Amores que Doem 168

Com certeza! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Amores que Doem 168", com reviravoltas que vão te prender do início ao fim.

por Ana Clara Ferreira

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Capítulo 22 — A Tempestade se Forma no Paraíso

O sol da Bahia, antes um abraço terno em pele bronzeada, agora parecia um holofote implacável sobre as fragilidades de Isabela. A brisa marinha, que antes trazia promessas de romance e felicidade, agora sussurrava segredos sombrios, carregados de incertezas. Sentada na varanda rústica da pousada, o copo de suco de cajá intocado em suas mãos, ela observava o horizonte, a linha azul que se fundia ao céu, tão imutável quanto as dúvidas que a corroíam por dentro. Aquele paraíso, que ela tanto idealizara, estava prestes a ser assolado por uma tempestade de emoções e verdades.

Desde que João Miguel se afastara, um silêncio desconfortável se instalara entre eles. Um silêncio prenhe de palavras não ditas, de olhares que se desviavam, de toques que se tornaram raros. A leveza que antes pairava sobre o relacionamento deles havia se esvaído, substituída por uma tensão palpável, um peso no peito que dificultava a respiração. Ela tentava, com todas as suas forças, não deixar que a angústia a consumisse. Afinal, João Miguel sempre fora seu porto seguro, sua âncora em meio às tempestades da vida. Mas agora, era ele mesmo o furacão que ameaçava dilacerar seu coração.

Na noite anterior, durante o jantar à luz de velas, Isabela sentiu a distância crescer. João Miguel estava calado, pensativo, seus olhos azuis, antes fixos nela com uma admiração que a fazia vibrar, agora pareciam perdidos em algum lugar distante, em algum pensamento que ela não alcançava. Ela tentou puxar conversa, perguntou sobre o dia dele, sobre o projeto na construtora, mas as respostas eram monossilábicas, evasivas.

“Você parece distante, meu amor”, ela arriscou, sua voz tingida de uma preocupação que lutava para disfarçar.

Ele levantou os olhos, um leve franzir de testa marcando sua testa. “Só cansado, Isa. Muito trabalho.”

Uma mentira transparente. Isabela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Cansado? Ou talvez... inquieto? O que o afligia tanto? Ela sabia que ele era dedicado ao trabalho, mas essa retração, essa aura de mistério, a deixava em alerta. Lembranças de conversas antigas, de momentos em que ele se fechava, voltaram à sua mente. Havia algo em sua postura que a lembrava de um segredo guardado, de uma verdade que ele relutava em compartilhar.

Mais tarde, deitada ao lado dele na cama macia, o corpo dele rígido e distante, Isabela não conseguiu dormir. O perfume dele, que antes a embriagava, agora parecia carregar uma nota de melancolia. Ela se virou para ele, seu coração apertado de saudade, mesmo estando tão perto.

“João Miguel”, ela sussurrou, tocando seu ombro.

Ele suspirou, virando-se para encará-la. Seus olhos, na penumbra do quarto, pareciam carregados de uma dor que ela não conseguia decifrar.

“O que te aflige?”, ela perguntou, sua voz embargada. “Você pode me contar. Somos um só, lembra?”

Ele hesitou por um longo instante, o silêncio se esticando como um fio tenso. Finalmente, ele falou, sua voz rouca e grave, como se estivesse lutando contra as palavras.

“Isa, tem algo que eu preciso te contar. Algo… que vai mudar tudo.”

Aquelas palavras, como um soco no estômago, a deixaram sem ar. Mudar tudo? O que poderia mudar tudo? Seria algo relacionado ao trabalho? A alguma complicação financeira? Ou algo mais… pessoal? A imaginação de Isabela, sempre fértil, começou a criar cenários sombrios, cada um pior que o outro.

“O que é, João Miguel? Por favor, me diz.” A súplica em sua voz era genuína, transparente.

Ele se afastou um pouco, como se o próprio corpo dele fosse uma barreira entre eles. “Não é fácil, Isa. Promete que vai tentar me entender?”

Ela assentiu, o nó na garganta impedindo a voz de sair. Apenas um aceno, um gesto desesperado para que ele continuasse.

“A empresa… a construtora… está passando por um momento muito delicado. Uma antiga dívida, que achávamos ter quitado, ressurgiu. E de uma forma… inesperada. E as consequências podem ser… severas.”

Isabela tentou absorver as informações, mas a mente dela estava girando em círculos. Dívida? Severas consequências? Isso significava problemas financeiros? Perda de patrimônio? A segurança que ela sentia ao lado dele, a estabilidade que ele representava, pareciam desmoronar diante de suas próprias mãos.

“Mas… como? O que aconteceu?”, ela perguntou, a voz trêmula.

João Miguel fechou os olhos por um momento, como se revivesse a dor da notícia. “Um antigo sócio, um homem que meu pai confiou cegamente, nos traiu. Ele falsificou documentos, desviou verbas… e agora, a dívida, que ele mesmo criou, caiu sobre nós como um raio. O processo é complicado, Isa. E as perdas… podem ser enormes.”

