O Amor Verdadeiro 172

Capítulo 14 — A Fuga na Madrugada e o Juramento de Vingança

por Ana Clara Ferreira

Capítulo 14 — A Fuga na Madrugada e o Juramento de Vingança

A escuridão da noite era um manto espesso e impenetrável, mas para Helena e Miguel, ela se tornara uma aliada. Correram pela floresta densa, os corações batendo descompassados, os pulmões ardendo, a adrenalina a impulsioná-los para longe dos perigos que os perseguiam. Os gritos dos capangas ecoavam atrás deles, cada vez mais distantes, mas o medo ainda se agarrava a eles como uma sombra fria.

"Eles não vão desistir", Helena ofegou, enquanto tropeçava em uma raiz exposta.

Miguel a segurou, ajudando-a a recuperar o equilíbrio. "Não vamos parar até estarmos completamente seguros. Temos o diário. Temos a verdade. E eles não podem nos deter."

Guiados pela pouca luz das estrelas, eles se moveram com a urgência de quem foge de uma ameaça iminente. Miguel, com seu conhecimento da região, escolheu um caminho sinuoso, aproveitando a escuridão para se camuflar entre as árvores e os arbustos. O diário de sua mãe, guardado com cuidado em uma bolsa impermeável, parecia pesar em suas mãos, um fardo de memórias e de um amor que transcendia o tempo e a dor.

"A estação… era o lugar deles", Helena murmurou, a voz carregada de tristeza. "O lugar onde eles podiam ser eles mesmos. E agora… foi profanado por aqueles homens."

"Eles queriam te silenciar, Helena", Miguel disse, a voz rouca. "Queriam impedir que a verdade viesse à tona. Mas eles subestimaram a sua força. E a nossa."

Eles caminharam por horas, a madrugada fria a envolver seus corpos exaustos. A lua, agora alta no céu, lançava feixes pálidos através das copas das árvores, iluminando o caminho com uma luz fantasmagórica. Cada barulho, cada farfalhar de folhas, os fazia parar, tensos, à escuta.

Finalmente, avistaram ao longe as luzes tênues de uma pequena estrada rural. Uma esperança tênue se acendeu em seus corações. Era a direção certa para encontrar abrigo.

"A estrada", Helena sussurrou, com um alívio quase palpável. "Se conseguirmos chegar lá, podemos encontrar ajuda."

Ao alcançarem a estrada, notaram que o silêncio era absoluto. Nenhum carro à vista, nenhuma alma viva. Apenas a vastidão escura e o vento a uivar.

"Precisamos de um meio de transporte", Miguel disse, olhando para os lados. "E rápido."

Ele avistou um pequeno sítio, as luzes apagadas, mas um velho jipe abandonado em frente à casa. Parecia ter sido esquecido ali há anos.

"Aquele jipe", Miguel apontou. "Pode ser a nossa única chance."

Com a cautela de quem invade um território desconhecido, eles se aproximaram do veículo. Miguel tentou abrir a porta, mas estava trancada. Ele então olhou para Helena.

"Lembra-se do que aprendemos na infância?", ele perguntou, um leve sorriso surgindo em seus lábios.

Helena riu, apesar do medo. "Você quer dizer… forçar a fechadura?"

"Exatamente", Miguel respondeu.

Usando um pedaço de metal que encontrou no chão, Miguel trabalhou na fechadura com perícia. Depois de alguns minutos de tensão, um clique suave anunciou o sucesso. Eles entraram no jipe, o cheiro de mofo e de poeira impregnado no interior.

"Não sei se funciona", Miguel disse, girando a chave na ignição.

O motor tossiu, engasgou, mas, para a surpresa e alívio deles, deu a partida. As luzes dianteiras iluminaram um pequeno trecho da estrada escura, cortando a noite como uma espada de luz.

"Conseguiu!", Helena exclamou, o alívio tomando conta de si.

"Agora, precisamos ir para um lugar seguro", Miguel disse, engatando a marcha. "Um lugar onde possamos pensar em nossos próximos passos sem sermos interrompidos."

Eles aceleraram pela estrada rural, deixando para trás a estação abandonada e os perigos que a espreitavam. O diário de sua mãe era o tesouro que carregavam, a prova irrefutável de sua história.

"Não vamos deixar que eles destruam a memória dela, Miguel", Helena disse, a voz firme, mas tingida de uma dor profunda. "Não vamos deixar que eles calem a verdade. Nós vamos honrar o amor dela. E vamos lutar."

Miguel olhou para ela, os olhos refletindo a luz fraca do painel. "Eu juro, Helena. Por mim e por você. Nós vamos fazer com que todos que machucaram sua mãe e te fizeram sofrer paguem por isso. A vingança será nossa, mas será uma vingança justa. Uma vingança que trará justiça."

A promessa pairou no ar, tão forte quanto o rugido do motor do jipe. A fuga na madrugada não era apenas um ato de sobrevivência, mas o início de uma batalha. A batalha para desmascarar a crueldade, para resgatar a honra e para vingar um amor que foi roubado. Eles eram a continuação de um amor proibido, e agora, eram a força que o traria de volta à luz.

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