Amores que Doem 170

Claro! Com a paixão e o drama que só o Brasil sabe dar, vamos dar continuidade a "Amores que Doem 170". Prepare o coração!

por Isabela Santos

Claro! Com a paixão e o drama que só o Brasil sabe dar, vamos dar continuidade a "Amores que Doem 170". Prepare o coração!

Capítulo 6 — A Urgência do Coração e o Véu da Mentira

O sol do Rio de Janeiro, um leão dourado espreguiçando-se no céu imenso, parecia zombar da agitação que tomava conta de Helena. Aquele fio dourado, outrora um símbolo de promessa e esperança, agora parecia um fio de praga desfiando a trama de sua vida. A conversa com a tia Aurora, uma cascata de revelações dolorosas e verdades veladas, havia deixado Helena em um turbilhão. O peso das palavras, carregadas de anos de silêncio e arrependimento, ecoava em sua alma como um sino fúnebre. A velha casa, que antes prometia respostas, agora parecia um labirinto de segredos, cada cômodo guardando um fantasma do passado.

Ela andava de um lado para o outro em seu pequeno apartamento em Copacabana, o aroma salgado do mar invadindo as janelas abertas, mas incapaz de aplacar a tempestade interna. A imagem de sua mãe, Clara, uma mulher forte e vibrante que ela conheceu apenas em fotografias desbotadas e histórias fragmentadas, era agora pincelada com tons sombrios. A gravidez clandestina, a fuga, o abandono do homem que dizia amá-la… tudo se encaixava de forma cruel e devastadora. E o fio dourado? Um presente de despedida, um último suspiro de esperança de um pai ausente, um lembrete constante de um amor que nunca se concretizou.

“Não pode ser… não pode ser verdade”, murmurava Helena, esfregando as têmporas como se pudesse afastar a dor que a corroía por dentro. A figura de sua mãe, tão etérea e distante, ganhava contornos de sofrimento, de solidão. E ela, Helena, era o fruto dessa dor, o testemunho vivo de um amor que nasceu sob o signo da proibição e do escândalo.

O telefone tocou, estridente, quebrando o silêncio pesado. Era Rafael. O coração de Helena deu um salto, misto de alívio e pavor. Alívio pela presença dele, um porto seguro em meio ao naufrágio; pavor pela fragilidade de sua própria sanidade, pela possibilidade de não conseguir sustentar a fachada.

“Helena? Você está bem?”, a voz dele, profunda e melodiosa, soava como um bálsamo.

“Rafael… sim, estou. Só… pensando.” A mentira saiu com facilidade dolorosa.

“Pensando em quê? Parece que o mundo desabou aí dentro.” Ele a conhecia bem, até demais.

Helena riu, um som seco e sem alegria. “Um pouco. Lembranças antigas, sabe? Nada demais.”

“Nada demais para você, talvez. Mas você não sabe esconder as coisas, meu amor. Seu coração pulsa mais rápido, suas mãos ficam frias. O que está acontecendo?” A preocupação na voz dele era palpável, um abraço apertado através da linha telefônica.

Ela respirou fundo. A verdade era uma fera que se recusava a ser domesticada. “Eu… eu tive uma conversa com a tia Aurora. Ela me contou coisas sobre a minha mãe.”

Houve um breve silêncio do outro lado. “Coisas boas, eu espero.”

“Depende do ponto de vista. Coisas… complicadas. Rafael, a minha mãe… ela não era exatamente quem eu pensava. Ela… ela engravidou de mim sem ser casada. Do meu pai.”

O silêncio que se seguiu foi ainda mais denso. Helena imaginou Rafael paralisado, absorvendo aquelas palavras que mudavam tudo. Ela se sentia exposta, nua sob o olhar dele, mesmo que ele estivesse a quilômetros de distância.

“E… e quem é o seu pai?”, a voz dele saiu rouca, carregada de uma emoção contida.

Helena hesitou. A tia Aurora havia sido clara: segredo absoluto. Mas como esconder algo tão fundamental de Rafael? Ele era seu companheiro, seu confidente. A confissão, porém, parecia empurrar a pedra para o fundo de um poço sem fim.

