Amores que Doem 168

Capítulo 13 — O Sussurro da Liberdade e a Promessa que Quebra Corações

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 13 — O Sussurro da Liberdade e a Promessa que Quebra Corações

Os dias que se seguiram ao jantar de noivado foram um prelúdio melancólico para o que estava por vir. Sofia sentia-se como um pássaro engaiolado, cada vez mais consciente da falta de ar em sua vida. As preparações para o casamento avançavam em um ritmo frenético, impulsionadas pela mãe de Ricardo, Dona Cecília, uma mulher de pulso firme e ambições que transcendiam as de seu filho.

Sofia tentava se concentrar nas tarefas, nas escolhas de flores, no cardápio, no vestido. Mas sua mente vagava, assombrada pelo olhar de Eduardo, pelas palavras que ele sussurrou em seu ouvido, pela promessa silenciosa de um amor que parecia mais real do que qualquer coisa que ela já havia conhecido.

Em uma tarde chuvosa, enquanto revisava a lista de convidados com Dona Cecília em sua imponente sala de estar, Sofia sentiu uma necessidade avassaladora de escapar.

“Mãe, eu preciso de um pouco de ar”, ela disse, a voz soando distante. “Vou dar uma volta pelo jardim.”

Dona Cecília ergueu uma sobrancelha, a expressão fria como sempre. “Não se demore, Sofia. Temos muito a resolver. E lembre-se, este casamento é o ápice de anos de planejamento. Não quero distrações.”

Sofia apenas assentiu, um nó na garganta, e saiu para o jardim. A chuva fina caía sobre as roseiras, limpando o ar, mas não a angústia em seu peito. Ela caminhou sem rumo, a melancolia se aprofundando a cada passo. Foi então que o viu.

Eduardo estava parado sob a marquise da entrada principal, o terno escuro molhado pela chuva, a expressão séria. Ele a esperava. O coração de Sofia deu um salto.

Ele se aproximou, o guarda-chuva negro protegendo ambos da chuva. “Veio buscar seu ar, Sofia?”

Ela não conseguia falar, apenas assentiu. A presença dele era um bálsamo e um veneno ao mesmo tempo.

“Eu não deveria estar aqui”, ela sussurrou, o olhar desviado.

“Eu sei”, Eduardo respondeu, a voz grave e calma. “Mas eu não podia deixar você sozinha com essa decisão. Sofia, você sabe que não precisa fazer isso, não sabe?”

As palavras dele eram um sussurro de liberdade, um convite para que ela rompesse as correntes que a prendiam. As lágrimas começaram a rolar pelo rosto de Sofia, misturando-se às gotas de chuva.

“Eu não tenho escolha, Eduardo”, ela disse, a voz embargada. “Minha família… a família dele… há muitas expectativas.”

Eduardo pegou o rosto dela entre as mãos, os polegares limpando as lágrimas. “Expectativas são construídas. O amor verdadeiro… esse precisa ser sentido. E você sente algo por mim, Sofia. Eu vi nos seus olhos. Eu senti em seus braços. Não se minta mais.”

Ele se inclinou, seus lábios roçando os dela. O beijo foi suave, hesitante no início, mas rapidamente se aprofundou, um beijo carregado de saudade, de desejo reprimido e de uma promessa silenciosa de um futuro diferente. Sofia se entregou ao momento, esquecendo a chuva, o jardim, a mansão, o noivo. Era como se apenas eles dois existissem naquele instante, em um refúgio de paixão e verdade.

Quando se afastaram, ambos ofegantes, Eduardo a segurou firme. “Sofia, eu te amo. Eu sei que é precipitado, mas é a verdade. Eu não quero que você se case com ele. Quero que você seja livre. Quero que você seja feliz. Comigo.”

As palavras dele eram a promessa que ela tanto sonhava em ouvir, a declaração que seu coração ansiava. Mas junto com a esperança, veio o peso da realidade. A imagem de seu pai, um homem orgulhoso e tradicional que havia depositado todas as suas esperanças nesta união, surgiu em sua mente. A humilhação para a família, o escândalo…

“Eu não posso, Eduardo”, ela disse, a voz quebrada. “Eu não posso fazer isso com eles. Com meu pai.”

O olhar de Eduardo escureceu, uma mistura de decepção e tristeza. “Então você escolhe o dever em vez do desejo? A obrigação em vez do amor?”

“É mais complicado do que isso”, Sofia sussurrou, as lágrimas voltando a cair. “Eu… eu preciso pensar.”

“Pensar?” Eduardo repetiu, um tom de amargura em sua voz. “Enquanto você pensa, eles te levam para o altar. Sofia, a vida é curta demais para viver uma mentira. Se você não me der uma chance agora, talvez nunca mais tenha essa oportunidade.”

Ele a olhou intensamente, buscando alguma faísca de decisão em seus olhos. Mas Sofia estava paralisada, dividida entre dois mundos, incapaz de dar um passo decisivo.

“Eu… eu preciso de tempo”, ela finalmente disse, a voz quase inaudível.

Eduardo suspirou, um som pesado que carregava toda a sua frustração. Ele tirou um pequeno papel do bolso interno do paletó e o colocou na mão dela. “Este é o meu número. Me ligue, Sofia. Me ligue antes que seja tarde demais. Antes que você se arrependa para sempre.”

Ele se afastou, o guarda-chuva agora cobrindo apenas ele, e caminhou de volta para a entrada da mansão, desaparecendo na penumbra. Sofia ficou ali, a chuva caindo sobre ela, o papel molhado em sua mão, o coração partido em mil pedaços. A promessa de liberdade ecoava em seus ouvidos, mas a promessa de dever a prendia em um ciclo de angústia. Ela sabia que a decisão que tomaria nos próximos dias selaria seu destino, e o peso dessa escolha era insuportável. O sussurro da liberdade a chamava, mas a sombra da promessa quebrada e dos corações partidos a assombrava. Ela estava à beira de um precipício, e a queda seria dolorosa, qualquer que fosse o caminho escolhido.

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