A Esposa Rebelde 165

A Esposa Rebelde 165

por Camila Costa

A Esposa Rebelde 165

Capítulo 16 — O Beijo Roubado na Chuva

O ar em Petrópolis estava carregado, não apenas pela umidade crescente que prenunciava a tempestade que se formava no horizonte, mas pela tensão que irradiava de Clara e Leonardo. A paisagem bucólica da serra, que antes inspirava paz e romantismo, agora parecia amplificar a angústia em seus corações. Após a emboscada frustrada nas montanhas, um silêncio pesado se instalara entre eles, cada um imerso em seus próprios pensamentos e medos. Clara, com os olhos fixos nas gotas que começavam a pingar no vidro da janela do carro, sentia um nó na garganta. A imagem do rosto de Leonardo, tão perto, tão vulnerável, após o susto, ainda a assombrava. Ela o via não apenas como o homem que a aprisionara em um casamento arranjado, mas como alguém que, em meio a tanta escuridão, demonstrara lampejos de uma humanidade inesperada.

Leonardo, por sua vez, lutava contra seus próprios demônios. A fragilidade que vira em Clara naquela noite o abalara mais do que ele gostaria de admitir. A necessidade de protegê-la, de mantê-la a salvo, tornara-se uma força motriz, sobrepondo-se à frieza calculista que ele cultivara por anos. Ele se perguntava se era apenas um instinto de preservação, um resquício de responsabilidade sobre a vida que ele mesmo ameaçara, ou algo mais profundo, algo que começava a se infiltrar em sua alma endurecida.

A chuva começou a cair com mais intensidade, transformando a estrada em um espelho líquido que refletia as luzes dos postes. O som das gotas no teto do carro era um ritmo hipnótico, quase como um lamento. Clara se virou para Leonardo, que dirigia com a mandíbula contraída, o olhar fixo na pista.

"Você está bem?", ela perguntou, a voz baixa, quase um sussurro.

Leonardo a olhou de relance, um movimento quase imperceptível. "Sim. E você?"

"Eu… estou pensando."

Ele esperou que ela continuasse, mas o silêncio se instalou novamente. A chuva batia com mais força, e o vento uivava nas encostas. De repente, um raio iluminou o céu, seguido por um trovão ensurdecedor. Clara se encolheu no banco, um arrepio percorrendo sua espinha.

Leonardo, sem pensar, virou o volante e parou o carro em um acostamento isolado, sob a proteção de árvores frondosas. Ele desligou o motor, e o silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som frenético da chuva. Ele se virou para Clara, e naquela escuridão, iluminada apenas pelos relâmpagos intermitentes, os olhos dela encontraram os dele. Havia uma pergunta silenciosa ali, uma necessidade de entendimento que transcendia as palavras.

"Clara", ele começou, a voz embargada. "Aquilo nas montanhas… não foi planejado. O ataque… eu não sabia que seria tão… violento."

Ela assentiu lentamente. "Eu sei. Senti isso."

"Mas eu não a levei para lá para machucá-la. Eu precisava… eu precisava ter certeza de algo." A hesitação em sua voz era palpável. Ele odiava ter que se explicar, odiava a sensação de vulnerabilidade, mas diante dela, algo o impelia a fazê-lo.

"Certeza de quê, Leonardo?", ela o desafiou suavemente, sem acusação, apenas curiosidade.

Ele suspirou, passando a mão pelo cabelo molhado. "Certeza de que você é forte. De que você não se quebraria facilmente. Eu… eu a subestimei."

As palavras dele a atingiram como uma onda. Ele, que sempre a vira como uma peça em seu jogo, agora admitia que ela o surpreendera. Um pequeno sorriso nasceu nos lábios de Clara, um sorriso melancólico.

"E agora que você sabe que eu sou forte, o que acontece?", ela perguntou, a voz carregada de uma emoção que ela mal conseguia conter.

Leonardo se aproximou dela no banco estreito do carro. O cheiro de terra molhada e perfume suave de Clara se misturavam no ar, criando uma atmosfera íntima e perigosa. Ele podia sentir o calor do corpo dela, a fragilidade que ela tentava esconder. Ele a observou por um longo momento, a tempestade lá fora refletida na turbulência de seus próprios sentimentos.

"Eu não sei, Clara", ele confessou, a voz rouca. "Eu não sei mais nada."

E então, em um impulso que o surpreendeu tanto quanto a ela, Leonardo se inclinou e a beijou. Não foi um beijo de posse, nem de luxúria, mas um beijo de questionamento, de rendição, de uma emoção avassaladora que ele não conseguia mais reprimir. A chuva batia no carro, o vento uivava, mas dentro daquele pequeno espaço, o mundo de Clara e Leonardo parou. Os lábios dele eram firmes, mas suaves, explorando os dela com uma delicadeza que a fez estremecer. Clara, inicialmente surpresa, logo se rendeu àquele toque, respondendo com a mesma intensidade, a mesma mistura de confusão e desejo. O beijo se aprofundou, um beijo roubado na tempestade, um pacto tácito de sentimentos conflitantes. Era um beijo que dizia tudo e nada, um beijo que prometia desdobramentos imprevisíveis. Quando se afastaram, ofegantes, a chuva parecia ter diminuído um pouco, mas a tempestade dentro deles estava apenas começando.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%