O CEO e a Secretária 173

O CEO e a Secretária 173

por Valentina Oliveira

O CEO e a Secretária 173

Autor: Valentina Oliveira

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Capítulo 1 — O Encontro Inesperado na Chuva Torrencial

A chuva caía implacável sobre São Paulo, transformando as ruas em rios escuros e espelhando o céu cinzento nos arranha-céus que arranhavam a atmosfera. Dentro do imponente edifício da "Aurora Global", um santuário de vidro e aço no coração financeiro da cidade, o clima era de agitação controlada. Era sexta-feira, o final de um longo e exaustivo mês, e a expectativa pelo fim de semana pairava no ar como um perfume sutil.

Lúcia Almeida, com seus trinta e poucos anos, o cabelo castanho preso em um coque impecável e um olhar que escondia uma inteligência afiada por trás de uma fachada de calma profissional, batia os dedos ritmicamente sobre a mesa de mogno polido. Secretária executiva do CEO, Rodrigo Vargas, ela era a engrenagem silenciosa que mantinha o complexo maquinário da Aurora Global funcionando sem falhas. Sua vida, cuidadosamente orquestrada, era marcada pela rotina, pela eficiência e por um desejo latente, quase esquecido, de algo mais.

O escritório de Rodrigo Vargas era um reflexo de seu criador: vasto, imponente, com uma vista panorâmica que se estendia até o horizonte. Móveis modernos de design minimalista, obras de arte abstratas nas paredes e um aquário gigante com peixes tropicais compunham um cenário de poder e controle. Rodrigo, um homem de quarenta anos, com cabelos escuros ligeiramente grisalhos nas têmporas e um porte atlético que a academia não conseguia disfarçar, era a personificação do sucesso. Seus olhos azuis, frios e calculistas, podiam desarmar um concorrente ou seduzir um cliente com a mesma facilidade. Lúcia o conhecia bem, mas nunca o conheceu de verdade. Eram mundos que se cruzavam apenas no ambiente profissional, separados por um abismo de hierarquia e convenções sociais.

"Lúcia, você viu meus relatórios do segundo trimestre?", a voz grave e rouca de Rodrigo ecoou pelo intercomunicador, quebrando o silêncio concentrado.

"Bom dia, Sr. Vargas. Sim, estão na sua mesa, em cima da pasta vermelha. Gostaria de algo mais?", respondeu Lúcia, sua voz suave, mas firme.

"Por enquanto, não. Ah, e Lúcia... está chovendo muito lá fora?"

"Sim, Sr. Vargas. Uma verdadeira tempestade. Recomendo um guarda-chuva grande."

Rodrigo soltou um suspiro audível. "Perfeito. Mais um obstáculo na minha jornada para casa."

Lúcia sorriu internamente. Rodrigo Vargas, o homem que conquistava o mundo com um aceno de cabeça, era pego de surpresa por uma simples chuva. Era uma visão irônica, que ela guardava com um certo prazer secreto.

De repente, o intercomunicador voltou a apitar, desta vez com uma urgência incomum. "Lúcia, preciso que venha aqui imediatamente. Há um... problema."

A voz dele, usualmente controlada, soava tensa. Lúcia se levantou, ajeitando a saia lápis e o blazer estruturado, e caminhou em direção à porta do CEO. Ao abri-la, a primeira coisa que a atingiu foi o som ensurdecedor da chuva, acompanhado por um cheiro forte de terra molhada e ozônio.

Rodrigo estava em pé, de costas para a porta, olhando pela imensa janela que emoldurava a cidade embaçada pela água. Ele usava um terno impecável, mas seu rosto estava contraído em uma expressão de pura frustração. Pelo chão de mármore polido, uma poça d’água se espalhava, vinda da porta de acesso privativo que dava para uma pequena varanda externa.

"O que aconteceu, Sr. Vargas?", perguntou Lúcia, aproximando-se com cautela.

Ele se virou, e por um instante, Lúcia viu algo que raramente presenciava: vulnerabilidade. Seus olhos azuis pareciam mais claros, a testa franzida. "Essa porta emperrou. Não abre, não fecha, e agora está vazando. E, para completar, meu guarda-chuva automático decidiu que hoje não é dia de funcionar." Ele gesticulou para um guarda-chuva caro, caído no chão, com um mecanismo visivelmente quebrado.

Lúcia se aproximou da porta com a varanda. A chuva entrava com força, encharcando o tapete e os sapatos de couro italiano de Rodrigo. Ela tentou abrir a porta, mas ela realmente estava emperrada. Parecia haver algo preso no trilho.

"Precisamos chamar alguém da manutenção", disse Lúcia, tentando manter a compostura.

"Não temos tempo para isso, Lúcia. Tenho um jantar importante em menos de uma hora, e não pretendo chegar lá parecendo um rato molhado. E essa porta é um perigo. Se alguém mais apertar, vai se machucar." Ele olhou para Lúcia, e seus olhos fixaram-se nos dela com uma intensidade inesperada. "Você é ágil, Lúcia. Sempre está um passo à frente. Tem alguma ideia?"

