Rendida a ele 167

Capítulo 4 — O Resgate e o Refúgio

por Valentina Oliveira

Capítulo 4 — O Resgate e o Refúgio

O cheiro de café fresco e de livros antigos pairava no ar, um aroma reconfortante que sempre acalmava Clara. Mas hoje, a paz era frágil, uma camada fina sobre uma correnteza de preocupação. Mateus havia partido, deixando-a sozinha em meio à desordem de sua livraria, a imagem dos capangas de Marco ainda vívida em sua mente. Ela tentava recolher os livros espalhados, restaurar a ordem em seu santuário, mas cada objeto tocado parecia evocar a memória da violência, da invasão.

Ela pegou o exemplar de Machado de Assis que um dos homens quase danificara. O peso do livro em suas mãos, a fragilidade de suas páginas amareladas, a fizeram sentir um nó na garganta. Era mais do que um livro; era um fragmento de história, um pedaço de sua paixão, que quase fora maculada. Ela olhou para a porta, imaginando Mateus lutando, defendendo-a. A gratidão se misturava a um medo profundo.

O dia se arrastou em uma lentidão dolorosa. Cada som na rua a fazia sobressaltar, cada sombra parecia esconder uma ameaça. Clara tentou se concentrar no trabalho, na esperança de afastar os pensamentos incômodos, mas era inútil. A presença de Mateus, sua força, seu perigo, a haviam invadido de tal forma que ela não conseguia mais encontrar a tranquilidade.

Quando o sol começou a se pôr, pintando o céu de Salvador com tons de laranja e roxo, Clara sentiu um aperto no peito. Mateus havia prometido protegê-la, mas ele não estava ali. E se aqueles homens voltassem? E se Mateus estivesse em perigo?

De repente, o sino da porta tilintou, e desta vez, o som a fez congelar. Clara ergueu o olhar, o coração batendo descontroladamente. Era Mateus. Ele estava ali, a figura alta e imponente, a jaqueta de couro escura, os olhos azuis que transmitiam uma mistura de urgência e ternura. Ele parecia cansado, mas a determinação em seu olhar era inabalável.

"Você está bem?", ele perguntou, sua voz grave soando como música para os ouvidos de Clara.

Ela assentiu, incapaz de conter o alívio que a invadiu. "Sim. E você?"

Mateus entrou na livraria, fechando a porta atrás de si. Ele se aproximou dela, o olhar varrendo o estrago causado pelos homens. Um lampejo de raiva passou por seus olhos.

"Eu cuidei deles", ele disse, sua voz tensa. "Eles não vão mais te incomodar. Por enquanto."

Clara o olhou, o medo ainda presente. "Por enquanto? Mateus, o que vai acontecer?"

Ele a pegou pelas mãos, seu toque transmitindo uma força reconfortante. "Eu preciso que você venha comigo, Clara. Não é seguro para você ficar aqui sozinha."

Clara sentiu um misto de apreensão e excitação. Ir com ele? Para onde? Para o mundo perigoso que ele habitava?

"Para onde?", ela perguntou, a voz embargada.

"Para um lugar seguro", Mateus respondeu, seus olhos azuis fixos nos dela. "Um lugar onde você não precise se preocupar com sombras."

Ele a puxou suavemente para perto, o abraço apertado e protetor. Clara se aninhou em seus braços, sentindo o batimento forte de seu coração contra o seu. Ela sabia que estava entrando em um território desconhecido, mas a confiança que ela depositava em Mateus era absoluta.

"Eu vou com você", ela sussurrou, sentindo-se totalmente rendida.

Mateus a olhou, um sorriso melancólico brincando em seus lábios. "Você é corajosa, Clara. E eu vou te proteger, custe o que custar."

Ele a guiou para fora da livraria, para o seu carro luxuoso. O interior do sedã parecia um refúgio, um contraste com o caos do lado de fora. Mateus ligou o motor, e eles partiram, deixando para trás a livraria danificada, mas levando consigo a promessa de segurança.

Eles dirigiram por um tempo, as ruas de Salvador gradualmente cedendo lugar a estradas mais isoladas. A noite caiu completamente, e as estrelas pontilharam o céu escuro. Clara observava a paisagem passar, curiosa e apreensiva. Para onde Mateus a estava levando?

Finalmente, eles chegaram a uma propriedade isolada, cercada por uma vegetação exuberante e sombria. Uma mansão antiga, com uma arquitetura imponente, erguia-se no centro, iluminada por poucas luzes. Parecia um lugar de mistério, de segredos.

