A Esposa Rebelde 165
Capítulo 13 — A Armadilha de Leonardo
por Camila Costa
Capítulo 13 — A Armadilha de Leonardo
O ar na Mansão dos Vasconcelos parecia denso, carregado de uma tensão palpável. Sofia, após o confronto com Miguel, sentia-se como uma presa encurralada. As palavras dele ecoavam em sua mente, cruéis e calculistas, desmantelando a imagem que ela construíra dele. A traição de Leonardo, o sofrimento que ele suportara, tudo isso a chocara profundamente. Ela não sabia mais em quem confiar, em quem acreditar.
Leonardo a esperava em seu escritório, a luz da lareira lançando sombras dançantes em seu rosto. Ele percebeu a turbulência em seus olhos, a dor que ela tentava esconder.
“Sofia”, ele disse, a voz carregada de preocupação. “O que aconteceu? Você parece… abatida.”
Sofia hesitou por um momento, a verdade amarga pesando em sua língua. Ela sabia que precisava ser honesta, que não podia mais viver em um mar de meias verdades.
“Eu o encontrei, Leonardo”, ela disse, a voz baixa. “Eu o confrontrei. Ele… ele confirmou tudo.”
Leonardo apertou os punhos, a mandíbula tensa. Ele sabia que o confronto era inevitável, mas a confirmação das palavras de Miguel ainda o atingia com força. “E o que ele disse? Ele te manipulou? Te convenceu de que a culpa era minha?”
“Ele disse que você era fraco, Leonardo. Que ele fez o que fez para se proteger. Que amigos são para os fracos. Ele não demonstrou nenhum remorso.” Sofia sentiu uma onda de raiva e tristeza. “Ele me disse que estava prestes a recuperar tudo o que é dele, e que eu estava em seu caminho.”
Leonardo se aproximou dela, os olhos buscando os dela em busca de compreensão. “Sofia, eu sei que é difícil acreditar, mas Miguel é um mestre na arte da manipulação. Ele sempre soube como distorcer a realidade a seu favor. O que ele quer é te afastar de mim. Ele quer te usar para nos destruir.”
“Mas como, Leonardo? Como ele faria isso? Ele tem algum plano?” A mente de Sofia corria, tentando juntar as peças de um quebra-cabeça cada vez mais complexo.
“Ele sempre foi ambicioso. Ele construiu seu império sobre ruínas. E agora, ele quer recuperar o que ele acha que é dele. Talvez ele queira algo que eu possuo. Talvez ele queira algo que pertença a você.” Leonardo olhou ao redor do escritório, a preocupação evidente em seu semblante. “Ele nunca desistiu. E agora que ele voltou, ele vai jogar sujo.”
Enquanto isso, em seu quarto na pousada, Ricardo folheava um arquivo confidencial. Detalhes sobre os negócios de Miguel, seus contatos no submundo, seus investimentos arriscados. Ele estava mapeando cada passo do inimigo, cada fraqueza.
“Interessante”, ele murmurou, um sorriso cruel brincando em seus lábios. “O jogo de xadrez está apenas começando. E eu tenho as peças certas para derrubar o rei.”
Leonardo sabia que a prudência era essencial. Ele não podia permitir que Miguel os separasse. A confiança entre ele e Sofia era o seu maior trunfo, e Miguel tentaria destruí-la.
“Precisamos ser cuidadosos, Sofia”, ele disse, segurando as mãos dela. “Miguel vai tentar te enganar, te acusar, te jogar contra mim. Não acredite nele. A única coisa que ele quer é te ver longe de mim e me destruir.”
“Mas como saber o que é verdade e o que não é?”, Sofia perguntou, a angústia evidente em sua voz.
“Confie em mim, Sofia. Confie no que sentimos um pelo outro. Eu nunca menti para você. Eu te amo mais do que tudo.” Leonardo a puxou para um abraço, buscando reafirmar o laço entre eles.
Naquele mesmo dia, Miguel fez um telefonema. Sua voz, calma e persuasiva, falava com um homem chamado “Serra”, um nome conhecido no submundo de Ouro Preto.
“Serra, meu amigo. Precisamos de um favor. Algo… delicado. Envolve um homem chamado Leonardo Vasconcelos. Ele me atrapalha. Preciso que ele desapareça. De forma discreta, é claro.”
Do outro lado da linha, Serra riu. “Com prazer, Miguel. Para você, faço qualquer coisa. O pagamento já está na sua conta?”
“Em breve, meu caro. Em breve. Apenas certifique-se de que ele não volte a me incomodar.”
A armadilha de Leonardo estava se fechando. Ele sentia a pressão aumentando, a sensação de estar sendo observado. Ele sabia que precisava agir rápido, antes que Miguel pudesse executar seus planos.
“Sofia”, ele disse, uma determinação fria em seus olhos. “Precisamos expor Miguel. Precisamos mostrar a todos quem ele realmente é. Eu tenho algumas informações sobre os negócios dele. Coisas que podem prejudicá-lo seriamente. Mas preciso de sua ajuda.”
“Minha ajuda? Como?”
“Miguel confia em você. Ele acha que você está do lado dele, ou pelo menos dividida. Podemos usá-lo contra ele mesmo.” Leonardo explicou seu plano. Um plano arriscado, que envolvia usar a confiança que Miguel depositava em Sofia para obter as informações que precisavam.
Sofia sentiu um frio na espinha. Ela teria que fingir, ter que se aproximar de Miguel, sabendo da sua verdadeira natureza. Era perigoso, mas necessário. Ela não podia permitir que Miguel destruísse Leonardo, nem que continuasse a manipular as pessoas ao seu redor.
“Eu farei isso, Leonardo”, ela disse, a voz firme. “Eu o ajudarei.”
A noite caiu sobre Ouro Preto, e com ela, a escuridão. Leonardo sentia que estava jogando com fogo, mas não havia outra saída. Miguel era um adversário perigoso, e a única maneira de vencê-lo era enfrentá-lo de frente.
Enquanto isso, Ricardo continuava sua vigilância. Ele sabia dos movimentos de Miguel, de seus contatos com o submundo. Ele também sabia do plano de Leonardo, das suas tentativas de se defender.
“Que os jogos comecem”, Ricardo sussurrou, um sorriso enigmático em seus lábios. “Que os fracos se destruam, e que os fortes… prosperem.”
Leonardo preparava-se para uma batalha que ele sabia que poderia ser a sua última. Ele confiava em Sofia, na força do amor deles. Mas em um mundo de traições e mentiras, até a verdade mais pura poderia ser distorcida.