Cativada pelos seus Olhos 171

Capítulo 19 — O Canto da Sereia e a Armadilha Revelada

por Camila Costa

Capítulo 19 — O Canto da Sereia e a Armadilha Revelada

O silêncio que se seguiu à reunião com Santiago Vasconcelos era diferente. Não era mais o silêncio carregado de incerteza e medo, mas sim o silêncio tenso que precede a tempestade. Helena e Ricardo caminhavam de mãos dadas, a compreensão mútua irradiando entre eles. A confiança havia sido construída sobre a base frágil da verdade, e agora, juntos, eles estavam prontos para enfrentar o que viesse pela frente.

"Ele é diferente do que eu imaginava," Ricardo comentou, a voz ainda carregada de certa apreensão, mas com um toque de admiração. "Eu pensava que ele seria mais frio, mais distante."

"Ele é um homem ferido, Ricardo," Helena respondeu suavemente. "A dor pela perda do irmão o moldou. E essa dor o impulsiona a buscar justiça." Ela olhou para ele, seus olhos verdes refletindo a luz fraca da rua. "E nós também. Pelo Marcus."

Os dias que se seguiram foram de uma atividade frenética e discreta. Ricardo, sob a orientação de Santiago Vasconcelos, começou a usar seus contatos para obter informações sobre o paradeiro de Marcus. Cada telefonema, cada encontro secreto em cafés discretos ou becos sombrios, era um passo calculado no tabuleiro perigoso que eles haviam entrado. Helena estava sempre ao seu lado, uma confidente e uma aliada inabalável, anotando cada detalhe, organizando cada pista.

Enquanto isso, a quadrilha parecia não suspeitar de nada. A fachada de normalidade que Ricardo mantinha era impecável, um testemunho de sua habilidade em atuar. Ele participava de reuniões, falsificava documentos, mas por dentro, o peso da traição e o medo por Marcus o corroíam.

Em uma dessas reuniões, em um restaurante luxuoso no centro da cidade, Ricardo foi abordado por uma figura inesperada: Isabela. A mulher, que ele conhecera superficialmente em eventos sociais relacionados aos negócios de sua família, era conhecida por sua beleza estonteante e por seu jeito sedutor.

"Ricardo, meu querido! Que bom te encontrar por aqui," Isabela disse, com um sorriso que prometia muito, mas entregava pouco. Ela se sentou à mesa dele sem ser convidada, sua presença exalando um perfume forte e envolvente. "Faz tempo que não nos vemos. Como anda o seu... império?"

Ricardo sentiu um calafrio. Isabela era conhecida por ter conexões com o submundo, por ser uma oportunista que se beneficiava da ambição alheia. "Ando bem, Isabela. Negócios seguem seu curso."

"Ah, sim, negócios," ela riu, um som agudo e provocador. "Mas dizem que o seu curso tem sido um pouco... turbulento ultimamente. Especialmente para você." Ela inclinou-se ligeiramente para a frente, seu olhar penetrante fixo no dele. "Ouvi dizer que você anda meio... pressionado. Que há pessoas que não estão felizes com a sua performance."

Ricardo sentiu o suor frio escorrer pela testa. Ele não sabia como ela poderia ter obtido essas informações. Será que alguém da quadrilha o traíra? Ou era apenas a perspicácia natural de Isabela, que farejava o perigo?

"Eu não sei do que você está falando," ele respondeu, tentando manter a calma.

Isabela sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "Ora, Ricardo, não precisa se fazer de desentendido. Eu sei que você está envolvido com gente perigosa. Gente que não perdoa deslizes. Mas talvez eu possa te ajudar. Eu tenho meus próprios contatos. Pessoas que podem... resolver certos problemas."

Ela estendeu a mão para pegar a sua, seus dedos longos e bem cuidados roçando os dele. "Talvez a gente possa fazer um acordo. Você me dá um pouco do que eu quero, e eu te ajudo a sair dessa enrascada. Pense nisso." Ela deixou um pequeno cartão de visitas na mesa. "Me ligue quando estiver pronto para conversar. Podemos resolver isso juntos."

Com um último olhar sedutor, Isabela se levantou e se afastou, deixando Ricardo abalado. Ele sabia que as palavras dela eram uma armadilha. Isabela não oferecia ajuda por altruísmo; ela buscava algo em troca, algo que ele não podia dar. Ela era um canto da sereia, atraindo-o para as rochas.

Imediatamente, Ricardo contatou Helena e Santiago Vasconcelos. A notícia sobre Isabela deixou a todos em alerta máximo.

"Isabela," Santiago Vasconcelos disse, a voz tensa. "Ela é conhecida por ser uma intermediária. Pode ser que ela esteja agindo por conta própria, ou que tenha sido enviada pela quadrilha para sondar você."

"Ela sabia que eu estava em apuros," Ricardo ressaltou, a preocupação crescendo. "Ela mencionou que eu estava sendo pressionado. E que pessoas não estavam felizes com a minha performance."

