Amores que Doem 168

Claro, aqui estão os primeiros cinco capítulos de "Amores que Doem 168", escritos no estilo solicitado:

por Ana Clara Ferreira

Claro, aqui estão os primeiros cinco capítulos de "Amores que Doem 168", escritos no estilo solicitado:

Amores que Doem 168 Capítulo 1 — O Encontro sob a Chuva da Saudade

A chuva caía implacável sobre o Rio de Janeiro, lavando a cidade em tons de cinza e melancolia. No Leblon, onde o luxo se misturava à boemia, um café charmoso exalava o aroma de grãos recém-torrados, um convite silencioso para se abrigar da tempestade. Dentro do "Cantinho do Poeta", Isabella, com seus vinte e poucos anos e o coração em pedaços, observava as gotas escorrerem pela vidraça, cada uma refletindo um pedaço de sua alma ferida.

Ela havia chegado há pouco tempo, fugindo de um passado que a assombrava como um fantasma persistente. O sorriso que um dia iluminou seu rosto agora era uma lembrança distante, substituído por uma sombra de dor que se instalara em seus olhos cor de mel. A vida, em sua crueldade, havia lhe tirado tudo o que amava em um único e devastador instante. Seus pais, vítimas de um acidente trágico, deixaram um vazio insuportável. E Lucas… ah, Lucas. O amor de sua vida, a promessa de um futuro brilhante, havia se desfeito como fumaça, levado pela correnteza de mal-entendidos e orgulho ferido.

Isabella tomou um gole de seu cappuccino, sentindo o calor líquido descer por sua garganta, um alívio passageiro para a frieza que a consumia. Estava em busca de recomeço, de um lugar onde pudesse respirar, longe das memórias que a sufocavam. O Rio, com sua energia vibrante e seu mar infinito, parecia o cenário perfeito para um novo capítulo, mas a chuva insistente parecia zombar de seus planos, espelhando a tempestade interna que a assolava.

De repente, a porta do café se abriu com um estrondo, anunciando a chegada de um novo cliente. Isabella ergueu os olhos, sem muito interesse, até que o rosto dele se materializou na penumbra do estabelecimento. Um arrepio percorreu sua espinha, um choque elétrico que a fez prender a respiração. Era ele. Lucas.

Ele estava ali, mais maduro, com o mesmo olhar penetrante que um dia a fizera derreter. A barba por fazer, o cabelo levemente desalinhado e um sorriso discreto que, mesmo na tristeza que ele parecia carregar, ainda era capaz de abalar as estruturas de Isabella. O tempo não havia diminuído a força do sentimento que os ligava, apenas o havia adormecido sob camadas de mágoa e saudade.

Lucas, como que sentindo o peso do olhar dela, virou-se lentamente. Seus olhos escuros encontraram os de Isabella, e o mundo, por um instante, parou. A chuva lá fora pareceu silenciar, o burburinho do café se desvaneceu. Aquele olhar, carregado de anos de silêncio e sofrimento, falava mais do que mil palavras. Havia surpresa, dor, e uma centelha de algo que Isabella ousava não nomear, mas que incendiava seu peito.

Ele deu alguns passos hesitantes em sua direção, como se estivesse se aproximando de um fantasma. "Isabella?", sua voz, mais rouca do que ela se lembrava, soou como um sussurro no meio do silêncio que se instalara entre eles.

Ela não conseguiu responder. A garganta estava seca, o coração disparado em um ritmo frenético. Apenas assentiu com a cabeça, incapaz de desviar o olhar. As memórias invadiram sua mente como uma torrente: o primeiro beijo sob o pôr do sol na Urca, as noites de verão conversando no calçadão de Copacabana, as promessas de um "para sempre" sussurradas ao pé do ouvido. E, em seguida, a dor aguda da despedida, as palavras cruéis ditas no calor da discussão, o silêncio que se seguiu, mais devastador do que qualquer grito.

Lucas se aproximou mais, parando a uma distância que permitia sentir o calor que emanava dele. "Eu não sabia que você estava no Rio. O que… o que você está fazendo aqui?"

A pergunta, tão simples, parecia um abismo a ser transposto. Como explicar a ela a tragédia que a havia devastado? Como dizer que fugiu de tudo, buscando um refúgio onde pudesse esquecer, mas que o destino, com sua ironia cruel, a trouxe de volta para o homem que era a própria representação de sua dor e de seu amor?

"Eu… eu precisei de um recomeço, Lucas", ela finalmente conseguiu dizer, a voz embargada. "Longe de tudo."

Ele assentiu lentamente, compreendendo mais do que ela imaginava. Seus olhos percorreram o rosto dela, notando a magreza, a palidez, a tristeza que teimava em se esconder por trás de uma fachada de força. Ele também havia mudado. Aquele rapaz sorridente e despreocupado, que ela conheceu na faculdade, parecia ter sido levado pela mesma correnteza de dor que a arrastara. Havia rugas de preocupação ao redor de seus olhos, e uma melancolia profunda que Isabella nunca tinha visto nele.

"Eu também… precisei de um recomeço", ele respondeu, a voz baixa. "Depois de tudo."

A menção de "tudo" pairou no ar entre eles, um elefante na sala que ambos fingiam ignorar. A discussão que os separou, as palavras que nunca deveriam ter sido ditas, as consequências que moldaram suas vidas.

"Você está bem, Isa?", ele perguntou, a preocupação genuína em sua voz a desarmando.

A saudade apertou seu peito. Ela sentia falta daquele cuidado, daquela forma dele de se importar. Mas a mágoa ainda era um muro intransponível. "Eu estou sobrevivendo, Lucas. Como sempre."

Ele deu um sorriso triste. "Eu nunca gostei dessa sua mania de dizer que está 'sobrevivendo'. Você sempre foi uma lutadora, Isabella. Você sempre foi luz."

As palavras dele a atingiram como um bálsamo e uma facada ao mesmo tempo. Luz. Ele se lembrava dela como luz. Mas agora, ela se sentia escuridão.

"O tempo muda as pessoas, Lucas", ela disse, desviando o olhar para a janela, onde a chuva parecia ter diminuído.

"Algumas coisas, porém, o tempo não apaga, Isabella", ele respondeu, aproximando-se ainda mais, a ponto de ela poder sentir o perfume sutil dele, uma mistura de chuva e algo mais, algo que era unicamente Lucas. "E outras, o tempo apenas as aprofunda."

Ele estendeu a mão, hesitando por um instante antes de pousá-la suavemente sobre a dela, que estava sobre a mesa. Um toque leve, quase tímido, mas que enviou um choque elétrico por todo o corpo de Isabella. Sua pele arrepiou-se. Era um toque familiar, que ela ansiava e temia ao mesmo tempo.

"Eu… eu sinto muito por tudo, Isa", ele sussurrou, os olhos fixos nos dela. "Por não ter sido o homem que você merecia. Por ter deixado o orgulho nos separar."

As lágrimas começaram a brotar nos olhos de Isabella, quentes e salgadas. Aquele pedido de desculpas, tão tardio, mas tão sincero, quebrou a última barreira de sua resistência. Ela não conseguia mais segurar a emoção.

"Eu também sinto muito, Lucas", ela respondeu, a voz falhando. "Por tudo."

O aperto da mão dele aumentou sutilmente, um conforto silencioso. Naquele café, sob o céu cinzento do Rio, o reencontro deles sob a chuva da saudade marcou o início de um novo capítulo, um capítulo incerto, repleto de dor, mas também, talvez, de uma esperança recém-descoberta. A tempestade lá fora parecia ter cessado, mas a tempestade em seus corações estava apenas começando.

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