Amores que Doem 168

Capítulo 5 — Sussurros no Cais e a Verdade Desvendada

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 5 — Sussurros no Cais e a Verdade Desvendada

A Lapa, com suas ladeiras íngremes e a vida pulsante que emanava de cada esquina, tornou-se o palco de um drama silencioso para Isabella. A cada encontro com Daniel, com seus olhos verdes carregados de uma melancolia ancestral, e a cada reencontro com Lucas, com sua determinação em reconquistá-la, ela se sentia mais imersa em um labirinto de emoções conflitantes.

A proposta de trabalho de Lucas, que antes parecia uma oportunidade de recomeço, agora se tornava um campo minado. A proximidade diária com ele era uma tortura doce, um constante lembrete do passado que ela tentava superar. Lucas, por sua vez, parecia genuinamente empenhado em demonstrar que havia mudado. Ele era atencioso, profissional e demonstrava um carinho que desarma Isabella, mas uma voz em sua consciência a alertava para a verdade ainda não revelada.

Em uma tarde de sexta-feira, após um longo dia de trabalho no escritório de arquitetura, Lucas a convidou para um passeio pela orla da Barra da Tijuca. O sol se punha no horizonte, pintando o céu com tons vibrantes de laranja e rosa, um espetáculo que normalmente traria paz, mas que, naquele momento, apenas intensificava a angústia de Isabella.

"Você tem estado pensativa ultimamente, Isabella", Lucas comentou, enquanto caminhavam lado a lado. "Algo te incomoda?"

Isabella hesitou. A verdade parecia se aproximar, mas ela ainda receava desenterrá-la. "É… é muita coisa, Lucas. O Rio, o trabalho, o passado… e você."

Lucas parou de andar e a encarou, a expressão séria. "Eu sei que o nosso reencontro foi uma surpresa. E sei que causei muita dor. Mas eu quero que você saiba que estou aqui para você. Para te apoiar. Para te amar."

Ele estendeu a mão e tocou o rosto dela, um gesto terno que fez o coração de Isabella disparar. Era a mesma ternura que ela lembrava, a mesma paixão que a consumira. Mas algo estava errado. Aquele olhar, tão familiar, parecia esconder um segredo.

"Lucas, eu preciso te perguntar algo", Isabella disse, a voz baixa e trêmula. "O que aconteceu com você depois que nos separamos? O que aconteceu com você no tempo em que você sumiu do Rio?"

Lucas desviou o olhar, um véu de incerteza cobrindo seus olhos. "Eu… eu tive um tempo difícil, Isabella. Perdi meus pais. Me mudei para cá. Tentei recomeçar."

"Mas e o seu amor?", Isabella insistiu, a voz ganhando força. "O amor que você disse que nunca deixou de sentir. O amor que você disse que te consumia. Quem é essa pessoa, Lucas?"

Ele a olhou, a confusão evidente em seu rosto. "Isabella, não entendo o que você quer dizer. Eu estou falando de você. De você, Isabella. Eu sempre te amei."

As palavras dele eram uma armadilha. Isabella sentiu um frio na espinha. Ela sabia, no fundo de sua alma, que algo estava terrivelmente errado. O homem à sua frente, que se dizia ser Lucas, não era o Lucas que ela conheceu. Havia uma diferença sutil, mas crucial, em sua essência.

"Não!", Isabella exclamou, dando um passo para trás. "Você não é o Lucas! O Lucas que eu amei… ele não fala assim. Ele não tem esse olhar. Quem é você?"

O rosto de Lucas empalideceu. Ele parecia chocado, confuso. "Isabella, o que você está dizendo? Eu sou o Lucas. Seu Lucas."

"Não!", ela repetiu, a voz embargada pelas lágrimas que começaram a rolar. "O Lucas que eu conheci era um músico. Ele tocava violão. E ele se chamava Daniel!"

O choque no rosto de Lucas se transformou em desespero. Ele parecia ter sido pego de surpresa, sem saber o que dizer. "Daniel? Músico? Isabella, você está confusa. Eu sou arquiteto. Nós nos conhecemos na faculdade."

