Cativada pelos seus Olhos 171

Capítulo 14 — O Ultimato da Senhora Almeida e a Ameaça Velada

por Camila Costa

Capítulo 14 — O Ultimato da Senhora Almeida e a Ameaça Velada

O escritório do Dr. Alberto era um contraste gritante com a opulência fria do escritório de Dona Aurora. Menos luxuoso, mas mais acolhedor, com pilhas de livros, quadros antigos e um cheiro suave de couro e papel velho. Sofia sentou-se na poltrona de frente para ele, sentindo-se mais à vontade ali do que em qualquer outro lugar na mansão. A conversa com Rafael havia lhe dado um vislumbre de esperança, mas a revelação sobre a herança e o envolvimento de sua mãe a deixavam apreensiva.

"O senhor Almeida", Sofia começou, a voz ainda um pouco trêmula, "ele me deixou uma mensagem. Através de uma advogada. Ele disse que tinha algo importante para me entregar."

Dr. Alberto assentiu, o olhar compreensivo. "Sim, ele me falou sobre isso. O senhor Almeida era um homem justo, Sofia. Ele não podia mais conviver com o segredo que guardava."

"Ele disse que a fortuna do meu pai não era inteiramente dele", Sofia continuou, recapitulando as palavras que a assombravam. "Que havia um débito, um erro do passado que precisava ser corrigido."

"Exatamente", Dr. Alberto confirmou. "Seu pai, em sua juventude, envolveu-se em negócios arriscados e, para ser franco, desonestos. Ele usou o dinheiro de investidores, incluindo o do senhor Almeida, e depois desapareceu com a maior parte, deixando muitos na ruína. O senhor Almeida foi um dos poucos que conseguiu se reerguer e, por lealdade ou talvez por um senso de justiça tardio, guardou as provas. Ele me procurou há algum tempo, querendo garantir que a verdade viesse à tona, mas de uma forma que não destruísse completamente a sua família. Ele acreditava em você, Sofia. Acreditava que você poderia consertar as coisas."

Sofia sentiu um aperto no peito. A imagem de seu pai, que ela idolatrava, mudava drasticamente. Ele não era o herói que ela imaginava.

"E minha mãe?", Sofia perguntou. "Ela sabia de tudo isso?"

Dr. Alberto hesitou por um momento. "Sua mãe sempre soube o suficiente para se beneficiar. Ela é uma mulher ambiciosa, Sofia. E sempre soube como usar as informações a seu favor."

A confirmação das suspeitas de Sofia era dolorosa. Sua mãe, a mulher que ela acreditava ser sua protetora, era, na verdade, cúmplice e manipuladora.

"A senhora Almeida", Sofia disse, mudando de assunto. "Ela é quem está com a herança? Ela me deixou uma carta, me pedindo para ir até a casa dela."

"A senhora Almeida é a viúva do senhor Almeida", Dr. Alberto explicou. "Ela está apenas cumprindo o desejo do marido. Ele deixou um testamento detalhado, com documentos e provas. E ela está disposta a entregá-los a você."

Sofia sentiu um calafrio. Aquele encontro com a senhora Almeida parecia inevitável e, de alguma forma, perigoso.

"Mas minha mãe não vai gostar disso", Sofia ponderou. "Ela quer controlar tudo."

"Sua mãe é o principal obstáculo, Sofia", Dr. Alberto admitiu. "Ela sabe que a verdade pode desmascará-la. Ela vai tentar impedi-la de todas as formas possíveis."

De repente, a porta do escritório se abriu e Dona Aurora entrou, o olhar fuzilando Sofia e o tio. Ela parecia ter pressentido que algo estava sendo tramado contra ela.

"Discutindo meus assuntos, Alberto?", Dona Aurora disse, a voz fria e cortante.

"Apenas tentando entender o passado, Aurora", Dr. Alberto respondeu calmamente.

"Não há nada a entender", Dona Aurora retrucou, o olhar fixo em Sofia. "Sofia, você vai se casar com o senhor Carvalho. E você vai esquecer todas essas bobagens sobre herança e segredos."

Sofia levantou-se, sentindo a energia tensa no ar. "Mãe, eu não vou me casar com ele. E eu preciso saber a verdade sobre o meu pai."

Dona Aurora riu, um som seco e desagradável. "A verdade, Sofia? A verdade é que você é uma ingrata. Eu fiz tudo por você, e você me desobedece."

Ela deu um passo à frente, o olhar perfurando Sofia. "Você acha que pode fugir? Acha que pode desafiar a mim? Você não entende com quem está lidando."

De repente, a expressão de Dona Aurora mudou. Um sorriso sutil, mas sinistro, surgiu em seus lábios. "Eu já sei sobre o seu novo amigo, Sofia. O homem misterioso que você anda encontrando. O homem que, pelo que sei, tem um passado obscuro."

O sangue de Sofia gelou. Rafael. Como ela sabia?

"Eu não sei do que você está falando", Sofia disse, tentando manter a calma.

"Não minta para mim, Sofia", Dona Aurora sibilou. "Eu tenho meus informantes. E sei que você está se encontrando com Rafael Bastos. Um homem que, aliás, tem conexões perigosas. Conexões que podem arruinar não apenas você, mas todos ao seu redor."

A ameaça era clara. Dona Aurora estava usando informações sobre Rafael para intimidá-la.

"Você não pode machucá-lo, mãe", Sofia disse, a voz embargada.

"Eu posso fazer o que for preciso para proteger o nome da nossa família, Sofia", Dona Aurora respondeu, o tom de voz perigosamente baixo. "E se você insistir em desafiar meus planos, você e esse seu novo amigo vão se arrepender amargamente."

Ela se virou para Dr. Alberto. "E você, Alberto. Se continuar a incentivar essa rebeldia em Sofia, terá consequências sérias. Eu não hesitarei em expor os seus próprios segredos, se necessário."

A ameaça era direcionada a ambos. Dona Aurora era implacável.

"Agora, Sofia", ela disse, voltando-se para a filha. "Você tem 24 horas para aceitar o casamento com o senhor Carvalho. Se você não o fizer, as consequências serão terríveis. Para você e para o seu amado Rafael."

Com essas palavras, Dona Aurora saiu do escritório, deixando para trás um rastro de medo e incerteza. Sofia ficou parada, o coração batendo descompassado. A ameaça de sua mãe era real. E ela sabia que precisava agir rápido.

"Sofia", Dr. Alberto disse, a voz cheia de preocupação. "Precisamos ser cautelosos. Sua mãe é perigosa."

"Eu sei", Sofia respondeu, a determinação crescendo em seu peito. "Mas eu não posso ceder. Eu preciso ir à casa da senhora Almeida. Preciso pegar esses documentos. É a minha única chance de me libertar."

"Mas e Rafael? Ela o ameaçou", Dr. Alberto ponderou.

"Eu vou avisá-lo", Sofia disse. "Ele precisa saber. E juntos, vamos encontrar uma maneira de enfrentar minha mãe. E de desvendar a verdade."

Sofia sentiu um misto de medo e coragem. A ameaça velada de sua mãe era um aviso sombrio, mas também um impulso para agir. Ela não seria mais uma marionete. Ela lutaria por sua liberdade, por sua verdade, e pelo amor que estava começando a florescer em seu coração.

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