Amores que Doem 168

Capítulo 14 — A Noiva em Fuga e o Eco do Desespero

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 14 — A Noiva em Fuga e o Eco do Desespero

O dia do casamento amanheceu radiante, um sol cruel que zombava da tempestade que se formava dentro de Sofia. A mansão dos Vasconcelos fervilhava de atividade, um espetáculo de luxo e ostentação orquestrado por Dona Cecília com a precisão de um general. O vestido de noiva, uma obra de arte em renda e seda, aguardava no quarto de Sofia, um símbolo de sua futura prisão.

Sofia estava sentada em frente ao espelho, uma maquiadora aplicando camadas de base e blush em seu rosto, tentando disfarçar a palidez e a exaustão que a consumiam. A cada toque da maquiagem, ela sentia como se estivesse sendo enterrada viva. Os olhos da maquiadora, cheios de um profissionalismo distante, não capturavam a dor que transbordava de seu olhar.

“A senhorita está linda”, a maquiadora disse, com um sorriso forçado. “Um verdadeiro anjo.”

Um anjo? Sofia riu por dentro, um riso amargo e sem som. Anjos não sentem essa agonia, essa vontade desesperada de fugir.

Ricardo entrou no quarto, o sorriso radiante, a ansiedade de um noivo que ansiava pelo grande momento estampada em seu rosto. Ele a abraçou por trás, os lábios beijando o pescoço dela.

“Meu amor, você está deslumbrante”, ele sussurrou, a voz cheia de admiração. “Mal posso esperar para te chamar de minha esposa.”

Sofia se encolheu levemente, o abraço dele apertando a sensação de sufocamento. “Eu também, Ricardo”, ela mentiu, a voz fina e distante.

A cerimônia estava marcada para o meio-dia na capela particular da família, anexa à mansão. O altar estava adornado com flores brancas e velas, um cenário de conto de fadas que parecia pertencer a outra pessoa. Sofia sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

Enquanto era conduzida para o quarto para vestir o vestido, ela olhou para a janela. Lá fora, sob o céu azul brilhante, ela viu um carro escuro estacionado do outro lado da rua. Por um breve instante, um pensamento ousado e perigoso cruzou sua mente. Eduardo. Estaria ele ali?

A imagem do número que ele lhe dera, o papel amassado no fundo de sua gaveta, surgiu em sua memória. A promessa de liberdade. A chance de um amor verdadeiro.

Quando a mãe de Ricardo, Dona Cecília, entrou no quarto, com um sorriso triunfante, Sofia tomou uma decisão. Uma decisão desesperada, impulsionada pelo medo e pela súbita onda de coragem.

“Mãe, eu… eu preciso ir ao banheiro”, Sofia disse, a voz trêmula, mas firme.

Dona Cecília franziu a testa, impaciente. “Não temos tempo para isso, Sofia. A cerimônia está para começar.”

“É urgente”, Sofia insistiu, o coração batendo como um tambor. Ela se levantou, ignorando os protestos da sogra, e caminhou rapidamente para fora do quarto, em direção ao corredor dos fundos, longe da agitação principal.

Ela correu pelo corredor, a saia do vestido de noiva dificultando seus passos. Precisava encontrar um local discreto, um meio de sair dali sem ser vista. Seu olhar caiu sobre uma porta de serviço, raramente usada, que dava para os fundos da propriedade, perto do portão de serviço.

O desespero a impulsionou. Ela abriu a porta e saiu para o ar livre, o vestido branco contrastando chocantemente com o cenário rústico dos fundos da mansão. Ela correu em direção ao portão, tropeçando nas flores e na seda. A voz de Dona Cecília gritando seu nome ecoou atrás dela, mas Sofia não parou.

Quando chegou ao portão de serviço, viu o carro escuro. Era ele. Eduardo. Ele saiu do carro, o olhar fixo nela, uma expressão de surpresa e alívio misturados.

“Sofia!”, ele exclamou, correndo em sua direção.

Ela correu para seus braços, o vestido de noiva envolvendo os dois. “Eu não podia, Eduardo! Eu não podia me casar com ele!”

Eduardo a abraçou com força, o alívio em seu rosto era visível. “Eu sabia que você não podia. Eu sabia que você era forte demais para isso.”

“Eu sou uma noiva em fuga”, Sofia disse, com um sorriso trêmulo entre as lágrimas. “Isso é loucura.”

“É a nossa loucura”, Eduardo respondeu, beijando-a. “Vamos. Temos que sair daqui antes que eles nos encontrem.”

Ele a ajudou a entrar no carro, a saia do vestido de noiva espalhada no banco. Assim que a porta se fechou, Eduardo acelerou, o carro deixando para trás a mansão, o escândalo iminente e a vida que Sofia estava abandonando.

Os gritos de Dona Cecília e a comoção dos convidados que logo perceberiam a ausência da noiva pareciam distantes, abafados pelo ronco do motor e pelo som de seus próprios corações batendo em uníssono.

Enquanto o carro se afastava, Sofia olhou para trás. A mansão, antes símbolo de segurança e status, agora parecia um fantasma de um passado que ela estava determinada a deixar para trás. Ela não sabia o que o futuro reservava, mas pela primeira vez em muito tempo, sentia um vislumbre de esperança. A esperança de uma vida vivida com verdade, com paixão, com amor.

No entanto, o eco do desespero de Ricardo e a fúria de Dona Cecília certamente a alcançariam. A fuga era apenas o começo. A batalha pela sua liberdade e pelo seu coração estava apenas começando. E ela sabia que não seria fácil. O amor que ela escolheu vinha com um preço, e ela estava pronta para pagá-lo, custasse o que custasse.

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