A Esposa Rebelde 165
Capítulo 15 — A Emboscada nas Montanhas
por Camila Costa
Capítulo 15 — A Emboscada nas Montanhas
A lua, pálida e fria, lançava seus raios sobre as estradas sinuosas que levavam às montanhas. O ar da noite era gélido, mas a tensão que pairava entre os ocupantes dos carros era ainda mais intensa. Leonardo, com o coração batendo em um ritmo frenético, dirigia em direção ao local combinado. Ao seu lado, Sofia tentava manter a calma, mas suas mãos tremiam levemente. Ela era a isca, a chave para a armadilha que Leonardo armara para Miguel.
“Tem certeza que vamos conseguir, Leonardo?”, Sofia perguntou, a voz um sussurro rouco. “Se Miguel descobrir que eu o enganei…”
“Ele já está em nossa armadilha, Sofia”, Leonardo respondeu, os olhos fixos na estrada escura. “Ele acha que você está do lado dele. Ele vai esperar por você, vai esperar por mim. E quando ele menos esperar, nós o pegaremos. Com a ajuda de Rafael, teremos provas suficientes para expô-lo de uma vez por todas.”
Leonardo havia conseguido, através de contatos de Rafael, informações sobre a reunião de Miguel com Serra. O local era um antigo engenho abandonado, um lugar perfeito para um encontro clandestino. A ideia era que Sofia atraísse Miguel até lá, sob o pretexto de uma conversa final, e que Leonardo e Rafael estivessem à espreita, prontos para confrontá-lo.
Enquanto isso, Miguel dirigia com um sorriso de superioridade nos lábios. Ele estava confiante. A sua “aliada”, Sofia, o havia informado sobre os planos de Leonardo. Agora, era apenas uma questão de tempo até que tudo estivesse resolvido. Ele imaginava o desespero de Leonardo, a sua derrota iminente.
“Você não me conhece, Leonardo”, Miguel murmurou para si mesmo, o som do seu riso ecoando no carro luxuoso. “Você sempre foi fraco. E eu sou forte. Eu sempre venço.”
O que Miguel não sabia era que Rafael, o detetive contratado por Leonardo, já estava posicionado nas proximidades do engenho, observando cada movimento. Ele era a sombra que garantiria que o plano fosse executado com perfeição, e que Miguel não escapasse.
Ricardo, em seu escritório na pousada, acompanhava tudo através de seus informantes. Ele sabia da reunião, sabia dos riscos. Mas seu jogo era mais sutil. Ele não queria apenas a queda de Miguel; ele queria a queda de todos que o atrapalhavam. Ele enviou uma mensagem anônima para um jornalista influente, plantando a semente da dúvida sobre as atividades suspeitas em torno do antigo engenho. A notícia, se vazada, poderia complicar ainda mais a situação para todos.
Ao chegarem ao engenho, Leonardo e Sofia desembarcaram do carro. O lugar era sombrio e imponente, com a arquitetura colonial desgastada pelo tempo e pela negligência. O silêncio era perturbador, quebrado apenas pelo uivo do vento.
“Fique aqui comigo, Sofia”, Leonardo disse, segurando a mão dela. “Rafael está lá dentro, monitorando. Assim que Miguel aparecer, nós o confrontaremos.”
Sofia assentiu, o medo ainda presente, mas agora misturado a uma estranha sensação de determinação. Ela estava ali para proteger Leonardo, para desmascarar Miguel.
Minutos depois, os faróis de um carro luxuoso iluminaram a entrada do engenho. Miguel estacionou o carro e desceu, um sorriso confiante no rosto. Ele avistou Sofia e Leonardo, e seu sorriso se alargou.
“Ora, ora, vejam só quem apareceu”, Miguel disse, sua voz carregada de sarcasmo. “Leonardo, você realmente achou que poderia me enganar? Que tipo de plano patético você armou dessa vez?”
“O plano é simples, Miguel”, Leonardo respondeu, dando um passo à frente. “Expor a sua verdadeira face. Mostrar a todos a sua traição, a sua crueldade.”
“Crueldade? Eu sou um sobrevivente, Leonardo. E você sempre foi um idiota que se deixou enganar.” Miguel riu. “Sofia, minha querida, você fez um bom trabalho em me trazer até aqui. Agora, você pode se juntar a mim. Podemos ter tudo o que quisermos.”
Sofia olhou para Miguel, sentindo uma náusea. “Eu nunca me juntaria a você, Miguel. Você é um monstro.”
O sorriso de Miguel desapareceu, substituído por uma expressão de fúria. “Você se arrependerá disso, Sofia.”
Nesse momento, Rafael saiu das sombras, a arma em punho. “Acabou, Miguel. Você está cercado.”
Miguel recuou, seus olhos percorrendo o local freneticamente. Ele sabia que estava em desvantagem. Mas ele não era de desistir facilmente.
“Vocês acham que podem me deter?”, ele rosnou. “Eu sou mais esperto que todos vocês.”
Ele sacou uma arma e apontou para Sofia. “Se eu não posso ter o que quero, ninguém terá.”
Leonardo reagiu instantaneamente, empurrando Sofia para o lado e se jogando na frente dela. Um tiro ecoou pelo silêncio da noite.
No meio do caos, Ricardo, observando de longe através de binóculos, deu um sorriso sombrio. O plano estava se desenrolando de forma ainda mais espetacular do que ele imaginava.
“Que comecem os jogos finais”, ele sussurrou.
O tiro, no entanto, não atingiu Leonardo. No último instante, Rafael conseguiu desviar a arma de Miguel, e o tiro errou o alvo, atingindo uma viga de madeira. No entanto, o som do disparo desencadeou uma nova complicação.
Do meio da escuridão, surgiram outros homens. Homens de Serra. Eles não esperavam uma emboscada. Eles esperavam um simples encontro. A confusão se instalou. Miguel, percebendo a nova ameaça, tentou fugir. Leonardo, recuperando-se do susto, correu atrás dele.
Sofia, assustada, mas determinada, observava a cena. Ela viu Miguel tentar escapar, e Leonardo ir atrás dele. Rafael, por sua vez, lidava com os homens de Serra, que agora estavam desorientados, sem saber quem era o inimigo.
A luta se espalhou pelo engenho. Os tiros ecoavam, misturados aos gritos. Leonardo e Miguel se enfrentavam, corpo a corpo, a velha rivalidade explodindo em violência pura. Miguel, desesperado, tentava se livrar de Leonardo, enquanto Leonardo lutava não apenas pela sua vida, mas pela honra que Miguel havia roubado dele.
No clímax da luta, Miguel, em um último ato de desespero, tentou empunhar a arma novamente. Mas Leonardo foi mais rápido. Ele desarmou Miguel e o imobilizou.
“Acabou, Miguel”, Leonardo disse, a voz ofegante. “Você não vai mais machucar ninguém.”
Nesse momento, os carros da polícia, alertados pela confusão e pelos disparos, chegaram ao local. Rafael, com a ajuda dos policiais, conseguiu deter os homens de Serra.
Miguel, algemado e derrotado, olhava para Leonardo com ódio nos olhos. A máscara havia caído, revelando o monstro por baixo.
Sofia correu para os braços de Leonardo, aliviada e emocionada. A tempestade, finalmente, parecia ter passado. Mas ela sabia que os resquícios da batalha ainda afetariam suas vidas. E, em algum lugar nas sombras, Ricardo observava, planejando seu próximo movimento, sabendo que o jogo estava longe de terminar.