Amores que Doem 170

Capítulo 17 — O Labirinto da Culpa

por Isabela Santos

Capítulo 17 — O Labirinto da Culpa

A noite caiu sobre o Rio de Janeiro como um véu escuro, mas para Mariana, a escuridão era interna, profunda e intransponível. A notícia de sua gravidez, antes um motivo de esperança e um fio condutor para um futuro que ela idealizara, agora se transformara em um fardo esmagador, tingido pela culpa e pelo medo. Sentada em seu quarto modesto em Ipanema, as cortinas fechadas para barrar o mundo lá fora, ela sentia cada batida do seu coração como um eco da decepção que certamente causara a Clara.

O teste de gravidez positivo, aquele pequeno pedaço de plástico que deveria selar uma felicidade, era agora um símbolo do seu fracasso. O sorriso que ela imaginara nos lábios de Clara ao compartilhar a novidade se desfez em sua mente, substituído por uma imagem vívida de mágoa e desconfiança. Ela sabia o quanto Clara amava Miguel, o quanto elas eram amigas, irmãs de alma. E agora, ela, Mariana, havia se tornado a pedra no caminho desse amor, a responsável pela dor que se instalara no coração da mulher que mais admirava no mundo.

As lágrimas rolavam incessantemente pelo seu rosto, silenciosas, mas carregadas de um desespero que a consumia. Ela acariciava a barriga, um gesto instintivo de proteção, mas também um lembrete constante do erro cometido. Aquele ser que crescia dentro dela era fruto de um momento de fraqueza, de uma paixão avassaladora e de uma decisão impulsiva que agora se desdobrava em um labirinto de consequências. Ela se sentia presa, encurralada pela própria imprudência.

Miguel… A imagem dele, a confusão em seus olhos, a dor que ele tentava disfarçar… ela sabia que ele não a amava da mesma forma que amava Clara. O que aconteceu entre eles foi um deslize, uma busca por conforto em um momento de fragilidade. Mas esse deslize, ela agora percebia com horror, tinha o poder de destruir vidas. Ele se sentia responsável, ela sabia. E essa responsabilidade, para ele, provavelmente seria mais um peso do que um alívio.

“Eu não queria isso”, ela sussurrou para si mesma, a voz embargada. “Eu nunca quis te machucar, Clara. Nunca.” A promessa de lealdade que ela havia feito à amiga parecia ecoar em sua mente como uma acusação. Ela havia traído essa promessa, não apenas com Miguel, mas com a própria essência da amizade delas.

Um toque suave na porta a fez sobressaltar. Era sua mãe, Dona Lúcia, uma mulher forte e resiliente que havia criado Mariana sozinha após a morte prematura de seu pai. Ela entrou com um copo de chá e um olhar preocupado.

“Minha filha, você precisa comer alguma coisa. E beber isso. Está muito fria aqui dentro.” Dona Lúcia colocou o copo na mesinha de cabeceira e sentou-se na beira da cama, abraçando a filha.

Mariana se aninhou no abraço da mãe, buscando o conforto que só o amor maternal podia oferecer. “Mãe… eu não sei o que fazer.”

“Eu sei que é difícil, meu amor”, Dona Lúcia disse, a voz suave, mas firme. “Mas você não está sozinha. Eu estou aqui. E você vai superar isso.”

“É o Miguel… e a Clara… Eu… eu estraguei tudo”, Mariana confessou, as lágrimas voltando a cair. “Eu não queria que isso acontecesse. Eu me senti tão sozinha, tão perdida… e ele… ele foi gentil.”

Dona Lúcia suspirou, compreendendo a complexidade da situação. Ela sabia que o coração de sua filha havia sido partido muitas vezes, e agora, com essa nova complicação, o peso era ainda maior. “Às vezes, nos momentos de fragilidade, tomamos decisões que depois nos arrependemos. Mas o importante agora é enfrentar as consequências com coragem. E você tem coragem, Mariana. Você é forte.”

“Mas e o bebê? Eu não posso… Eu não quero que ele cresça sem um pai presente. E a Clara… ela vai me odiar.”

“O ódio é um sentimento forte demais para quem ama”, Dona Lúcia respondeu, acariciando os cabelos da filha. “Talvez ela precise de tempo para entender. E quanto ao pai… você e Miguel precisarão conversar. Tomar decisões juntos. Pelo bem da criança.”

Mariana se afastou um pouco, um lampejo de determinação em seus olhos. “Eu preciso falar com ele. Preciso que ele saiba que eu não o culpo. Que a culpa é toda minha.”

“E você precisa falar com a Clara”, Dona Lúcia acrescentou, com sabedoria. “A verdade, por mais dolorosa que seja, é sempre o melhor caminho. Ela merece saber.”

Naquela noite, enquanto Miguel se debatia com a culpa e a incerteza em Copacabana, Mariana enfrentava seu próprio labirinto de remorso em Ipanema. A gravidez, um presente da vida, havia se tornado um espelho cruel de suas falhas. Mas, no fundo de seu coração, uma pequena chama de esperança começava a arder. A esperança de que, com coragem e verdade, ela poderia encontrar um caminho para reconstruir não apenas sua vida, mas também o que havia sido quebrado entre ela e Clara. A noite era longa, e as decisões que precisariam ser tomadas seriam as mais difíceis de sua vida.

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