“Ele… ele não pode saber. Pelo menos, não agora. É… complicado, Rafael. A história é longa e dolorosa.”

“Mas você precisa me contar, Helena. Não pode carregar isso sozinha.” O tom dele era firme, mas gentil.

Ela se deixou envolver pela segurança da voz dele. Fechou os olhos, imaginando o rosto de Rafael, a forma como ele a olhava, como se ela fosse a única pessoa no mundo. Era essa confiança que ela precisava.

“Minha mãe, Clara, era uma moça da sociedade. Meu pai… ele era alguém que ela não devia ter conhecido. Um artista, boêmio. Foi um amor proibido, Rafael. Ela engravidou, e a família dela… não aceitou. Ela teve que fugir. Ela me teve sozinha. E ele… ele nunca soube de mim.”

As palavras saíram em um jorro, liberando um pouco da pressão que a sufocava. Ela sentiu as lágrimas quentes escorrerem pelo rosto.

“E o fio dourado?”, perguntou Rafael, a voz agora mais suave, como se estivesse tentando desatar os nós da dor dela.

“Foi um presente dele. Um último gesto antes dela ir. A tia Aurora me deu quando eu era criança. Achava que era para me confortar. Mas era uma lembrança constante de algo que eu nunca tive.” A voz de Helena embargou.

“Meu amor… eu sinto muito que você tenha que passar por isso. Mas agora você sabe. E você não está mais sozinha.” A promessa em sua voz era um farol. “E se ele nunca soube de você… talvez ele ainda possa saber.”

Helena sentiu um arrepio. A ideia era tentadora e aterradora ao mesmo tempo. Viver com a incerteza era uma tortura, mas confrontar a realidade poderia ser ainda pior.

“Eu não sei, Rafael. A tia Aurora disse que ele seguiu a vida dele, que não tem nada a ver com isso. Que seria desrespeitoso com a memória da minha mãe.”

“Mas você precisa de respostas, Helena. Pelo seu passado, pelo seu presente, pelo seu futuro. E por sua mãe. Ela não merece que a história dela seja contada apenas por um lado, não é?”

As palavras de Rafael ecoavam a verdade que ela sentia no fundo da alma. A tia Aurora, com suas boas intenções, havia mantido um véu sobre a história, impedindo Helena de conhecer toda a verdade, de ter uma visão completa de sua origem.

“Eu preciso pensar, Rafael. É tanta coisa de uma vez.”

“Pense o quanto precisar. Mas saiba que estarei aqui, ao seu lado. Sempre.” A voz dele era um juramento.

Naquela noite, o sono de Helena foi agitado. Sonhou com Clara, uma mulher sorrindo em um campo florido, segurando um bebê nos braços. Mas, de repente, a paisagem se transformava em uma tempestade, e a figura de Clara desaparecia na escuridão. O fio dourado, antes brilhante, transformava-se em uma corrente grossa, prendendo o bebê. Helena acordou suando frio, o coração disparado.

No dia seguinte, sentia-se mais decidida. A mentira, a ocultação, tudo isso a sufocava. Ela precisava conhecer a verdade, por mais dolorosa que fosse. A casa da tia Aurora, com seus ecos de passado e suas sombras de segredo, chamava por ela.

Enquanto isso, em um escritório luxuoso no centro do Rio, um homem de meia-idade, com os cabelos grisalhos e um olhar penetrante, folheava um antigo álbum de fotografias. Uma imagem em particular o prendia. Era de uma jovem mulher, com um sorriso radiante e olhos que transbordavam alegria. Ao lado dela, um pequeno fio dourado, enrolado delicadamente em um cartão. O homem suspirou, um misto de saudade e arrependimento. Ele era Arthur, um artista renomado, com uma carreira brilhante, mas com um vazio no peito que nenhuma obra de arte conseguia preencher. O passado o assombrava, um fantasma de um amor que ele acreditava ter perdido para sempre. E ele nunca soube que aquele amor havia deixado um legado, uma vida pulsante em algum lugar da cidade. O destino, porém, parecia ter outros planos, e os fios do passado começavam a se entrelaçar de forma incontrolável.

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