A pergunta a pegou de surpresa. Rodrigo Vargas, pedindo ideias a ela, não ordens. Ela sentiu um leve tremor nas mãos. Olhou para a porta, para a poça que crescia, para os sapatos caros de Rodrigo.

"Talvez se eu tentar tirar o que quer que esteja prendendo a porta...", começou Lúcia, aproximando-se da fresta. Ela se abaixou, sentindo a umidade fria subir pela calça, e esticou os dedos finos e ágeis para dentro da abertura. O vento e a chuva batiam em seu rosto, molhando seu cabelo.

"Cuidado, Lúcia", a voz de Rodrigo soou mais próxima agora, quase um sussurro. Ele também se abaixou, a poucos centímetros dela, o cheiro sutil de seu perfume caro e de chuva misturando-se ao ar.

Lúcia sentiu algo duro e metálico. Com um esforço, conseguiu puxá-lo. Era um pedaço de metal retorcido, provavelmente de alguma obra ou manutenção antiga que havia se soltado. Ao retirá-lo, a porta cedeu levemente.

"Consegui!", exclamou Lúcia, com um sorriso vitorioso, que logo se desfez ao sentir o olhar intenso de Rodrigo sobre ela. Ele a observava com uma expressão que ela não conseguia decifrar, uma mistura de admiração e algo mais profundo, que a fez corar.

"Impressionante, Lúcia. Realmente impressionante." Ele se levantou, o som de seus passos molhados ecoando no silêncio momentâneo da tempestade. "Venha aqui."

Lúcia se levantou também, enxugando as mãos na calça. Rodrigo pegou um lenço de seda do bolso interno do paletó e estendeu para ela. Ela hesitou por um segundo, mas aceitou, sentindo o tecido macio contra seus dedos úmidos. Seus olhares se encontraram novamente, e o ar entre eles pareceu ficar mais denso.

"Agora, sobre o jantar...", Rodrigo começou, mas parou, os olhos fixos em algo atrás dela. "O que é aquilo?"

Lúcia se virou. Algo havia caído do teto, perto da janela, e agora jazia no chão: uma pequena caixa de madeira, de aparência antiga, que parecia ter sido exposta pela força da chuva.

"Não faço ideia, Sr. Vargas", respondeu Lúcia, aproximando-se da caixa. Ela a pegou com cuidado. Era surpreendentemente pesada. A madeira estava um pouco úmida, mas a caixa parecia intacta. Não havia fecho visível.

Rodrigo se aproximou, seus olhos fixos na caixa. "Parece antiga. Alguma coisa que veio com o prédio? Não fui informado."

"Eu também não. Talvez seja algo do antigo proprietário. Ou de algum inquilino anterior." Lúcia girou a caixa nas mãos. Ela sentiu um leve clique.

De repente, a tampa da caixa se abriu sozinha, com um rangido suave. Dentro, sobre um forro de veludo desbotado, repousava um pequeno medalhão de ouro, delicadamente trabalhado, e uma única rosa vermelha, seca e murcha, mas ainda com um vestígio de sua cor vibrante.

Lúcia pegou o medalhão. Era lindo, com um desenho intrincado de uma flor que ela não reconheceu. Ao abrir o medalhão, seus olhos se arregalaram. Dentro, duas fotografias em miniatura: um homem de feições fortes e um sorriso gentil, e uma mulher de beleza clássica e olhar sereno.

"Quem são essas pessoas?", perguntou Rodrigo, sua voz com um tom de curiosidade genuína que ele raramente demonstrava.

"Não sei, Sr. Vargas. Mas o medalhão... é muito bonito." Lúcia sentiu uma estranha conexão com aquela descoberta fortuita. Era como se algo do passado tivesse sido revelado apenas para ela.

A chuva lá fora parecia ter diminuído um pouco, mas o temporal interno na sala do CEO estava apenas começando. Rodrigo olhou para Lúcia, depois para a caixa, para o medalhão. O olhar em seus olhos mudou novamente, de curiosidade para algo mais, uma faísca de mistério e interesse que se acendeu em seus olhos azuis.

"Lúcia", disse ele, sua voz mais suave do que o normal. "Guarde isso. Analise-a. Descubra quem são essas pessoas, de onde veio essa caixa. Quero saber a história por trás disso."

Lúcia olhou para ele, surpresa com o pedido. "Sim, Sr. Vargas."

Ele se aproximou mais um passo, o espaço entre eles se tornando quase inexistente. O cheiro da chuva e do perfume dele a envolvia. "E, por favor, Lúcia... me chame de Rodrigo."

O pedido, vindo de Rodrigo Vargas, era mais chocante do que a porta emperrada ou a caixa misteriosa. Lúcia sentiu seu coração disparar. A chuva lá fora continuava a cair, mas o mundo dentro da sala do CEO parecia ter parado. O encontro inesperado, desencadeado por uma tempestade, havia aberto uma porta que nem Rodrigo Vargas, nem Lúcia Almeida, poderiam imaginar. E, naquele momento, o futuro parecia tão imprevisível quanto o clima de São Paulo.

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