”

Ele estendeu a mão para ela. Isabella sentiu um nó na garganta. Ela se sentia encurralada, sem saída. O eco das memórias de sua infância naquela casa, de sua mãe tentando ensiná-la a ser uma dama, de seu pai, ausente e distante, parecia zombá-la. Ela era uma peça em um jogo de poder, um peão na estratégia de sua família e de seu futuro marido.

Na biblioteca, Dona Helena esperava, sentada à grande escrivaninha de mogno. A sala era repleta de livros antigos, o cheiro de papel e couro velho impregnando o ar. Dona Helena parecia mais pálida do que o normal, a preocupação evidente em seus olhos.

“Isabella, minha filha,” disse Helena, a voz tensa. “Arthur me contou… que você tem dúvidas.”

“Mamãe, eu não posso me casar com ele,” Isabella disse, as lágrimas finalmente transbordando. “Eu não o amo. E ele me ameaçou. Ele disse que machucaria Miguel se eu não me casasse com ele.”

Dona Helena suspirou, fechando os olhos por um instante. Parecia exausta. “Isabella, eu sei que Arthur pode ser… difícil. Mas ele é um homem de negócios. Ele tem seus métodos. Ele só quer garantir que você esteja comprometida.” Ela abriu os olhos, o olhar suplicante. “Sua família está em uma situação delicada, minha filha. Precisamos desse casamento. Sua felicidade não pode ser o único critério. Pense em todos nós.”

“Mas a minha felicidade não importa?” Isabella perguntou, a voz cheia de dor. “E Miguel? Ele é a única coisa que me faz feliz. E Arthur quer destruí-lo.”

Arthur riu, um som seco. “Destruir Miguel? Não seja melodramática, Isabella. Eu apenas garanto que ele não interfira em nossos planos. Ele é um ninguém. E você é uma Valença. Seu destino está traçado.”

“Meu destino é meu, Arthur!” Isabella gritou, a raiva finalmente superando o medo. “E eu não vou permiti-lo que o destrua!”

Dona Helena levantou-se, colocando a mão no ombro da filha. “Isabella, controle-se. Você está sendo irracional.”

“Irracional?” Isabella olhou para sua mãe, para Arthur, para a casa que a aprisionava. Ela se sentiu mais sozinha do que nunca. “Irracional é me obrigar a viver uma mentira! Irracional é sacrificar minha vida e o amor verdadeiro por conveniência!”

Ela se virou e saiu da biblioteca, deixando para trás o choque em seus rostos. Correu para o seu quarto, trancou a porta e se jogou na cama, as lágrimas escorrendo livremente. O luxo ao seu redor parecia zombar dela, cada objeto uma lembrança de sua prisão dourada.

Ela precisava de Miguel. Precisava sentir o calor de seu abraço, a segurança de seus olhos. Mas como? Arthur a vigiava, sua família a pressionava. Ela era uma prisioneira em sua própria casa, com as memórias de um amor proibido sendo o único consolo.

O eco das memórias na casa grande ressoava em sua alma, cada canto parecendo sussurrar sobre deveres e sacrifícios. Mas Isabella sabia que não poderia mais se dobrar. Havia uma força crescendo dentro dela, alimentada pela dor e pelo amor. A borboleta ferida estava aprendendo a bater as asas, mesmo que em segredo, mesmo que contra o vento. Ela precisava encontrar uma saída, uma forma de escapar da gaiola antes que a tempestade final a engolisse. E ela sabia que, para isso, precisaria de ajuda. Precisaria de Miguel. E talvez, apenas talvez, de alguém que pudesse ver além das aparências e das convenções.

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