O peso daquelas palavras desabou sobre Isabela. Ela amava João Miguel profundamente, e a ideia de vê-lo sofrer, de vê-lo passar por dificuldades, era insuportável. Mas ela sabia que ele era forte. Ele sempre fora.

“E o que faremos?”, ela perguntou, tentando manter a calma, a voz firme, apesar do turbilhão interno.

“Estamos lutando. Contratamos os melhores advogados. Mas o tempo é curto. E a pressão… é imensa.” Ele suspirou, a exaustão transparecendo em cada palavra. “E tem mais, Isa.”

O coração de Isabela deu um salto. Mais? O que mais poderia haver?

João Miguel a olhou nos olhos, e pela primeira vez naquela noite, ela viu uma vulnerabilidade crua em seu olhar. Uma dor que ia além dos problemas financeiros.

“Essa dívida… não é só um problema financeiro. Ela tem um nome. E esse nome… está ligado a alguém que você conhece.”

Um arrepio gelado percorreu o corpo de Isabela. Alguém que ela conhecia? Quem? A mente dela começou a vasculhar a memória, buscando conexões, traçando linhas em um mapa mental tortuoso.

“Quem, João Miguel? Por favor, me diz quem é.”

Ele respirou fundo, a decisão gravada em seu rosto. “É o Dr. Armando Vasconcelos.”

O nome ecoou no silêncio do quarto, como uma sentença. Armando Vasconcelos. O renomado cardiologista, pai de Sofia, a antiga paixão de João Miguel. O homem que, em seus primeiros dias em Salvador, parecia tão gentil, tão acolhedor. Aquele nome, associado àquela dívida, àquela traição, era um golpe baixo, uma reviravolta cruel do destino.

Isabela sentiu o chão sumir sob seus pés. Aquele homem, que ela conhecera em circunstâncias tão distintas, estava envolvido em um esquema de fraude que ameaçava o futuro de João Miguel. A relação deles, que já estava em ponto de ebulição, agora parecia prestes a explodir.

“Armando Vasconcelos?”, ela repetiu, incrédula. “Mas… como? Eu não entendo.”

“Ele era o sócio do meu pai na época. Um negócio que nasceu de uma grande amizade. Meu pai sempre o considerou um irmão. E ele… ele se aproveitou disso. Usou a confiança dele para nos arruinar.” A voz de João Miguel carregava uma amargura profunda. “E agora, a família dele, a Sofia… eles também estão sendo envolvidos nisso. De uma forma ou de outra.”

O peso daquela informação era esmagador. Sofia. A mulher que sempre pairou como uma sombra sobre o relacionamento deles. A mulher que, Isabela temia, ainda nutria sentimentos por João Miguel. Agora, essa sombra se tornava ainda mais densa, ainda mais ameaçadora.

“Sofia… ela sabe disso tudo?”, Isabela perguntou, a voz embargada.

João Miguel hesitou. “Não tenho certeza. Ela… ela está passando por dificuldades também, Isa. E meu pai, apesar de tudo, ainda se preocupa com ela. Ele me pediu para… para não deixá-la desamparada, mesmo com essa situação.”

A complexidade da situação era avassaladora. Traição, dívidas, falsidade, e no centro de tudo, a figura de Sofia, a eterna rival, agora envolvida em um escândalo que poderia abalar sua própria vida. Isabela sentiu uma onda de compaixão misturada com uma raiva silenciosa. Como um homem podia ser tão cruel com um amigo, com um parceiro de negócios? E como podia a filha dele, Sofia, estar alheia a tudo isso?

Ela olhou para João Miguel, vendo a luta em seus olhos. Ele estava dividido entre a busca por justiça, a necessidade de proteger seu legado e a lealdade a uma amizade do passado, que agora se revelava uma traição.

“Eu preciso ir… preciso pensar”, Isabela disse, levantando-se da cama, a urgência em seu tom.

João Miguel a segurou pelo braço, sua voz suplicante. “Isa, por favor, não vá. Fica. Precisamos conversar sobre isso. Precisamos encontrar uma saída juntos.”

“Juntos? Como, João Miguel? Você mal me contou isso agora. E o que Sofia tem a ver com isso tudo? Ela é a sua prioridade agora? A sua preocupação?” As palavras saíram em um tom acusatório, carregadas de toda a insegurança e mágoa que ela sentia.

Ele a olhou, surpreso pela intensidade da sua reação. “Não é isso, Isa. Você sabe que você é a minha prioridade. Mas a situação é delicada. A família Vasconcelos está envolvida. E meu pai… meu pai me pediu para ser cauteloso.”

“Cauteloso? Com a mulher que sempre tentou se interpor entre nós? E agora você me diz que ela está envolvida em uma dívida que arruína a sua vida?” Isabela sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos, traindo a força que ela tentava projetar. “Eu não sei mais o que pensar, João Miguel. Não sei mais em quem acreditar.”

Ela se soltou do aperto dele e saiu do quarto, deixando-o sozinho com seus pensamentos e a escuridão da noite. A brisa marinha, antes um murmúrio suave, agora parecia um grito de angústia, prenunciando a tempestade que se abateria sobre seus corações. O paraíso da Bahia, antes um refúgio, agora se tornava um palco para um drama que prometia ser ainda mais doloroso do que ela podia imaginar.

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