"Não! Eu conheci o Lucas, o músico, na Lapa! Ele era meu vizinho! E ele também era arquiteto!", Isabella gritou, as memórias se misturando em um turbilhão de confusão e dor.

Lucas, ou quem quer que fosse, a olhou com uma mistura de pânico e desespero. "Isabella, eu não entendo. Eu sou o Lucas. O homem que você amava. Eu nunca toquei violão. Eu sempre fui arquiteto."

De repente, Isabella se lembrou das palavras de Seu Antenor. O vizinho que guardava um segredo. O amor do passado. E a música do violão que ecoava pela vizinhança. Tudo se encaixava. Daniel era Lucas. Ou Lucas era Daniel. Mas quem era o homem à sua frente?

"Onde está o Lucas, o músico?", Isabella exigiu, a voz rouca. "Onde está o homem que eu amava na Lapa?"

O homem à sua frente, com os olhos cheios de desespero, não sabia o que responder. Ele parecia um impostor, um ladrão de identidades.

"Isabella, eu juro que sou eu", ele implorou. "Eu te amo. Eu voltei para você."

Mas Isabella não conseguia mais acreditar. A verdade, fria e cruel, se revelou em sua mente. Havia dois homens. Um que ela amava, que era músico e arquiteto, e que morava na Lapa. E outro, que se apresentava como Lucas, que também era arquiteto, mas que não a reconhecia como ela o conhecia.

Naquela noite, Isabella correu para casa, para a segurança de seu pequeno apartamento na Lapa. O som do violão vindo da casa vizinha era agora um consolo, um farol em meio à tempestade. Ela bateu na porta de Daniel, o coração em disparada.

A porta se abriu e lá estava ele, Daniel, com o violão em mãos, o olhar surpreso. Mas quando ele viu o desespero no rosto de Isabella, sua expressão mudou para preocupação.

"Isabella? O que houve? Você está bem?", ele perguntou, a voz cheia de apreensão.

Isabella o olhou, e pela primeira vez, viu nele o Lucas que ela amava. Os mesmos olhos verdes, a mesma melancolia gentil.

"Lucas?", ela sussurrou, as lágrimas rolando livremente. "Você é o Lucas, não é?"

Daniel a olhou confuso. "Eu… eu sou Daniel. Mas se você me chama de Lucas… talvez você me conheça de antes."

"Sim!", Isabella exclamou, a verdade se desvendando em sua mente. "Eu te conheço! Você é o Lucas! O músico! O meu Lucas!"

Daniel, o músico, a olhou com um misto de espanto e esperança. "Seu Lucas? Você me ama?"

"Eu te amo!", Isabella chorou, abraçando-o com força. "Mas… mas quem era o homem que se apresentou como Lucas no escritório de arquitetura? Quem era aquele que disse que me amava e que voltou para o Rio?"

Daniel a apertou em seus braços, o violão caindo suavemente no chão. "Houve um homem, Isabella. Um homem que se dizia meu amigo. Ele soube da minha história, do meu amor por você. E ele… ele decidiu se passar por mim. Ele queria te reconquistar, mesmo sabendo que eu era o seu amor. Ele se aproveitou da sua dor, da sua solidão."

O choque tomou conta de Isabella. Aquele homem, que se apresentou como Lucas, era um impostor. Ele havia se aproveitado de sua vulnerabilidade, de sua dor, para se infiltrar em sua vida.

"Ele te enganou, Isabella", Daniel disse, a voz rouca de emoção. "Ele te enganou. Mas agora você está aqui. Comigo. Onde você pertence."

Naquele abraço apertado, sob o olhar cúmplice da lua que despontava no céu do Rio, Isabella sentiu que finalmente havia encontrado o caminho de volta para casa. A verdade havia sido desvendada, e a armadilha, por mais dolorosa que tivesse sido, estava desfeita. O amor que doía, que a assombrava, agora se revelava como a força que a guiaria para um novo começo, ao lado do verdadeiro Lucas.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%