"Onde estamos?", Clara perguntou, a voz baixa.

"Em um lugar seguro", Mateus respondeu, descendo do carro. "Um lugar que pertenceu à minha família por gerações. Aqui, você estará protegida."

Eles entraram na mansão, e Clara ficou impressionada com a opulência discreta do lugar. Móveis antigos, obras de arte, tudo exalava uma aura de história e riqueza. Mas havia também uma sensação de solidão, de isolamento.

"É lindo", Clara disse, admirada.

"É um lugar para se esconder", Mateus respondeu, com um suspiro pesado. "E eu preciso me esconder por um tempo."

Ele a guiou até um quarto espaçoso, com uma cama grande e uma janela que dava para o jardim escuro. O quarto era elegantemente decorado, mas Clara sentiu uma pontada de apreensão. Aquele era o mundo de Mateus, um mundo de sombras e perigos.

"Você pode descansar aqui", Mateus disse, sua voz suave. "Eu vou providenciar algo para comermos."

Clara assentiu, sentindo-se exausta. Mateus saiu do quarto, e Clara se sentou na cama, o corpo ainda tremendo. Ela estava segura, sim, mas a incerteza sobre o futuro a assombrava.

Horas depois, Mateus voltou com uma bandeja de comida. Clara comeu com ele, conversando sobre assuntos triviais, evitando o tema perigoso que pairava entre eles. Mas a cada olhar, a cada toque, a atração entre eles se tornava mais intensa.

Naquela noite, Clara mal conseguiu dormir. Ela pensava em Mateus, em seu passado misterioso, no perigo que o cercava. Ela sabia que ele a protegia, mas também sentia que ele estava guardando segredos.

Os dias seguintes foram uma mistura de tranquilidade e apreensão. Clara explorava a mansão, maravilhada com a sua beleza, mas sempre atenta a qualquer sinal de perigo. Mateus estava sempre por perto, garantindo sua segurança, mas também mantendo uma certa distância, como se estivesse lutando contra seus próprios demônios.

Uma tarde, enquanto explorava a biblioteca da mansão, Clara encontrou um álbum de fotografias antigo. As fotos mostravam um Mateus mais jovem, sorrindo, ao lado de uma mulher que ela não reconheceu. Havia também fotos de uma família, de um passado que parecia feliz e despreocupado.

Quando Mateus entrou na biblioteca, Clara o chamou. "Mateus, quem é essa mulher?"

Ele olhou para a foto, e um véu de tristeza cobriu seus olhos. "Essa era a minha mãe", ele respondeu, sua voz embargada. "Ela se foi há muito tempo."

Clara sentiu uma onda de compaixão. Ela entendeu que o passado de Mateus era marcado pela dor e pela perda.

"Eu sinto muito", ela disse, tocando suavemente seu braço.

Mateus a olhou, e pela primeira vez, Clara viu a vulnerabilidade em seus olhos. Ele a puxou para um abraço, e desta vez, o abraço foi diferente. Era um abraço de entrega, de confiança mútua.

"Meu pai era um homem perigoso, Clara", Mateus confessou, sua voz baixa. "Ele me envolveu no mundo dele. E eu não consegui sair."

Clara o ouviu atentamente, sentindo a dor em suas palavras. Ela sabia que ele estava lutando para se libertar de seu passado.

"Mas você não é como ele, Mateus", Clara disse, segurando seu rosto entre as mãos. "Eu vejo a bondade em você. A força para fazer o certo."

Mateus a olhou, e nos olhos azuis dela, ele viu esperança, viu um futuro possível.

"Você me dá esperança, Clara", ele sussurrou, seus lábios se aproximando dos dela.

Eles se beijaram, um beijo apaixonado e terno, que selou a confiança e o amor que crescia entre eles. Naquele momento, no refúgio da mansão, Clara sentiu que havia encontrado não apenas segurança, mas também um amor que a faria esquecer as sombras do passado. Ela estava rendida a ele, não por medo, mas por um desejo profundo e sincero.

No entanto, a paz era efêmera. Naquela noite, enquanto Clara dormia profundamente nos braços de Mateus, um carro desconhecido se aproximou da mansão. Dois homens, os mesmos que haviam invadido a livraria, saíram do veículo, seus rostos marcados pela determinação. Eles haviam rastreado Mateus, e agora, estavam prontos para o confronto. As sombras do passado haviam encontrado o refúgio, e a batalha pela proteção de Clara estava prestes a entrar em uma nova e perigosa fase.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%