A Esposa Rebelde 165
Capítulo 10 — O Jogo de Ricardo:
por Camila Costa
Capítulo 10 — O Jogo de Ricardo:
Enquanto Helena se via cada vez mais envolvida no misterioso mundo de Leonardo e nos ecos do passado de Miguel, Ricardo parecia alheio a tudo. Ele continuava sua rotina de negócios, seus jantares de gala, suas conversas superficiais. No entanto, por trás da fachada de indiferença, um jogo perigoso estava em andamento.
Ricardo não era um homem ingênuo. Ele percebia a mudança em Helena, a distância em seu olhar, os suspiros profundos que ela soltava quando achava que ninguém a via. Ele sabia que havia algo acontecendo, e a figura de Leonardo Montenegro pairava como uma sombra em seus pensamentos. A rivalidade profissional entre eles era antiga, e agora, parecia que se estendia para o campo pessoal.
Um dia, Ricardo convocou Helena para uma conversa em seu escritório particular, um espaço de poder e controle onde ele se sentia mais à vontade. A atmosfera era tensa, carregada de palavras não ditas.
"Helena", ele começou, sua voz fria e calculista, "tenho notado que você anda... distraída ultimamente."
Helena sentiu um aperto no peito. Ela sabia que a qualquer momento poderia ser descoberta. "Estou apenas cansada, Ricardo. O trabalho social é exaustivo."
Ricardo soltou uma risada seca. "Não se faça de boba, Helena. Eu sei que há algo mais. E eu sei que Leonardo Montenegro está envolvido."
O nome dele, dito com tanta naturalidade, a fez estremecer. Ela tentou manter a compostura, mas seus olhos traíam sua surpresa.
"Eu não sei do que você está falando, Ricardo", ela disse, tentando soar firme.
Ricardo se levantou e caminhou até a janela, observando a cidade lá embaixo. "Não minta para mim, Helena. Eu conheço você. Conheço seus desejos. E conheço Leonardo. Ele é um predador. E você, minha cara, está se tornando a presa."
As palavras dele a atingiram com força. Ele a via como uma presa? Como uma moeda de troca em um jogo de poder? A frieza em sua voz era mais dolorosa do que qualquer acusação.
"Se você acha que pode me controlar...", Helena começou, a voz embargada pela raiva, "você está muito enganado."
Ricardo se virou para ela, um sorriso cruel brincando em seus lábios. "Eu não quero te controlar, Helena. Eu quero apenas o que é meu. E você, Helena, é minha."
O tom possessivo em sua voz a repeliu. Ela nunca se sentiu tão sufocada, tão enjaulada.
"Você não me possui, Ricardo", Helena disse, sua voz ganhando força. "Eu sou uma pessoa, não um objeto."
Ricardo se aproximou dela, seus olhos escuros e frios fixos nos dela. "Você se esquece de quem você é, Helena. Você é a Sra. Ricardo Almeida. E isso tem suas responsabilidades." Ele pegou um envelope grosso sobre sua mesa. "Estes são os seus compromissos para a semana. Jantares, eventos, e uma visita à galeria de arte de Leonardo. Não se atrase."
Ele jogou o envelope em suas mãos e se virou, voltando para sua mesa. A conversa parecia encerrada, mas a mensagem era clara. Ricardo estava ciente da situação e estava disposto a jogar o seu jogo.
Helena saiu do escritório de Ricardo sentindo-se esmagada. Ela sabia que ele não a amava, mas a sua crueldade era chocante. Ele a via apenas como uma propriedade, um símbolo de seu status.
Naquela tarde, Helena decidiu que não poderia mais viver sob o jugo de Ricardo. A atração por Leonardo, por mais perigosa que fosse, representava uma chance de liberdade. Ela sabia que o jogo de Ricardo era sujo, e ela precisava jogar pelas suas próprias regras.
Ela ligou para Leonardo. "Leonardo", ela disse, sua voz firme, "preciso falar com você. Urgentemente."
"O que aconteceu, Helena?", a voz dele soou preocupada.
"Ricardo sabe", ela disse, a voz embargada. "Ele sabe sobre nós. E ele está jogando o seu jogo."
Houve um silêncio do outro lado da linha. "Eu sabia que isso aconteceria", Leonardo disse, sua voz agora séria. "Ricardo é um homem perigoso. Mas não se preocupe, Helena. Juntos, nós vamos enfrentá-lo."
Helena sentiu um alívio estranho ao ouvir a voz de Leonardo. Pela primeira vez, ela sentiu que não estava sozinha. Ele era um jogador, sim, mas parecia que ele estava disposto a protegê-la.
"Onde podemos nos encontrar?", ela perguntou.
"Na minha casa, esta noite. Assim que Ricardo sair para o seu evento. Tenha cuidado, Helena. E não diga nada a ninguém."
Helena desligou o telefone, o coração batendo acelerado. O jogo havia se intensificado. Ricardo estava jogando suas cartas, e Leonardo estava disposto a jogar as dele. E no meio de tudo isso, estava Helena, a esposa rebelde, buscando sua própria liberdade e descobrindo um amor proibido que poderia ser sua salvação ou sua ruína. Ela sabia que estava entrando em um labirinto perigoso, onde cada passo em falso poderia ter consequências devastadoras. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu que estava no controle de seu próprio destino. E isso, por si só, era um começo.