Promessas Quebradas 163

Capítulo 14 — O Preço da Verdade e a Fúria Contida

por Valentina Oliveira

Capítulo 14 — O Preço da Verdade e a Fúria Contida

A descoberta dos registros de transações foi um divisor de águas. O arquivo criptografado, aberto por Ricardo, desvendou a extensão da podridão que se instalara na fábrica 163. Não era apenas um legado de corrupção antiga, mas uma operação contínua, orquestrada pelo atual diretor, o Sr. Vargas, e seus cúmplices. Isabela sentiu um misto de horror e fúria crescer dentro de si. A dignidade de seu pai estava sendo manchada por uma gangue de aproveitadores que se beneficiavam de seu nome e do nome de todos que um dia acreditaram na fábrica.

“Ele não vai sair impune,” Isabela murmurou, os punhos cerrados, olhando para os dados que Ricardo lhe enviara. As transações eram astronômicas, e o silêncio imposto a funcionários que ousaram questionar era criminoso. Havia nomes mencionados em listas de pagamentos, nomes de pessoas que ela conhecia, que trabalhavam na fábrica.

Rafael, ao ver as novas evidências, estava ainda mais determinado a ajudar. “Isabela, isso prova tudo. Precisamos entregar isso às autoridades. Agora.”

“Não, Rafa. Não ainda,” Isabela ponderou, sua mente trabalhando em alta velocidade. “Se entregarmos isso agora, sem mais nada, eles podem usar a influência deles para abafar o caso, para distorcer as provas. Precisamos de algo mais. Precisamos de alguém de dentro.”

Ricardo concordou. “Ela tem razão. Vargas é esperto. Ele tem amigos poderosos. Precisamos de uma prova irrefutável, algo que o prenda de vez. Talvez uma confissão, ou um documento que o ligue diretamente a essas ações.”

A ideia de que Ricardo, o homem com quem ela dividia uma paixão intensa e perigosa, era quem a ajudava a desvendar os segredos de seu próprio passado, era complexa. A confiança que ela depositava nele crescia a cada dia, mas as sombras do passado de sua família ainda pairavam, um lembrete constante de que a verdade podia ter um preço alto.

Naquela mesma noite, enquanto Isabela e Rafael analisavam os novos dados, o interfone de seu apartamento tocou. Era o porteiro.

“Senhorita Isabela, tem um Sr. Vargas querendo falar com a senhora. Ele disse que é urgente.”

O estômago de Isabela gelou. Vargas. O homem que agora comandava a fábrica, o homem que, segundo as evidências, era o arquiteto da maior parte da corrupção. Por que ele estaria ali?

“Diga a ele que não posso recebê-lo agora,” Isabela respondeu, tentando manter a calma.

“Ele disse que não vai embora, senhorita. Ele parece… agitado.”

Isabela olhou para Rafael, que assentiu com a cabeça, um sinal de que estava preparado. “Ok. Pode mandar ele subir.”

Minutos depois, o Sr. Vargas estava em sua sala. Um homem de meia-idade, com um terno impecável que contrastava com a expressão tensa em seu rosto. Seus olhos percorreram o apartamento, parecendo escanear cada canto, cada objeto.

“Senhorita Isabela, agradeço por me receber,” ele disse, sua voz um tom mais baixo do que o esperado. “Eu sei que isso é inesperado. Mas eu preciso falar com você sobre a fábrica.”

Isabela o convidou a sentar-se, mantendo uma postura firme. “Sr. Vargas. O que o traz até aqui?”

“Eu sei que você tem investigado. Eu sei que você tem descoberto coisas,” Vargas disse, seu olhar fixo no dela. “Eu sei que você pensa que pode me incriminar.”

O tom dele era uma provocação velada. Rafael permaneceu em silêncio no canto da sala, observando.

“Eu não estou acusando ninguém, Sr. Vargas. Apenas buscando a verdade,” Isabela respondeu, a voz firme.

Vargas soltou uma risada seca. “A verdade? A verdade é um conceito relativo, Senhorita. E na fábrica, a verdade sempre foi… maleável. Seu pai, seu tio… eles sabiam disso. Eles criaram esse sistema.”

As palavras dele eram um ataque direto, uma tentativa de desviar a culpa e jogar com os ressentimentos de Isabela. Mas ela estava mais forte agora.

“Meu pai pode ter tido seus erros, mas ele nunca seria capaz de o que você está fazendo,” Isabela retrucou, a fúria contida borbulhando em seu peito.

“Você se engana, minha cara. O dinheiro fala mais alto. E eu apenas continuei o que eles começaram. Apenas aperfeiçoei o método.” Vargas se inclinou para frente, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. “Olha, eu sei que você tem os registros. Eu sei que você acha que isso vai te dar poder. Mas você está errada. Você não tem provas concretas. Não o suficiente para me derrubar.”

Ele fez uma pausa, seus olhos brilhando com uma malícia fria. “E se você tentar, eu vou garantir que você se arrependa. Eu tenho amigos que podem fazer você desaparecer, Senhorita. Ou pior. Posso arruinar você completamente. Sua reputação, sua vida…”

O ameaça era clara, explícita. Rafael deu um passo à frente, mas Isabela o segurou pelo braço, um gesto para que ele esperasse. Ela sabia que Vargas estava blefando, ou talvez não. Mas ela não cederia.

“Você acha que me assusta, Sr. Vargas?” Isabela perguntou, um sorriso perigoso brincando em seus lábios. “Você subestima a minha determinação. E a minha sede de justiça.”

“Justiça? Que piada!” Vargas riu novamente. “A única justiça que existe é aquela que você faz para si mesma. E eu fiz a minha.” Ele se levantou abruptamente. “Pense bem, Senhorita Isabela. Você tem a chance de se retirar, de esquecer tudo isso. Ou pode seguir o caminho da autodestruição. A escolha é sua.”

Ele saiu tão abruptamente quanto chegou, deixando um rastro de tensão e medo no ar.

“Ele é um louco,” Rafael disse, quebrando o silêncio. “Ele tentou te intimidar. Precisamos agir agora.”

“Ele está desesperado, Rafa,” Isabela disse, sua mente fervilhando com novas ideias. “Ele veio aqui porque sabe que temos algo. Ele tem medo. E o medo o torna perigoso. Mas também o torna descuidado.”

Naquele momento, o celular de Isabela vibrou. Era uma mensagem de Ricardo. “Tenho uma informação. Almeida. Ele tem um contato dentro do Ministério Público. Alguém que ele pagou para abafar casos semelhantes no passado. Vargas pode estar contando com essa proteção. Precisamos de algo que não possa ser abafado.”

A informação de Ricardo confirmou as suspeitas de Isabela. Vargas não estava blefando sobre ter amigos poderosos. A proteção de Almeida era real. A fúria contida de Isabela se transformou em uma determinação fria. Ela não seria intimidada. Ela não seria silenciada. O preço da verdade poderia ser alto, mas ela estava disposta a pagá-lo. Ela enviou uma mensagem para Ricardo: “Encontraram um ponto fraco. Vargas. Ele veio até mim. Ele tem medo. Precisamos de uma armadilha.”

A batalha estava apenas começando, e Isabela sabia que teria que jogar um jogo perigoso para desmascarar Vargas e seus aliados. A fúria contida de seu coração se transformava em uma arma, e ela estava pronta para usá-la.

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