Helena sentiu um aperto no peito. A possibilidade de Isabela ser um fantoche da quadrilha era aterradora. "E o que ela ofereceu em troca?", perguntou.

"Ela disse que tinha contatos que poderiam me ajudar a 'resolver problemas'. E que poderíamos fazer um acordo. Ela me deu um cartão." Ricardo relatou os detalhes da conversa.

Santiago Vasconcelos suspirou. "Precisamos ter cuidado. Ela pode ser uma porta de entrada para uma armadilha. Não se encontre com ela novamente sem a minha autorização e sem que tenhamos um plano de segurança."

"Mas o que ela quer? Por que ela se aproximaria de mim agora?" Ricardo perguntou.

"Provavelmente, ela sente que você está vulnerável. E está tentando explorar isso para obter vantagens," Santiago Vasconcelos explicou. "Talvez ela queira informações sobre nossas operações, ou talvez queira que você se envolva em algo ainda pior para se afundar de vez."

Naquela noite, Helena não conseguiu dormir. A imagem de Isabela, com seu sorriso calculista e seus olhos frios, a assombrava. Ela sabia que algo estava errado. Algo estava prestes a desmoronar.

No dia seguinte, enquanto Ricardo tentava reunir mais informações sobre o paradeiro de Marcus, Helena decidiu fazer algo por conta própria. Ela se lembrou de um detalhe que Isabela mencionara, um evento social que ela pretendia frequentar.

Hesitante, mas impulsionada pela necessidade de proteger Ricardo e pelo desejo de entender a ameaça que Isabela representava, Helena foi ao evento. Era uma galeria de arte, frequentada pela elite carioca, um ambiente onde Isabela se sentia à vontade. Helena, disfarçada com um vestido elegante e uma postura que escondia sua apreensão, observou Isabela de longe. Ela estava conversando animadamente com um homem que Helena não reconheceu, mas que emanava uma aura de perigo.

Enquanto observava, Helena percebeu Isabela entregar um envelope discreto ao homem. O envelope parecia conter documentos. O que era aquilo? Uma troca de informações? Uma confirmação de algo?

De repente, Isabela olhou em sua direção. Seus olhos se arregalaram ligeiramente, e um lampejo de surpresa, seguido por um sorriso malicioso, cruzou seu rosto. Ela acenou para Helena, um convite silencioso para se aproximar.

O coração de Helena disparou. Ela sabia que não devia, mas a curiosidade e o medo a impulsionaram. Ela se aproximou, tentando manter a calma.

"Helena! Que surpresa te ver aqui," Isabela disse, seu tom falso e meloso. "Eu disse a você que você precisava sair mais. Se divertir um pouco."

"Eu só queria ver a exposição," Helena respondeu, tentando parecer casual. Ela lançou um olhar para o homem ao lado de Isabela, que a observava com curiosidade fria.

"Ah, sim, a exposição é maravilhosa," Isabela concordou, sem desviar os olhos de Helena. "Mas eu estava falando com o Sr. Valério aqui sobre negócios. Negócios que podem ser muito interessantes para pessoas que sabem como aproveitar as oportunidades."

Valério deu um leve aceno de cabeça, um sorriso sutil brincando em seus lábios. Helena sentiu um arrepio. Ela sabia que aquele era um dos nomes que Ricardo havia mencionado como parte da quadrilha.

"Ricardo está se saindo muito bem, não é?", Isabela continuou, seus olhos fixos em Helena. "Ele é tão talentoso. E eu, como amiga dele, quero ter certeza de que ele esteja no caminho certo. E, claro, que eu também me beneficie um pouco."

Helena sentiu o sangue gelar. A armadilha estava clara. Isabela estava sendo usada para pressionar Ricardo, para extrair informações ou para levá-lo a cometer um erro fatal. Ela estava se oferecendo como um "salvador", mas na verdade era um predador.

"Eu acho que Ricardo está lidando com seus negócios muito bem sozinho," Helena disse, sua voz firme, apesar do tremor interno. "Ele é um homem muito capaz."

Isabela riu suavemente. "Talvez. Mas até os mais capazes precisam de uma mão amiga às vezes. Uma mão que saiba exatamente o que fazer." Ela inclinou-se para mais perto, sua voz baixando para um sussurro conspiratório. "Diga a ele para me ligar, Helena. Diga a ele que eu tenho uma proposta que ele não pode recusar. Uma proposta que pode resolver todos os seus problemas."

Com um último olhar de advertência, Isabela se afastou, deixando Helena com o coração acelerado e a mente em turbilhão. Ela havia confirmado seus medos. Isabela era uma ameaça real, um instrumento da quadrilha para manipular Ricardo. A armadilha havia sido revelada, mas o perigo ainda pairava. Helena sabia que precisava alertar Ricardo e Santiago Vasconcelos imediatamente. O canto da sereia havia se tornado mais perigoso do que nunca.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%