O Amor que Perdi 164

Capítulo 7 — O Preço da Redenção

por Isabela Santos

Capítulo 7 — O Preço da Redenção

A mão de Bruno permaneceu entrelaçada à de Helena. O toque, antes hesitante, agora firmava-se, um pacto silencioso selado no meio do corredor de medicamentos. Helena sentiu uma vertigem, uma mistura de alívio e pavor. Era como caminhar sobre a corda bamba, com o abismo do passado rugindo abaixo e a promessa de um futuro incerto à frente.

"Eu preciso ir para casa", Helena sussurrou, sua voz ainda trêmula. A intensidade do momento era avassaladora, e ela sentia a necessidade de se recompor em um ambiente familiar, mesmo que esse ambiente agora estivesse saturado com a presença de Bruno.

Bruno apertou sua mão suavemente. "Eu a acompanho. Se não se importar." Seus olhos azuis, antes carregados de súplica, agora brilhavam com uma esperança cautelosa.

O caminho de volta para a casa dos Vasconcelos foi um mar de silêncios carregados. Eles caminhavam lado a lado, as mãos ainda entrelaçadas, um gesto que parecia desafiar as convenções e as mágoas que os separavam. Helena observava a paisagem familiar de Lapa, mas via tudo com outros olhos. As cores pareciam mais vibrantes, os sons mais nítidos. Era como se uma névoa tivesse se dissipado, revelando um mundo que ela havia esquecido que existia.

Ao entrarem na casa, foram recebidos pelo olhar atento de Dona Aurora. Ela estava sentada na sala de estar, um livro aberto no colo, mas seus olhos não registraram as palavras impressas. A tensão entre ela e Bruno era palpável, um fio invisível que se esticava e encolhia a cada movimento.

"Vocês voltaram", Dona Aurora comentou, sua voz sem a habitual leveza.

"Sim, mãe. Helena e eu… estávamos dando uma volta", Bruno respondeu, soltando a mão de Helena com relutância. Ele sabia que a presença dela ali, com aquela proximidade recém-descoberta, incomodava profundamente sua mãe.

Helena dirigiu-se à cozinha, sentindo a necessidade de se ocupar com algo concreto. Preparou um chá de camomila, o aroma suave ajudando a acalmar seus nervos. Bruno a seguiu, parando na porta, observando-a com uma intensidade que a deixava desconfortável, mas ao mesmo tempo, a atraía.

"Helena", ele começou, sua voz baixa. "Eu sei que isso não é fácil para você. Para nós. Mas eu preciso que você saiba… eu não voltei para brincar."

Helena se virou para ele, o vapor do chá subindo em seu rosto. "Eu sei, Bruno. E eu também não vim para reviver fantasmas. Mas o passado tem um jeito de nos assombrar, não tem?"

"Sim, tem. Mas também tem o jeito de nos ensinar. E eu aprendi, Helena. Aprendi da pior maneira o que é perder o que mais amamos." Ele se aproximou, parando a uma distância respeitosa, mas ainda assim íntima. "Eu não espero que você me perdoe da noite para o dia. Mas eu espero que você me deixe tentar reconquistar sua confiança. Sua amizade. Seu amor."

As palavras dele a tocaram. Havia uma sinceridade inegável em sua voz, uma vulnerabilidade que a desarmava. Ela se lembrava do homem apaixonado que ele fora, do Bruno que a fazia rir, que a tratava como a única mulher no mundo. Será que esse Bruno ainda existia por trás da dor e do arrependimento?

"O que você quer de mim, Bruno?", Helena perguntou, sua voz quase um sussurro.

"Eu quero uma chance, Helena. Uma chance de provar que o amor que senti por você nunca morreu. Que ele apenas esperou o momento certo para renascer. Eu sei que cometi erros, mas eu estou disposto a pagar o preço pela minha redenção."

O preço. Essa palavra ecoou em sua mente. Qual seria o preço da redenção de Bruno? E qual seria o preço que ela teria que pagar para se permitir amar novamente, para se entregar a ele, sabendo o quão profundo pode ser a queda?

Naquela tarde, a casa dos Vasconcelos se tornou um palco de tensões veladas. Dona Aurora tentava manter a compostura, mas seus olhares furtivos para Bruno e Helena revelavam sua apreensão. Ela sabia que a dinâmica entre eles havia mudado, e essa mudança a perturbava. Bruno, por outro lado, parecia mais confiante, mais decidido. Ele buscava a companhia de Helena, oferecia ajuda com as tarefas domésticas, conversava com ela sobre trivialidades, mas sempre com um fundo de intensidade em seus olhos.

Na hora do jantar, a atmosfera estava ainda mais pesada. Dona Aurora havia preparado um bacalhau à Gomes de Sá, um prato que ela sabia que Helena adorava. Era um gesto de carinho, uma tentativa de apaziguar a situação, mas Helena sentia que havia mais do que apenas boa vontade naquela atitude.

"Bruno, querido, passe o sal, por favor", Dona Aurora disse, sua voz melodiosa, mas com uma ponta de ansiedade.

Bruno estendeu o saleiro, seus olhos encontrando os de Helena por cima da mesa. "Sua mãe está se esforçando para que tudo volte ao normal, Helena", ele comentou baixo, para que apenas ela ouvisse.

Helena assentiu, sentindo um nó na garganta. "Eu sei. Ela sempre foi uma boa pessoa."

"Sim, ela é. Mas às vezes, o amor nos cega, não é?", Bruno respondeu, um leve sorriso brincando em seus lábios. A indireta era clara, e Helena sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Após o jantar, enquanto Helena ajudava a recolher a mesa, Bruno se aproximou por trás dela. Ele a envolveu com seus braços, abraçando-a suavemente. Helena paralisou por um instante, o corpo tenso.

"Não precisa ter medo, Helena", ele sussurrou em seu ouvido, sua respiração quente em sua pele. "Eu não vou te machucar."

Ela fechou os olhos, sentindo a força dos braços dele ao seu redor. Era um abraço familiar, um abraço que um dia representou segurança e paixão. Agora, era um abraço carregado de incerteza, de um passado que ainda precisava ser curado.

"Eu quero acreditar em você, Bruno", Helena disse, sua voz embargada. "Mas o medo… ele é forte."

"Eu sei. O medo é um bom guardião, mas um péssimo companheiro de jornada. Deixe-me ser seu companheiro, Helena. Deixe-me te mostrar que o amor pode curar, pode reconstruir." Ele a virou em seus braços, seus olhos azuis fixos nos dela. A proximidade era eletrizante. Ele levantou uma mão e acariciou seu rosto com delicadeza, o polegar traçando a curva de sua bochecha.

"Eu preciso de você, Helena", ele confessou, a voz rouca de emoção. "Eu nunca deixei de precisar de você."

Helena sentiu as lágrimas em seus olhos. Eram lágrimas de dor, de saudade, mas também de um anseio adormecido que finalmente despertava. Ela sabia que estava entrando em um território perigoso, um território onde a redenção podia ter um preço alto demais. Mas, pela primeira vez desde o retorno de Bruno, ela sentiu um vislumbre de esperança genuína.

Naquele abraço, sob o olhar atento e receoso de Dona Aurora, Helena tomou uma decisão silenciosa. Ela permitiria que Bruno tentasse. Ela permitiria que o amor, mesmo com suas cicatrizes, tivesse uma nova chance. O preço da redenção seria pago, um dia de cada vez. E ela estava disposta a começar a jornada.

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